Aprovações e desembolsos do BNDES em Goiás disparam no primeiro semestre
O valor das operações aprovadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em Goiás e o total de recursos desembolsados pela instituição e direcionados a empresas goianas dispararam ao longo dos seis primeiros meses deste ano em relação a igual período do ano passado. No primeiro caso, o desempenho vigoroso sugere uma continuidade do avanço dos desembolsos nos meses adiante, favorecendo projetos tocados por empresas públicas e privadas no Estado, o que tenderá a gerar impactos para a economia com a abertura de novos empregos e a algum incremento da renda mais à frente.
As aprovações passaram de R$ 1,991 bilhão no acumulado entre janeiro e junho do ano passado para pouco mais de R$ 3,754 bilhões nos mesmos seis meses deste ano, num aumento nominal de 83,50%. Descontada a inflação, aqueles valores cresceram 74,9% na mesma comparação. A despeito da escalada registrada pelo BNDES nesta área, as operações mantiveram-se levemente abaixo dos R$ 3,739 bilhões aprovados no primeiro semestre de 2022 e ainda distantes dos números alcançados entre 2008 e 2010.
Os desembolsos, refletindo parcialmente o salto de 50,2% observado para o total das aprovações na passagem de 2024 para 2025, anotaram incremento de 32,58%, avançando de R$ 1,524 bilhão para alguma coisa ligeiramente inferior a R$ 2,021 bilhões na primeira metade deste ano. Em termos reais, com o desconto da desvalorização gerada pela alta dos preços, os contratados e desembolsados pelo banco de fomento no Estado observaram uma elevação nada desprezível de 26,4%. Diante do achatamento ocorrido entre o final da década passada e os primeiros anos da década em curso, a reação anotada mais recentemente, embora vigorosa, ainda não permitiu retomar os valores atingidos entre 2008 e 2009 e, na sequência, nos anos de 2013 e 2014.
Renova Frota
De toda forma, trata-se de uma recuperação bem-vinda, consequência de decisões de investimento tomadas em períodos anteriores pelas empresas. Ambos indicadores foram influenciados pelo desempenho mais favorável de médias, micro e pequenas empresas, com maior destaque para o primeiro grupo, e ainda pelo setor de transporte rodoviário, com ganhos relacionados especificamente a aprovações de empréstimos por meio do programa Renova Frota, destinado a estimular a compra de caminhões novos e seminovos, financiando para isso transportadores autônomos, cooperativas, empresários individuais e empresas de transporte de cargas e de passageiros. Em outra vertente, o programa também provê recursos para melhorias na área da mobilidade urbana, prevendo créditos para “aquisição de veículos novos, equipamentos e sistemas embarcados para o transporte público coletivo”.
Balanço
Os projetos aprovadas no setor de transporte rodoviário, incluindo linhas para aquisição de ônibus e caminhões e o Renova Frota, cresceram mais de dez vezes, saindo de apenas R$ 144,0 milhões entre janeiro e junho do ano passado para R$ 1,605 bilhão nos mesmos seis meses deste ano, correspondendo a um acréscimo de R$ 1,461 bilhão. Vale dizer, as operações nesta área responderam por 82,9% do aumento total das aprovações.
Considerando o porte das corporações, os aumentos concentraram-se entre médias, micro e pequenas empresas, com variação menos intensa entre as grandes. Pouco mais da metade das aprovações favoreceram médias empresas e um terço foram para as grandes, com micro e pequenas, em conjunto, respondendo por 16,2% do total.
As médias empresas tiveram aprovados créditos no total de R$ 1,834 bilhão, numa alta de 135% diante de R$ 780,0 milhões na primeira metade do ano passado. As micro e pequenas empresas pouco mais do que dobraram os valores aprovados pelo BNDES, saindo de R$ 294,0 milhões para R$ 592,0 milhões (aumento de 101,4%). Para as grandes empresas, os valores variaram de R$ 917,0 milhões (46,1% do total) para R$ 1,229 bilhão, numa elevação nominal de 34,0%, o que reduziu a participação do segmento para 33,6% sobre o total das aprovações.
Entre os grandes setores de atividade, a infraestrutura teve aprovados financiamentos de R$ 1,614 bilhão, sete vezes e meia mais altos do que nos seis meses iniciais do ano passado (quando as aprovações haviam alcançado, nesta área, em torno de R$ 214,0 milhões). As operações no setor de transporte rodoviário concentraram 99,4% dos valores aprovados aqui.
As aprovações para a agropecuária e para o segmento de comércio e serviços apresentaram crescimento, respectivamente, de 18,8% e de 164,1%, saindo, na mesma ordem, de R$ 639,0 milhões para R$ 759,0 milhões e de R$ 220,0 milhões para R$ 581,0 milhões. O dado consolidado para a indústria mostra queda de 23,8% na mesma comparação, de R$ 919,0 milhões para R$ 700,0 milhões, em valores aproximados, pressupondo algum recuo para os desembolsos mais à frente.
Nos seis meses iniciais deste ano, os desembolsos no setor de transporte rodoviário atingiram ao redor de R$ 669,230 milhões, respondendo por 74,5% do total desembolsado para projetos de infraestrutura, que somaram perto de R$ 898,614 milhões. Na comparação com o primeiro semestre do ano passado, quando o transporte rodoviário havia recebido R$ 114,717 milhões e a infraestrutura um total de R$ 788,607 milhões, os dados do BNDES mostram altas de 483,4% e de 13,95%.
Na verdade, descontado o segmento de transporte rodoviário, os demais projetos de infraestrutura perderam quase dois terços dos recursos, com os desembolsos despencando de R$ 673,890 milhões para R$ 229,384 milhões (um tombo de 65,96%). As linhas de financiamento de caminhões e ônibus e os programas Renova Frota e Mais Mobilidade registraram desembolsos de R$ 658,883 milhões, algo como 73,3% dos recursos destinados a projetos na área de infraestrutura.
Os avanços na área de transporte rodoviário foram ofuscados por um tombo de 65,17% nos desembolsos reservados a projetos de energia elétrica, que desabaram de R$ 644,896 milhões (com participação de 81,8% nos financiamentos para infraestrutura) para R$ 224,587 milhões. Os projetos de energia solar, que chegaram a receber R$ 60,437 milhões no primeiro semestre do ano passado, tiveram os desembolsos reduzidos para R$ 31,964 milhões, em baixa de 47,11%.
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