“Descontente” retrata o cansaço de uma geração
Em Descontente, romance de estreia de Beatriz Serrano, Marisa, de 32 anos, parece ter alcançado o tipo de vida profissional e pessoal associado ao sucesso. Ela ocupa um cargo de liderança em uma agência de publicidade, mora em um bairro valorizado de Madri e mantém uma relação sem compromisso com o vizinho. Por trás dessa rotina, porém, enfrenta crises de ansiedade, depende de lorazepam e tenta atravessar os dias recorrendo a vídeos no YouTube.
O equilíbrio precário começa a se desfazer quando a empresa organiza um fim de semana obrigatório de team building. Longe da rotina que construiu para manter alguma estabilidade, Marisa é confrontada por lembranças, relações superficiais e pelo desgaste acumulado no ambiente corporativo.
Com humor ácido, Serrano acompanha uma personagem que tenta conciliar desempenho profissional, solidão e a busca por sentido em uma vida marcada por cobranças constantes. A crítica ao trabalho contemporâneo aparece sem separar a crise profissional da afetiva: ambas se misturam na forma como Marisa percebe a si mesma e os vínculos ao redor.
Traduzido por Alexia Gonçalves, Descontente observa as angústias de millennials e da geração Z a partir de uma protagonista que transforma ironia e humor em formas de suportar o próprio desencanto.
A autora
Beatriz Serrano nasceu em Madrid, em 1989. É licenciada em Jornalismo pela Universidade Complutense daquela cidade. Desenvolveu a sua carreira no jornalismo digital, especializando-se em «novas narrativas». Atualmente, é jornalista do El País. É autora, juntamente com o escritor Guillermo Alonso, do podcast Arsénico Caviar. Romance-sensação em língua espanhola e com edição prevista em várias línguas e países, O Desencanto é o seu primeiro romance.
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