Contribuinte paga a conta da eleição, mas quem se diverte são os políticos

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 11 de julho de 2026 às 11:44
Contribuinte
Jingle, santinho, comitê, cabo eleitoral, nada disso se faz sozinho. Custa caro Ilustração: Takeshi Gondo

Um das frases mais recorrentes entre empreendedores, cunhada pelo Nobel de Economia Milton Friedman: não existe almoço grátis ou, no original, “there’s no such thing as a free lunch”. Na democracia brasileira, não seria diferente. Jingle, santinho, comitê, cabo eleitoral, nada disso se faz sozinho. Custa caro. Muito caro. Para este ano, são R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral para os partidos destinarem aos candidatos a deputado estadual, federal, senador, governador e presidente da República. Parece muito para o contribuinte que paga essa montanha de dinheiro, mas para os presidentes de partidos é muito aquém do necessário.

Se colocar na planilha de custas, torna-se insuficiente diante do número de concorrentes aos cargos nos Legislativos e no Congresso. Para se ter uma noção, em Goiás, uma candidatura a deputado estadual custa, em média, R$ 3 milhões. Se esse valor servir de parâmetro para o resto do País, que tem 1.059 deputados estaduais, só para bancar a reeleição dos atuais mandatários nas Casas Legislativas serão necessários R$ 3,1 bilhões do fundo. Mais da metade da verba. E ainda faltam os candidatos a deputado federal, senador, governador e presidente. Este último, em país de proporções continentais, tem custo de campanha que passa dos R$ 100 milhões. A conta não fecha.

Resultado: a maioria dos deputados recorre a mecanismos ilegais para cobrir o rombo. O mais comum hoje é o desvio de emendas parlamentares. O deputado destina um valor X para que a prefeitura Y execute a obra Z. Só que cobra um “pedágio” de 10%, em média. Pelo menos é o que se lê na mídia. No entanto, tem excelência que cobra o dobro disso. Como boa parte das prefeituras do mal arrecada para pagar a folha, o prefeito aceita. Recusar significa não ter dinheiro para obras. No fim, a promessa de que o Fundo Eleitoral acabaria com a corrupção, já que o candidato não dependeria mais de doador privado em busca de favor, não se sustentou. A corrupção continua firme e forte, só trocou de endereço. Antes vinha do caixa dois. Agora, do erário. E o contribuinte, esse sim, segue com a conta de R$ 4,9 bilhões na mão, pagador de uma festa para a qual não foi convidado.

Marconi apoia integração das forças de segurança
O pré-candidato a governador pelo PSDB, Marconi Perillo, continua sua jornada em visitas e conversas com lideranças no interior. Nesta sexta-feira (10), mudou a rotina e cumpriu agenda em Goiânia, em reunião com representantes do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no Estado de Goiás (SinPRF). Marconi defendeu uma maior integração entre as forças de segurança e apoio à proposta da PEC da Segurança Pública, que amplia a atribuição da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

DNA político de Celina
A governadora do Distrito Federal (GDF), Celina Leão (PP), recebeu um presente que a fez relembrar do seu conterrâneo: a ficha de filiação do ex-governador Joaquim Roriz ao extinto Partido Trabalhista Renovador (PTR). Roriz entrou para os quadros do partido para ser candidato e se eleger governador do Distrito Federal em 1990. Para quem não acredita no DNA político de Celina com o MDB, essa é a confirmação histórica.

“Rei do Sudeste goiano”
No passado, Adib Elias (MDB) era citado como “rei do Sudeste goiano”. Mas agora terá dificuldades para ser eleito deputado estadual. Além dos problemas de saúde, ele vai disputar na própria base votos com Jamil Calife (PP).

Centrão vira as costas
Tido como favorito para receber o apoio do Centrão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agora vê o grupo debandar. O estopim foi o silêncio diante da operação que prendeu Márcio Canella (União Brasil), pré-candidato ao Senado Federal no Rio. A omissão revoltou lideranças. “Ninguém confia mais nele”, disse, sob reserva, um deputado do União Brasil.

Alcides, cristão novo – O deputado federal Professor Alcides (PSDB), cristão novo no tucanato, tem mostrado que é um dos maiores entusiastas da pré-candidatura de Marconi Perillo (PSDB). Em encontro político em Aparecida de Goiânia, discursou em defesa do ex-governador e citou o Hospital de Aparecida e o Vapt Vupt como feitos do tucano chefe.

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