Alta nos custos derruba lucro da em 33,7% no primeiro trimestre
A Saneamento de Goiás S.A. (Saneago) tem imprimido um ritmo mais acelerado nos investimentos como forma de ampliar a cobertura de seus serviços no Estado e atingir as metas de universalização definidas pelo novo marco regulatório do setor. Nos três meses iniciais deste ano, os valores investidos cresceram 29,21% em relação ao mesmo período do ano passado, avançando de R$ 158,493 milhões para R$ 204,787 milhões. A partir da entrada em vigor do novo marco, na segunda metade de 2020, os investimentos da estatal escalaram, como mostram os dados das demonstrações financeiras da companhia. Entre 2018 e 2021, a operadora havia realizado investimentos anuais médios na faixa de R$ 233,667 milhões, valor multiplicado em quase quatro vezes na média anual observada entre 2022 e 2025, algo na faixa de R$ 884,819 milhões – um salto, mais precisamente, de 278,7% em valores nominais.
O incremento nesta área tem gerado pressões de custos e maiores despesas diante da expansão das redes de água e esgoto, o que demanda maiores gastos com a contratação de serviços de construção e ainda na operação do sistema. Num primeiro momento, antes que os investimentos entrem em maturação e comecem a trazer resultados para a empresa, as pressões começam a afetar de forma negativa as demonstrações financeiras, mas de forma conjuntural, vale dizer, numa tendência passageira, a se considerar que a expansão dos sistemas de água e esgoto, mais adiante, tenderá a reforçar a geração de receitas.
Entre outros fatores, aquelas pressões ajudam a explicar o tombo de 33,73% no resultado líquido registrado entre o primeiro trimestre do ano passado e igual período deste ano, com o lucro encolhendo de R$ 119,420 milhões para R$ 79,018 milhões. As receitas líquidas até cresceram em velocidade suficiente para repor a desvalorização causada pela inflação, mas custos e despesas experimentaram variação ainda mais vigorosa, como mostram os números do balanço trimestral. Somadas, as receitas de serviços e de construção cresceram de R$ 922,071 milhões para R$ 976,312 milhões entre os dois primeiros trimestres de 2025 e de 2026, numa variação de 5,88%.
Receitas e despesas
Somados, os custos do serviço e de construção aumentaram 16,73% naquela mesma comparação, avançando de R$ 463,699 milhões para R$ 541,256 milhões, algo como R$ 77,557 milhões a mais. Para comparação, o ganho no lado das receitas ficou limitado a R$ 54,241 milhões. Segundo a companhia, a variação das receitas pode ser explicada pelo reajuste de 4,19% aplicado às tarifas de água e esgoto desde abril do ano passado, além da expansão de 2,67% no total de unidades atendidas pelos serviços de água e do avanço de 3,11% no setor de esgoto. No lado das despesas e custos, a empresa registra as altas de 28,26% nos gastos com energia, como resultado principalmente do aumento de 17,04% nas tarifas do setor a partir de outubro do ano passado, e ainda da alta de 14,42% nos gastos com pessoal, relacionada à reposição da inflação sobre os salários em junho de 2025, num reajuste de 5,20%, e ao pagamento de abono na assinatura do acordo coletivo com os funcionários, gerando um incremento de R$ 14,415 milhões.
Balanço
Ao detalhar os investimentos realizados, a Saneago destaca o aumento de quase 60% nos recursos alocados a novos projetos de tratamento e distribuição de água, que avançaram de R$ 67,556 milhões para 107,876 milhões (num incremento mais precisamente de 59,68%). Esse desempenho contrapõe-se ao tombo de 40,69% nos recursos investidos em esgoto, que encolheram de R$ 42,272 milhões para R$ 25,072 milhões, algo como R$ 17,2 milhões a menos.
Os investimentos classificados como “outros”, em contrapartida, saltaram 69,66% entre o primeiro trimestre do ano passado e igual período deste ano, de R$ 35,060 milhões para R$ 59,484 milhões. De acordo com a Saneago, aquele avanço ocorreu “em razão da assinatura de novos contratos de leasing de veículos para composição da frota da companhia”, que passaram a ser incorporados como ativos.
A conta financeira, além dos fatores já mencionados, gerou igualmente pressões negativas sobre o resultado, especialmente por conta do salto de 30,23% nas despesas financeiras brutas, que subiram de R$ 37,097 milhões no acumulado entre janeiro e março do ano passado para R$ 48,312 milhões em igual trimestre deste ano. Embora tenham experimentado incremento, as receitas financeiras não compensaram aquela alta, tornando negativo o resultado financeiro líquido.
No mesmo intervalo, as receitas com operações financeiras avançaram de R$ 42,920 milhões para R$ 45,273 milhões, variando 5,48%. O resultado financeiro líquido, que havia sido positivo em R$ 5,823 milhões nos primeiros três meses do ano passado, passou a transitar no vermelho, com perda líquida de R$ 3,039 milhões.
O lucro antes de impostos e contribuições, em consequência, baixou 32,31%, de R$ 164,597 milhões para R$ 111,415 milhões. Os recolhimentos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) até chegaram a encolher, quando analisados em conjunto, desabando de R$ 45,357 milhões para R$ 32,397 milhões, correspondendo a uma redução nominal de 28,57% (ou seja, perto de R$ 12,960 milhões a menos). Obviamente, essa queda não impediu a retração na última linha da conta de resultados, já que a redução do lucro antes dos tributos ficou em R$ 53,182 milhões.
O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), já ajustado, quer dizer com a exclusão de fatores que não influem no fluxo de caixa, sofreu baixa de 22,17% diante do primeiro trimestre de 2025, caindo de R$ 266,320 milhões para R$ 207,279 milhões (com perda de R$ 59,041 milhões). Em consequência, a margem líquida (Ebitda sobre a receita líquida) recuou de 32,50% para 24,47%.
A dívida líquida voltou a crescer fortemente no primeiro trimestre deste ano, saindo de R$ 280,023 milhões nos três meses iniciais de 2025 para R$ 463,019 milhões, num salto de 65,35%. Ainda assim, os níveis de endividamento continuam mostrando uma situação de certo conforto para a companhia. A relação entre dívida líquida onerosa e o Ebitda atingiu 0,45 (quer dizer, a dívida passou a corresponder a 45% do Ebitda, diante de 39% no dado de março de 2025). O parâmetro definido para o endividamento admite uma relação de até três vezes o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.