CPMI do INSS: base reage e tenta barrar quebra de sigilo de Lulinha
Parlamentares estão reunidos com presidente do Congresso. Grupo argumenta que houve erro na contagem dos votos
Parlamentares da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram nesta quinta-feira (26/2), na Residência Oficial do Senado, com o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AL), para pedir a anulação da decisão da CPMI do INSS que aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O grupo alega erro na contagem dos votos e questiona a condução da sessão pelo presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG).
A deliberação ocorreu pela manhã, em reunião marcada por bate-boca e tensão entre parlamentares. Os requerimentos foram apresentados pelo relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL), e aprovados em votação simbólica, sem registro nominal. Governistas sustentam que houve manobra regimental para validar os pedidos, versão rebatida por Viana, que nega qualquer irregularidade na condução dos trabalhos.
Após o encontro com Alcolumbre, deputados e senadores da base anunciaram que vão formalizar recurso à Presidência do Congresso. O deputado Alencar Santana (PT-SP) confirmou que a peça ainda será protocolada. Já Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que será apresentada uma representação assinada pelos 14 parlamentares que estavam presentes no momento da votação, com pedido de anulação da medida.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) relatou que Alcolumbre ouviu os argumentos do grupo e informou que a análise será feita em conjunto com a Advocacia do Senado. Segundo ela, o presidente do Congresso não estabeleceu prazo, mas indicou que o tema será examinado com brevidade diante da repercussão do caso.
Fábio Luís passou a integrar o foco da investigação após depoimentos de investigados por supostos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) citarem um possível vínculo dele com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Lulinha é mencionado como eventual sócio oculto em empreendimentos na área da saúde com atuação junto ao governo federal, incluindo proposta de fornecimento em larga escala de cannabis ao Ministério da Saúde.
O episódio amplia a disputa política em torno da CPMI e aprofunda o embate entre governistas e oposição sobre os limites e a condução das investigações.