sexta-feira, 16 de outubro de 2026

“Corpos secos” imagina um Brasil tomado pelo colapso

Luana Avelarpor em
“Corpos secos” imagina um Brasil tomado pelo colapso

Vencedor do Prêmio Jabuti, romance acompanha sobreviventes de uma doença que transforma o país em cenário pós-apocalíptico

Uma doença causada pela reação inesperada entre novos agrotóxicos e as larvas que deveriam eliminar transforma o Brasil em um cenário de colapso. É desse ponto de partida que nasce “Corpos secos”, romance escrito por quatro autores, entre eles Luisa Geisler e Marcelo Ferroni, e vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Romance de Entretenimento.

Na trama, o surto começa em Mato Grosso do Sul e se espalha pelo país. Os infectados, chamados de corpos secos, já não apresentam atividade cerebral, mas continuam em movimento e procuram sangue. Seis meses depois, com o governo e as estruturas sociais desfeitos, sobreviventes tentam atravessar o território brasileiro em busca de segurança.

A narrativa acompanha personagens em situações distintas: um jovem aparentemente imune, protegido por uma equipe médica; uma dona de casa isolada em uma fazenda; uma criança que vê a mãe tentar salvar a família; e uma engenheira de alimentos diante de um fenômeno que seus conhecimentos não conseguem explicar por completo.

As trajetórias avançam em paralelo até convergirem na busca por um último refúgio no sul do país. Ao combinar suspense, catástrofe e horror, o livro usa o cenário pós-apocalíptico para discutir os limites da violência, as escolhas impostas pela sobrevivência e a possibilidade de redenção em meio ao caos. A estrutura coletiva da obra amplia os pontos de vista sobre o desastre e suas consequências. O título também foi escolhido pelo Clube do Livro FN, do influenciador Felipe Neto.

Os autores

14- LIVRARIA FT 2 - Foto_ redes sociais

Luisa Geisler é escritora e tradutora gaúcha, nascida em 1991. Autora de Luzes de emergência se acenderão automaticamente e De espaços abandonados, venceu duas vezes o Prêmio Sesc de Literatura e já foi finalista do Jabuti.

Marcelo Ferroni, nascido em São Paulo em 1974, é jornalista, escritor e editor. Autor de Dia dos mortos e do romance Método prático da guerrilha, também teve obras publicadas no exterior.

Natalia Borges Polesso, nascida em Bento Gonçalves em 1981, é escritora, pesquisadora e tradutora. Autora de Amora, vencedor do Jabuti, teve trabalhos traduzidos em diversos países e integrou a lista Bogotá39.

Samir Machado de Machado, nascido em Porto Alegre em 1981, é escritor, tradutor e designer gráfico. Autor de romances históricos e de aventura, publicou títulos como Quatro soldados, Homens elegantes e Tupinilândia, vencedor do Prêmio Minuano.

 

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