NEGÓCIOS

Comércio passa de pai para filho e fortalece negócios em Goiás

Sucessão familiar ganha importância em um setor que representa mais de 15% do PIB goiano

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Comércio passa de pai para filho e fortalece negócios em Goiás
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O comércio goiano cresce, moderniza processos e incorpora novas tecnologias, mas um dos seus maiores patrimônios continua sendo a empresa familiar. Em Goiás, histórias de pais e filhos que dividem o balcão, a gestão e a responsabilidade pelos negócios ajudam a explicar a força de um setor que responde por mais de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Mais do que uma atividade econômica, o comércio tornou-se um legado transmitido entre gerações.

Dados do Instituto Mauro Borges (IMB) mostram que o comércio reúne mais de 350 mil empresas em Goiás e emprega cerca de 2 milhões de pessoas, consolidando-se como um dos principais motores da economia estadual. No segmento de materiais de construção, essa tradição ganha contornos particulares: lojas iniciadas há décadas por pequenos empreendedores permanecem ativas graças à sucessão familiar, que combina experiência acumulada com novos modelos de gestão.

Empresas familiares sustentam boa parte da economia

A relevância das empresas familiares vai além de Goiás. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de entidades do setor mostra que negócios administrados por famílias representam cerca de 90% das empresas brasileiras, respondendo por mais da metade dos empregos formais e por parcela significativa do PIB nacional.

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Apesar dessa importância, manter o negócio ao longo das gerações continua sendo um desafio. Segundo o Índice Global de Empresas Familiares, elaborado pela PwC, apenas 36% das empresas familiares conseguem chegar à segunda geração sob o comando da família. Na terceira geração, esse percentual cai ainda mais. Os principais obstáculos são a falta de planejamento sucessório, conflitos familiares e a dificuldade de adaptação às mudanças do mercado.

Da brincadeira na loja à liderança dos negócios

Na Rede da Construção Pacheco, em Goiânia, a sucessão começou de forma espontânea. Os irmãos Thiago Pacheco e Cláudio Pacheco Filho cresceram acompanhando o pai, Cláudio Pacheco, entre pilhas de areia, parafusos e corredores da loja.

O que começou como brincadeira na infância transformou-se em interesse pelo negócio. Durante a adolescência, ambos passaram a trabalhar nas férias escolares, conhecer fornecedores e entender o funcionamento da empresa. Hoje, cada um administra parte da operação familiar.

A empresa fundada pelo pai se expandiu para quatro unidades distribuídas entre Goiânia, Piracanjuba e Goiatuba. Enquanto Cláudio Pacheco continua sendo referência na experiência comercial, os filhos incorporaram ferramentas de gestão, tecnologia e planejamento estratégico.

Segundo Thiago, a relação atual é marcada pela troca constante de conhecimentos. “Meu pai conhece profundamente o mercado. Nós contribuímos mais com tecnologia e gestão. Hoje aprendemos uns com os outros.”

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Modernização garante continuidade das empresas

A mesma realidade é vivida por outras famílias goianas. Na Rede da Construção Jarina, em Goiânia, Bruno Resende Garcia assumiu gradualmente a administração da empresa criada pelo pai, Antonio Levertino Garcia, em 1990. Mesmo formado em Direito, decidiu permanecer no comércio e passou a investir em profissionalização da gestão, relacionamento com fornecedores e expansão do negócio.

Em Quirinópolis, Angel Honorio Alves cresceu acompanhando o pai no Depósito Tijolão. As lembranças incluem entregas feitas em carroças, atendimento por telefone fixo e uma estrutura bastante diferente da atual. Hoje, a empresa convive com softwares de gestão, novos canais de venda e um portfólio muito mais amplo, sem abandonar princípios como honestidade e atendimento próximo ao cliente.

Já em Itapuranga, a Rede da Construção DiCasa representa três gerações da mesma família no segmento. Gustavo Ribeiro Dias, neto de comerciante e filho dos fundadores da empresa, promoveu mudanças estruturais na loja desde 2018. A unidade ampliou sua área física, modernizou sistemas, reorganizou processos internos e quadruplicou o faturamento, resultado atribuído à combinação entre inovação e os valores construídos pela família ao longo de décadas.

Sucessão exige planejamento e autonomia

Especialistas em governança familiar apontam que a sucessão bem-sucedida começa muito antes da mudança formal na gestão. O processo envolve preparação dos herdeiros, definição clara de responsabilidades e abertura para novas ideias, sem romper com a identidade construída pela geração anterior.

Nas empresas visitadas, esse modelo aparece como característica comum. Os pais permanecem presentes nas decisões estratégicas enquanto os filhos assumem gradualmente funções administrativas, comerciais e financeiras.

Mais do que preservar um patrimônio, a sucessão garante continuidade aos relacionamentos construídos com clientes, fornecedores e colaboradores – ativos que muitas vezes representam o principal diferencial competitivo das empresas familiares.

 

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