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quarta-feira, 4 de março de 2026
Banco de Brasília

“Cheque em branco” para o BRB gera alerta na Câmara Legislativa

Paula Belmonte (PSDB) levou um cheque em branco à tribuna nesta terça-feira (3) para simbolizar o que considera um risco bilionário para o patrimônio público no projeto de capitalização do Banco de Brasília

Paula Costapor Paula Costa em 4 de março de 2026
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Paula Belmonte (PSDB) marcou a sessão desta terça-feira (3) na Câmara Legislativa do Distrito Federal ao subir à tribuna com um cheque em branco endereçado ao governador Ibaneis Rocha, símbolo de sua posição contrária ao projeto de capitalização do BRB. Crédito: Luís Tajes / Divulgação.

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta segunda-feira (2), após reunião de mais de nove horas com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), que o impacto financeiro provocado pelas operações envolvendo o Banco Master pode chegar a R$ 8 bilhões. O encontro ocorreu em meio à tentativa do governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), de obter autorização dos distritais para transferir ativos públicos ao banco estatal como forma de recompor seu patrimônio.

Segundo Nelson de Souza, o valor estimado do prejuízo é resultado da convergência entre diferentes auditorias realizadas por órgãos de controle. De acordo com o presidente do BRB, avaliações conduzidas pelo Banco Central, por auditorias independentes e por outras instituições de fiscalização apontam para provisões próximas de R$ 8 bilhões, enquanto o aporte necessário para reequilibrar as contas do banco poderia chegar a R$ 6,6 bilhões.

“Fomos bastante conservadores na definição desse valor. Há análises do Banco Central, auditorias independentes e acompanhamento de órgãos reguladores. Em todas elas, a provisão gira em torno de R$ 8 bilhões e o aporte de capital pode atingir até R$ 6,6 bilhões”, afirmou. Até então, a dimensão do impacto financeiro era mantida sob sigilo pelo banco público. O número foi divulgado apenas após a reunião com parlamentares distritais, que buscaram esclarecimentos sobre os efeitos das operações envolvendo o Banco Master.

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Segundo a deputada Paula Belmonte, o PL 2175/2026 pode transferir ativos do Governo do Distrito Federal sem transparência e sem garantias claras. Crédito: Reprodução/ Rede Social.

Para recompor o patrimônio do BRB, o Governo do Distrito Federal propôs transferir nove imóveis públicos ao banco. O valor estimado desses ativos, cerca de R$ 6,6 bilhões, seria utilizado para reforçar o capital da instituição e compensar os prejuízos decorrentes das operações investigadas. Apesar das explicações apresentadas pela diretoria do banco, o encontro terminou sem consenso entre os parlamentares. Deputados tanto da oposição quanto da base do governo afirmaram que ainda existem pontos pouco esclarecidos sobre os valores envolvidos e sobre o impacto da transferência de patrimônio público para o banco estatal.

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Durante o discurso, Belmonte afirmou que a proposta pode comprometer recursos públicos e afetar diretamente a população do DF. Crédito: Luís Tajes / Divulgação.

O debate sobre a capitalização do BRB também provocou forte reação no plenário da Câmara Legislativa. Durante sessão realizada nesta terça-feira (3), a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) protestou contra o projeto ao subir à tribuna com um cheque em branco simbólico endereçado ao governador Ibaneis Rocha. A parlamentar afirmou que a proposta representa uma transferência de patrimônio público sem garantias suficientes de transparência. “O que nós estamos fazendo aqui é um cheque em branco. Não tenho receio de dizer isso. Estamos lidando com recursos que pertencem à população do Distrito Federal”, declarou.

Segundo Belmonte, a proposta de transferência de ativos ainda apresenta lacunas importantes, sobretudo sobre o tamanho real do problema financeiro enfrentado pelo banco e os riscos que a operação pode gerar no futuro. “Eu defendo o fortalecimento do Banco de Brasília, mas não a qualquer custo e muito menos sem total transparência. Estamos falando de patrimônio público, de ativos que pertencem à população do Distrito Federal. Isso exige responsabilidade redobrada” afirmou.

“Na minha visão, fortalecer o BRB passa por gestão responsável, números claros e garantias sólidas. Se não houver segurança técnica e jurídica de que essa medida protege e não expõe o banco, o caminho mais prudente é agir com cautela. Minha obrigação é com a população e com a preservação do patrimônio público”, explicou a Paula Belmonte.

Deputada aponta risco de crise institucional no banco

A distrital também alertou para as consequências caso o BRB não consiga recompor seu capital. Na avaliação da parlamentar, o cenário poderia abrir espaço para uma eventual intervenção do Banco Central ou até para um processo de federalização da instituição. “Falar em intervenção do Banco Central ou federalização do BRB é o retrato de uma crise que já havíamos alertado que poderia acontecer. Isso é resultado de decisões arriscadas e pouco transparentes, como a operação com o Banco Master”, afirmou.

Para Belmonte, uma eventual perda de controle local sobre o banco teria impacto direto na economia do Distrito Federal, especialmente no acesso ao crédito para pequenos empresários, servidores públicos e produtores rurais. “Uma intervenção ou perda de controle significaria enfraquecer justamente esse papel. Politicamente, seria admitir que o patrimônio do DF não foi cuidado como deveria. E eu não estou aqui para fechar os olhos para isso. Meu compromisso é salvar o BRB, sim, mas com responsabilidade. Não vamos assinar cheque em branco, nem entregar patrimônio público para cobrir rombos sem explicações claras. O banco precisa voltar a servir ao povo, e não se transformar em um problema pago pela população”, disse.

Impacto pode atingir financiamento habitacional e crédito local

A deputada também destacou que o banco exerce um papel central no financiamento habitacional e no apoio a micro e pequenas empresas no Distrito Federal. Na avaliação dela, mudanças estruturais na instituição podem comprometer essas políticas. “O BRB vai muito além de ser apenas um banco. Ele financia a casa própria da nossa população e sustenta o pequeno agricultor e o microempreendedor. Quando a gestão se perde em negócios arriscados e sem transparência, como vimos recentemente, o que está em jogo é o acesso ao crédito de quem faz a economia do Distrito Federal girar de verdade”, afirmou.

Belmonte defendeu que a Câmara Legislativa aprofunde o debate antes de aprovar qualquer transferência de patrimônio público. “Estamos tratando de ativos que pertencem à população do Distrito Federal. A transparência precisa ser máxima. Na minha avaliação, o debate ainda não atingiu o grau de clareza que a situação exige. Fizemos questionamentos, pedimos dados detalhados, solicitamos análises técnicas, mas ainda há pontos que não foram devidamente esclarecidos. A Câmara Legislativa tem o dever de aprofundar essa discussão, porque nossa responsabilidade é garantir que nenhuma decisão coloque em risco o patrimônio do Distrito Federal”, concluiu.

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