Caiado sente que sem a caneta do poder votos e apoios somem
Nesta eleição, ninguém tem representado melhor a dicotomia entre ser bom governate e não ser um bom candidato do que o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). À frente do Governo de Goiás por mais de sete anos, Caiado fez uma gestão moralizadora, que devolveu aos goianos o orgulho de pertencimento à origem Goyaz. Não à toa, deixou o governo em março com aprovação de 87%, segundo pesquisa da Genial/Quaest, número que dá inveja em muitos governantes.
O milagre, no entanto, tinha data de validade. Pesquisa Quaest (BR-03864/2026) divulgada na segunda-feira (28), o mesmo instituto que cravou Caiado com a maior aprovação do País, mostra o goiano em 3º lugar na eleição presidencial em Goiás. Aqueles 80% na despedida do Palácio das Esmeraldas foram reduzidos em apenas 23% das intenções de voto, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), com 33%, e de Lula (PT), com 27%. Em seis meses, o ex-governador saiu do topo do pódio para o degrau mais baixo, uma queda rápida até para quem está acostumado a cair da sela.
Essa queda reflete, sobretudo, em Daniel Vilela (MDB), seu candidato ao governo, que bateu no teto e não dá sinais de vitória no primeiro turno. Para piorar, afeta ainda mais a candidata ao Senado Gracinha Caiado (União Brasil), que era tida como favorita a ser eleita. No entanto, agora, de acordo com pesquisas recentes, ela está tecnicamente empatada com Zacharias Calil (MDB), Oséias Varão (PL) e Gustavo Mendanha (PRD). O posto de favorito a ser eleito foi ocupado por Gustavo Gayer (PL). Mesmo que a ex-primeira-dama fique em segundo lugar para o Senado, significa uma derrota a Caiado e atesta que, sem a caneta com tinta, o poder fica reduzido.
Se ela perder então, um atestado que a liderança de Caiado voltou ao seu tamanho original, quando era eleito deputado federal. A pesquisa Igape (GO-08133/2026) mostra Gracinha com com 20,9%, enquanto na rodada anterior, de 5 de setembro (GO-06035/2026), era líder absoluta, com 24,3%. Ora, se há seis meses Daniel e Gracinha contavam com Caiado para vencer, hoje, o cenário é o inverso: Caiado é quem precisa deles. Prova inconteste de que governar bem e ser um bom candidato são coisas bem diferentes.
Eleitores com o mesmo perfil
O problema de Ronaldo Caiado é que o caiadismo, o marconismo e o bolsonarismo são fontes que desaguam no mesmo rio da centro-direita e da direita. Quem votou em Caiado em 2022 pode, hoje, escolher entre Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL). No mesmo ano, eleitores de Caiado votaram no candidato do PL ao Senado, enquanto quatro anos antes, em 2018, o próprio Caiado herdou boa parte do eleitorado que, em 2014, elegeu Marconi.
Mais à esquerda
O vilelismo não pertence a essas mesmas águas. Diferente dos outros “ismos”, que nasceram e circulam na centro-direita e na direita, os Vilelas tiveram uma trajetória mais à esquerda. Maguito Vilela (1949-2021), por exemplo, foi vice-presidente do Banco do Brasil de Lula e anos mais tarde teve Ozair José (PT) como vice-prefeito em Aparecida de Goiânia.
De voto em voto
Nesta quarta-feira (30/9), Gustavo Mendanha (PRD) recebeu o apoio do delegado Humberto Teófilo (Novo) na disputa pelo Senado. O anúncio veio um dia depois da declaração de apoio de Maria Yvelônia (PL) e faz do ex-prefeito praticamente o segundo voto do bolsonarismo em Goiás.
Yvelônia guerreira
A coluna manteve contato com a candidata a deputada federal Maria Yvelônia (PL) sobre seu estado de saúde e campanha. “Estou bem melhor, mas com o braço engessado e a perna. Feliz pelos apoios de tantos amigos, principalmente da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a nossa candidata a vice Ana Paula Rezende, a presidente do PL Mulher Ana Luiza Morais, Gustavo Gayer e tantas pessoas que apostam em minha recuperação rápida e em nosso projeto para deputada federal. Que Deus abeçoe a todos pelo carinho!”
Michelle apoia Eduardo Prado – A ex-primeira-dama do País, Michelle Bolsonaro, gravou vídeo de apoio à reeleição do deputado estadual Eduardo Prado (PL). Michelle ressaltou o trabalho do deputado em defesa das pessoas e da causa animal.
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