Etanol ganha espaço na bomba com maior vantagem sobre a gasolina em oito anos
Levantamento da ANP mostra etanol competitivo em todos os municípios goianos pesquisados e postos já registram aumento na procura
O etanol hidratado alcançou a maior vantagem econômica em relação à gasolina dos últimos oito anos, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Além de apresentar preços competitivos em todos os municípios goianos pesquisados pela agência, o cenário ocorre em um momento de elevada produção de etanol no Estado e de início da gasolina E32, que elevou de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro.
Segundo a ANP, todos os municípios pesquisados em Goiás apresentaram, na última semana, preços do etanol competitivos em relação à gasolina. O levantamento mostra que o biocombustível atingiu a maior vantagem econômica em relação ao combustível fóssil desde 2018. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) atribui esse desempenho à forte produção sucroenergética, à oferta consolidada e à logística eficiente em São Paulo, Goiás, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Produção amplia competitividade
Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, a maior oferta de etanol em Goiás é resultado da estratégia das usinas, que atualmente destinam maior parte da produção ao biocombustível. Segundo o especialista explicou ao O HOJE, o preço do açúcar no mercado internacional permanece em baixa nas últimas safras, e os custos de produção continuam elevados, tornando o etanol mais atrativo.
Desde 1º de agosto também entrou em vigor a gasolina E32, prevista na Lei do Combustível do Futuro. A medida busca ampliar o uso de combustíveis renováveis, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e diminuir a dependência brasileira da gasolina importada. Estimativas do setor apontam que a mudança poderá reduzir a necessidade de importação entre 800 milhões e 1 bilhão de litros de gasolina por ano.
Para Ongaratto, a nova mistura amplia o mercado para as usinas que produzem etanol anidro. “Para essas usinas que produzem etanol anidro, sim, vai ser um aumento do potencial de mercado delas. Isso reforça a demanda pelo produto”, diz.
A economista Greice Guerra também relaciona a vantagem do etanol ao aumento da oferta e às sucessivas safras do setor. Segundo Guerra, o fato de Goiás estar entre os maiores produtores nacionais de etanol de milho favorece a atração de investimentos, a geração de empregos e renda. “Se Goiás continuar tendo essa safra recorde, eu acredito que tende até mesmo o preço do etanol baixar”, afirma.
Reflexo na bomba
Apesar do cenário favorável, a redução dos preços nem sempre chega ao consumidor. Ongaratto afirma que isso depende do comportamento dos demais elos da cadeia. “O preço na usina está muito baixo. Caso não haja nenhum tipo de repasse dessa diminuição de preço, o consumidor vai ficar prejudicado.”
O presidente do Sindiposto-GO, Márcio Andrade, afirma que os postos já registram aumento na procura pelo etanol, embora ainda de forma tímida. “A gente tem uma expectativa de que essa migração do consumo da gasolina para o etanol seja maior, porque está muito benéfico para o consumidor, como há muito tempo já não se via durante o período de safra”, afirma ao O HOJE.
Segundo Andrade, a implantação da gasolina E32 ainda passa por um período de adaptação previsto pela ANP, que estabeleceu prazo de até 30 dias para adequação dos estoques de distribuidoras e postos. Enquanto durar a safra, a expectativa é de manutenção da competitividade do etanol, embora fatores como oferta, demanda e impostos continuem influenciando os preços.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados em maio de 2026 para a safra 2025/26, mostram que Goiás produziu aproximadamente 5,3 bilhões de litros de etanol, sendo 4,5 bilhões de litros de cana-de-açúcar e 841,6 milhões de litros de milho.
A reportagem entrou em contato com o Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg) e com a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
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