Baixa no total de pessoas disponíveis para trabalhar desacelera o emprego
O número de trabalhadores ocupados em toda a economia atingiu mais um recorde no trimestre encerrado em julho deste ano na série histórica mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), iniciada em 2012. O acompanhamento registrou pouco mais de 103,335 milhões de ocupações no período, o que significou alta de 1,0% frente aos três meses imediatamente anteriores, resultado da abertura de 1,002 milhão de vagas. Comparado a igual período do ano passado, quando a economia havia gerado 102,437 milhões de vagas, anotou-se uma variação de 0,9% com a incorporação de 899,0 mil trabalhadores à força de trabalho ocupada.
Para comparar, nos mesmo trimestre do ano passado, agora comparado a intervalo entre maio e julho de 2024, o total de ocupados havia apresentado crescimento de 2,4%, o que significou a contratação adicional de 2,356 milhões de trabalhadores. Como se percebe, os dados da pesquisa mostram uma nítida perda de fôlego no ritmo de crescimento do emprego quando comparado ao desempenho registrado em períodos anteriores, o que parece referendar as análises que têm associado aquela tendência à desaceleração mesma experimentada pela atividade econômica em seu conjunto. Mas outros fatores, mais estruturais, podem estar determinando o comportamento do mercado de trabalho a esta altura, desta vez refletindo, ainda que pareça paradoxal, o crescimento mais vigoroso das ocupações depois da pandemia.
Uma análise das séries estatísticas capturadas pela PNADC mostra um encolhimento no total de trabalhadores disponíveis para trabalhar, o que antecipa taxas de crescimento menos intensa para as ocupações daqui em diante. Simplesmente porque, apenas para reforçar, há menos pessoas sem emprego e ainda à espera de uma colocação que possa atender a seus interesses e às necessidades de sua família. Mas com um fator adicional: o total de pessoas em idade para trabalhar, correspondendo à população com 14 anos ou mais, igualmente tem registrado taxas de crescimento menores, o que parece corresponder com a tendência de desaceleração nas taxas de crescimento da população como um todo.
Ritmo menor
Entre o trimestre iniciado em dezembro de 2019 e concluído em fevereiro de 2020, mês imediatamente anterior ao começo da pandemia de Covid-19 no Brasil, a população de 14 anos ou mais somava 166,913 milhões de pessoas, subindo para 175,510 milhões no trimestre mais recente acompanhado pela pesquisa, entre maio e junho deste ano. Houve um acréscimo de 8,597 milhões de pessoas, numa variação de 5,15%. No período anterior, a população em idade ativa havia experimentado elevação de 6,78%, num acréscimo de 10,585 milhões de pessoas. No período considerado, tomando os trimestres de julho a setembro de 2013 e de novembro a janeiro de 2020, o total de trabalhadores com 14 ou mais anos passou de 156,205 milhões para 166,790 milhões. O menor ritmo significa em igual proporção uma entrada relativamente menor de pessoas no mercado de trabalho, correspondendo a uma demanda menor por ocupações. Vale acrescentar, mesmo que o emprego passe a registrar menores taxas de avanço, o desemprego pode continuar caindo diante de uma redução equivalente no número de pessoas em busca de trabalho.
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Balanço
A tendência observada pela pesquisa para o número de pessoas em idade de trabalhar veio acompanhada de reduções expressivas no total de desocupados, no total de trabalhadores desalentados (e, por isso, fora do mercado de trabalho já que desistiram de buscar uma colocação por falta de oferta de empregos de maior qualidade), assim como no tamanho da chamada força potencial de trabalho (que inclui os desalentados) e no número de pessoas que trabalham um número de horas consideradas insuficientes para suprir suas necessidades.
Na soma daqueles números, ao final de fevereiro de 2020, a PNADC chegou a registrar 26,703 milhões de desocupados, desalentados, de trabalhadores na força potencial e daqueles subocupados por insuficiência de horas trabalhadas.
No trimestre entre maio e junho deste ano, o contingente havia sido reduzido para 14,866 milhões, num tombo de 44,3% – ou seja, 11,873 milhões de trabalhadores deixaram a situação de subocupados ou desempregados. Na comparação com o total de pessoas em idade ativa, as trabalhadores naquelas condições reduziram sua participação de 16,0% para pouco menos de 8,5%, caindo quase pela metade.
Naquele mesmo intervalo, o número de ocupados aumentou em 10,259 milhões, correspondendo a uma variação de 11,0%, já que o total de trabalhadores com alguma ocupação avançou de 93,076 milhões para 103,335 milhões. O número de desocupados caiu a menos da metade, numa queda pouco maior do que 53,0%, despencando de 12,392 milhões para 5,819 milhões. A redução, portanto, beneficiou 6,573 milhões de trabalhadores que deixaram a situação de desempregados.
A queda no número de desocupados respondeu por praticamente 46,5% da redução no tamanho do que se pode chamar “exército de reserva”, considerando aqueles fora do mercado por desemprego ou desalento e ainda pessoas trabalhando um menor total horas do que aquelas necessárias para suprir sua sobrevivência e na considerada força potencial – que inclui, em resumo, trabalhadores que deixaram de procurar uma colocação, mas que estariam disponíveis para trabalhar caso consigam algum emprego mais digno.
Aliás, a segunda contribuição para a queda desse contingente de trabalhadores veio da redução da força potencial, que registrava 7,876 milhões de trabalhadores no trimestre imediatamente anterior ao início da pandemia e passou a acomodar 4,816 milhões entre maio e julho deste ano, numa redução de 38,9% (perto de 3,060 milhões a menos). Na sequência, os desalentados encolheram de 4,628 milhões para 2,316 milhões, num tombo de praticamente 50,0%.
Para completar a cena, aqueles trabalhadores com registro de carga horária insuficiente baixaram de 6,434 milhões para 4,231 milhões, em queda de 34,2% (ou 2,203 milhões a menos).
Olhando o curto prazo, o número de desocupados baixou de 6,322 milhões no trimestre fevereiro a abril deste ano para 5,819 milhões nos três meses imediatamente seguintes, em queda de 8,0% (mas ainda acima dos 5,503 milhões de desempregados registrados no último trimestre do ano passado, o mais baixo da série histórica). A taxa de desocupação no período recuou de 5,8% para 5,3% (apenas levemente acima do índice de 5,1% anotado entre outubro e dezembro de 2025). Percebe-se, no caso, uma reversão na curta tendência de elevação daquela taxa desde o recorde de baixa anotado ao final de 2025.
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