Estudo revela por que mulheres fazem sexo sem vontade
Pesquisa chama de “sexo por compaixão” relações mantidas mesmo sem desejo para preservar o relacionamento
Um estudo publicado no Journal of Sex and Marital Therapy chamou atenção para um comportamento que pode passar despercebido dentro de relacionamentos: mulheres que mantêm relações sexuais mesmo sem sentir desejo, em alguns casos, como uma forma de preservar a relação.
Os pesquisadores Nikita Guptan e James A. Simon, de Washington, nos Estados Unidos, analisaram dados de uma década de testes clínicos de medicamentos destinados ao tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo, condição caracterizada pela falta crônica de desejo sexual.
Entre as participantes avaliadas estavam mulheres que, antes do tratamento, mantinham relações sexuais cerca de duas a três vezes por mês, apesar da ausência de resposta fisiológica relacionada ao desejo.
Os pesquisadores chamaram esse comportamento de “sexo por compaixão”.
Por que algumas mulheres mantêm relações sem desejo?
Segundo os pesquisadores, uma das possíveis razões seria a intenção de preservar a monogamia e evitar que o parceiro procure outras pessoas.
Durante os testes clínicos, que envolveram milhares de mulheres e compararam medicamentos com placebo, as empresas farmacêuticas precisaram avaliar a eficácia dos tratamentos também a partir da frequência das relações sexuais.
Entre os medicamentos analisados estavam testosterona, bremelanotida e flibanserina.
Os dados mostraram que algumas participantes continuavam mantendo relações mesmo sem apresentar desejo sexual.
Comportamento também aparece em outros estudos
O chamado “sexo por compaixão” não é um conceito totalmente novo na literatura científica.
Em 2024, uma pesquisa publicada no Journal of Sex Research também analisou situações em que pessoas consentiram em relações sexuais que não desejavam em algum momento, inclusive dentro de relacionamentos.
Os estudos ajudam a levantar discussões sobre a diferença entre consentimento, desejo e expectativas dentro das relações afetivas.
Falta de desejo pode afetar autoestima
Para os especialistas citados no estudo, manter relações sexuais sem desejo de forma recorrente pode ter impactos que vão além da vida íntima e atingir aspectos emocionais e a autoestima.
A falta de desejo sexual também pode estar relacionada ao transtorno do desejo sexual hipoativo, condição que pode demandar avaliação médica e acompanhamento terapêutico.
Nesse contexto, o diálogo entre os parceiros aparece como uma das principais formas de compreender o que está acontecendo e buscar alternativas para a relação.
A recomendação dos especialistas é que situações persistentes relacionadas à falta de desejo sejam avaliadas com acompanhamento médico e terapêutico.
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