Arrecadação cai quase 20% em maio e registra perda de R$ 640,2 milhões
A arrecadação bruta de impostos entrou no terceiro mês de baixa em Goiás, revertendo o ganho anotado em janeiro e fevereiro e entrando em terreno negativo no acumulado dos cinco meses iniciais deste ano. Em maio, o Estado arrecadou R$ 2,565 bilhões, segundo dados da Secretaria da Economia, numa queda real de 19,97% em relação ao total de R$ 3,205 bilhões arrecadados em igual mês do ano passado, considerando valores atualizados com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação entre aqueles dois meses, a receita bruta sofreu perda real de R$ 640,184 milhões.
O desempenho mais negativo em maio contribuiu para derrubar a arrecadação bruta acumulada nos cinco primeiros meses, que recuou de R$ 16,027 bilhões para R$ 15,817 bilhões, em baixa de 1,31% – o correspondente a uma frustração de R$ 209,677 milhões. A se confirmar a tendência baixista observada desde março, a baixa na arrecadação pode significar uma complicação a mais para a gestão fiscal ao afetar negativamente as contas primárias do setor público estadual, que apresentaram certo desequilíbrio entre receitas e despesas no primeiro quadrimestre (O Hoje, 03.06.2026).
Em maio, mais precisamente, o tombo observado veio principalmente o desempenho negativo do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), atingido especialmente pelas perdas nos setores de combustíveis, indústria e comércio varejista. No geral, a cobrança do ICMS gerou uma receita bruta, antes da divisão com as prefeituras, muito próxima de R$ 1,992 bilhão em maio deste ano, o que se compara com R$ 2,575 bilhões em igual mês do ano passado, a valores atualizados, significando uma queda real de 22,64% ou algo como R$ 582,815 milhões a menos – o que explica pouco mais de 91% da queda registrada para a arrecadação total naquele mês.
Perdas setoriais
Depois de responder por 27,1% da arrecadação total do ICMS em maio do ano passado, os combustíveis perderam participação neste ano, com sua fatia no imposto recuando para 22,7% em função de uma queda real de 35,31% nas receitas. O ICMS cobrado no setor baixou de R$ 698,686 milhões em maio do ano passado para R$ 451,955 milhões, despencando 35,31% nessa comparação. A perda chegou a R$ 246,731 milhões, equivalendo a 42,3% da queda na arrecadação do ICMS no período. A segunda maior contribuição negativa veio da indústria, que teve a arrecadação reduzida de R$ 508,899 milhões para R$ 366,414 milhões, numa baixa de 28,0% (ou R$ 142,485 milhões a menos). No varejo, o ICMS recolhido baixou 20,57%, de R$ 421,444 milhões para R$ 334,414 milhões. Os três setores, somados, responderam por 81,63% da queda nos valores arrecadados pelo ICMS, indicando algum desaquecimento no nível de atividade naquelas áreas.
Balanço
A reforçar o diagnóstico, no caso dos combustíveis, os preços ao final de maio haviam registrado alguma baixa frente os valores anotados na semana final de abril, com recuos de 8,3% no caso do etanol hidratado, de 4,47% para o diesel comum e de 2,69% para o diesel S10, mas com elevação na faixa de 2,0% para os preços da gasolina na bomba, conforme acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Na comparação anual, com exceção para o etanol, que apresentou recuo de 0,87% em relação à última semana de maio de 2025, a agência anotou altas pouco acima de 8,0% para a gasolina, de 5,9% para o gás liquefeito de petróleo e de 12,4% a 14,0% para o diesel. Os dados sugerem uma redução mais intensa no consumo, a ponto de justificar o tombo na arrecadação.
Ainda em maio, comparada a igual mês de 2025, a arrecadação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) anotou baixa real de 9,48%, saindo de R$ 187,469 milhões para R$ 169,697 milhões.
Na soma de todos os tributos, tomando os principais segmentos de atividade, os combustíveis responderam por 40,78% da perda geral na arrecadação, já que as receitas naquele setor caíram de R$ 742,240 milhões para R$ 481,152 milhões, numa redução real de 19,97% (ou R$ 261,088 milhões a menos, considerando a cobrança de todos os impostos sobre o setor e não apenas do ICMS).
No mesmo conceito, a indústria gerou perdas de R$ 195,825 milhões, num tombo de 29,46% em termos reais, com a arrecadação encolhendo de R$ 664,804 milhões para R$ 468,979 milhões. Os setores do comércio atacadista e varejista experimentaram baixas de 23,97% e de 20,64% respectivamente, com a arrecadação saindo de R$ 565,916 milhões para R$ 431,986 milhões e de R$ 435,230 milhões para R$ 345,415 milhões.
No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, o ICMS conseguiu ainda manter-se no “azul”, mas por estreita margem, numa variação real de 1,75% em relação a igual período de 2025, com a recita avançando de R$ 12,549 bilhões para R$ 12,769 bilhões (perto de R$ 219,326 milhões a mais). O grupo “outras receitas”, que já vinham de forte queda em abril, voltou a recuar em maio e encerrou os cinco primeiros meses deste ano em R$ 479,939 milhões, caindo 27,23% diante de R$ 764,657 milhões em 2025, anulando com sobras o modesto incremento do ICMS ao perder R$ 284,718 milhões.
Apesar do mau resultado em maio, a arrecadação no setor de combustíveis sustentou alta de 6,55% no ano, saindo de R$ 3,374 bilhões entre janeiro e maio do ano passado para R$ 3,595 bilhões nos mesmos cinco meses deste ano, em alta de R$ 220,912 milhões. O ganho foi integralmente consumido pelo tombo de 12,23% nos valores arrecadados na indústria, que baixaram de R$ 3,302 bilhões para R$ 2,898 bilhões, numa redução de R$ 403,851 milhões. A participação da indústria na arrecadação total foi reduzida de 20,60% para 18,32%.
Os dados da Secretaria da Economia mostram perdas ainda nos setores atacadista (-5,72%), varejo (-5,07%) e serviços (-2,54%), com fortes baixas para a agropecuária (-31,45%) e extrativa (-35,83%).
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