quinta-feira, 22 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Produção de peixes cresce no Brasil, mas consumo ainda limita avanço

Aquicultura mundial deve superar US$ 1 trilhão até 2034

Otavio Augustopor em
Produção de peixes cresce no Brasil, mas consumo ainda limita avanço

A aquicultura vive um ciclo de expansão no mundo. Estimativas apontam que o mercado global, avaliado em US$ 607,13 bilhões em 2025, pode chegar a US$ 1,15 trilhão em 2034, com crescimento médio superior a 7% ao ano. O avanço é impulsionado pela demanda por proteínas, pela busca por alimentos associados à saúde e pelo desenvolvimento de tecnologias de produção.

O Brasil reúne condições para aproveitar esse cenário, com disponibilidade de água, clima favorável, produção em escala e avanço tecnológico. Em 2025, a piscicultura nacional ultrapassou 1 milhão de toneladas, crescimento de 58,6% em dez anos. A produção de tilápia aumentou 148,2% no mesmo período e representa cerca de 70% dos peixes cultivados no país.

 

 

Brasil supera 1 milhão de toneladas de peixes

O país se consolidou como o maior produtor de peixes cultivados das Américas e ocupa a quarta posição mundial na produção de tilápia. O Paraná liderou a produção da espécie em 2025, com 273,1 mil toneladas, seguido por São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Maranhão.

O crescimento foi acompanhado por investimentos em genética, nutrição, manejo, sanidade, equipamentos e processamento. A atividade passou a produzir mais em áreas existentes e a buscar maior padronização.

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O desafio agora está depois da despesca: transformar a produção em produtos mais acessíveis e adequados à rotina do consumidor.

Consumo ainda é um desafio para a cadeia

Apesar da expansão da produção, o pescado ainda tem espaço para conquistar no mercado brasileiro. A recomendação internacional é de 12 quilos de pescado por pessoa ao ano, enquanto o país permanece abaixo desse patamar.

Preço, disponibilidade irregular e pouca variedade de cortes estão entre os obstáculos. Filés sem espinhas, porções menores, congelados e produtos prontos para preparo podem ajudar a aumentar a frequência de consumo, principalmente diante de famílias menores e rotinas mais aceleradas.

 

 

 

A industrialização também permite maior aproveitamento do peixe e agrega valor à produção, reduzindo a dependência da comercialização do animal inteiro.

Exportações ainda representam pequena parcela

No exterior, o Brasil também tem espaço para crescer. As exportações da piscicultura somaram US$ 60 milhões em 2025, com alta de 2% em valor. A tilápia respondeu por 94% das vendas externas.

No conjunto dos pescados, as exportações brasileiras superaram US$ 432,9 milhões no ano passado. Os Estados Unidos concentraram 87% das exportações da piscicultura, enquanto Canadá, Peru, China e Vietnã aparecem entre outros destinos. Ao longo de 2025, 21 novos mercados foram incorporados.

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A concentração das vendas aumenta a importância de diversificar destinos e atender diferentes exigências sanitárias e comerciais.

Rastreabilidade pode definir competitividade

Além de volume e preço, o mercado internacional cobra cada vez mais informações sobre origem, sanidade, sustentabilidade e uso de recursos naturais. Para o Brasil, esse cenário pode representar uma vantagem, desde que a cadeia consiga comprovar seus indicadores por meio de rastreabilidade e certificações.

A expansão da aquicultura exige, ao mesmo tempo, planejamento ambiental, controle sanitário, eficiência no uso da água e melhoria da infraestrutura de processamento e logística.

Com produção em alta e um mercado mundial que pode chegar a US$ 1,15 trilhão, o desafio brasileiro não é apenas criar mais peixes. É agregar valor, ampliar o consumo interno, diversificar as exportações e transformar a capacidade produtiva em competitividade econômica.

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