Classe C deve responder por 59% do aumento do consumo em Goiás
Numa tendência inédita, o crescimento do consumo no Estado neste ano deverá ser liderado pela classe C, conforme a pesquisa IPC Maps, realizada anualmente pela IPC Marketing Editora. Na soma geral, o potencial de consumo das famílias goianas deverá crescer 9,8% em valores nominais, indicando um avanço real próximo de 6,4% na comparação entre 2025 e 2026, superando o crescimento projetado para todo o restante do País, algo na faixa de 5,6% em termos nominais e perto de 2,3% depois de descontada a inflação.
O potencial de consumo em todo o Brasil deverá subir de R$ 8,151 trilhões, aproximadamente 64,0% do Produto Interno Bruto (PIB), para quase R$ 8,609 trilhões, correspondentes a praticamente 66,6% do total de riquezas estimado pelo Banco Central (BC) para os 12 meses terminados em março deste ano, sugerindo que o consumo das famílias tende a andar à frente do PIB, diante de uma expectativa de variação ao redor de 1,8% para o volume total de riquezas a ser gerada neste ano pela economia brasileira.
Para Goiás, a pesquisa estima um consumo próximo de R$ 324,726 bilhões ao longo deste ano, o que se compara com R$ 295,780 bilhões na estimativa do ano passado, traduzindo-se em um ganho de aproximadamente R$ 28,746 bilhões. A classe C, que reúne 52,7% dos domicílios em Goiás, com renda familiar média entre R$ 2.648 e R$ 4.527, na classificação da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), tende a consumir algo como R$ 112,341 bilhões neste ano, correspondendo a 34,60% do potencial estimado para o Estado. No ano passado, as famílias enquadradas na mesma categoria teriam consumido ao redor de R$ 95,411 bilhões, respondendo por 32,26% do total.
Mobilidade e ganhos de renda
Na comparação entre os dois períodos, o consumo daquelas famílias deverá experimentar crescimento de 17,74% ou qualquer coisa como 14,1% depois de descontada a inflação na estimativa da pesquisa, significando um acréscimo nominal de R$ 16,930 bilhões. A comparação com o incremento esperado para o total das famílias goianas mostra que a classe C responderá por algo como 58,5% do aumento geral, um dado significativo e provavelmente influenciado pelo aumento proporcionalmente maior esperado para os rendimentos das famílias de menor renda e por mudanças no perfil de mobilidade social em Goiás e no resto do País – já que os dados nacionais apontam para tendências semelhantes.
Balanço
Na visão de Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, parte daquele efeito pode ser explicado, numa abordagem mais positiva, por migrações entre as classes D e E em direção à C, registrando-se ainda, numa tendência mais negativa, a saída de famílias da classe B para a C, sugerindo ganhos de renda menos significativos para aquele primeiro estrato social.
O fenômeno foi observado para todo o País igualmente, com a classe C assumindo uma participação de 36,9% de todos os gastos de consumo projetados para as famílias, acima do percentual registrado em Goiás.
Pazzini antecipa condições atípicas e desafiadoras para a economia brasileira neste ano, como decorrência de instabilidades geopolíticas, mas também por conta de vetores domésticos. Segundo ele, “as recentes guerras ao redor do globo estão impactando diretamente o bolso dos brasileiros, em função da possibilidade de aceleração inflacionária”. Internamente, a atividade econômica colhe os “efeitos adversos da política monetária contracionista”, com juros ainda na estratosfera, a despeito de duas rodadas de cortes, sempre modestos diante do tamanho da taxa básica, ainda na faixa de 14,5% ao ano.
Pela primeira, conforme indica a pesquisa, o potencial de consumo das famílias da classe C vai ocupar o topo do ranking, superando a classe B, que teve sua participação reduzida de 38,55% no ano passado para 33,88% – nada menos do que cinco pontos percentuais a menos. O resultado decorre mais do aumento da crescimento mais expressivo do consumo na classe C e, em menor proporção, da própria redução no potencial de consumo da classe B, que deve recuar de R$ 114,029 bilhões para R$ 110,009 bilhões, em torno de 3,5% a menos.
Proporcionalmente, o potencial de consumo da classe A tende a apresentar avanço mais intensa, crescendo 21,35% entre 2025 e este ano, passando de R$ 39,625 bilhões para R$ 48,085 bilhões, correspondendo a R$ 8,460 milhões a mais (numa contribuição de 29,23% para o crescimento geral do consumo). Embora responda por apenas 2,8% dos domicílios no Estado, a classe A terá sua participação no potencial de consumo elevada de 12,72% para 14,81%, assumindo a posição de segunda maior favorecida pelo avanço do consumo neste ano.
Entre as principais categorias de consumo, a contribuição mais relevante deverá vir do grupo habitação, que inclui gastos com aluguel, taxas e impostos, energia elétrica, água e gás. Nesta área, o potencial de consumo tende a avançar de R$ 61,585 bilhões para R$ 69,243 bilhões, crescendo 12,43% em termos nominais (numa alta de perto de 8,9% em termos reais), ou seja, R$ 7,658 bilhões a mais – numa contribuição de 26,46% no crescimento total esperado para o consumo. A participação daquelas despesas no consumo total deverá elevar-se de 20,82% para 21,32%.
O grupo “outras despesas”, que contempla serviços em gral, reformas e seguros, entre outras, tende a crescer 11,0% nominalmente, saindo de R$ 60,393 bilhões (20,42% do total) para R$ 67,036 bilhões (20,62%), num acréscimo de R$ 6,643 bilhões – o que representou uma contribuição de 22,95% para o avanço geral.