Brasil mantém maior juro real do mundo mesmo com Selic a 13,75%
Selic cai, mas Brasil continua no topo do ranking de juros reais
A taxa real brasileira ficou em 8,45% ao ano após o Banco Central reduzir a Selic para 13,75%; Rússia, Colômbia e Turquia aparecem na sequência
O Brasil continua com a maior taxa real de juros entre as 40 economias analisadas em levantamento da MoneYou em parceria com a Lev Intelligence. O indicador chegou a 8,45% ao ano após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic de 14% para 13,75% nesta quarta-feira (16).
O corte foi de 0,25 ponto percentual e representou a quinta redução consecutiva da taxa básica de juros. A decisão foi unânime. O Banco Central citou a desaceleração da inflação, mas também destacou as incertezas do cenário externo e a necessidade de cautela na condução da política monetária.
Mesmo com a redução, o Brasil permaneceu à frente dos demais países no ranking de juros reais. A Rússia aparece em segundo lugar, com 6,79%, seguida pela Colômbia, com 6,33%, pela Turquia, com 6,25%, e pelo México, com 3,08%. A média das 40 economias analisadas ficou em 1,62%.
O que explica a taxa real brasileira
O juro real considera a taxa de juros descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses. Portanto, ele não corresponde simplesmente à Selic anunciada pelo Banco Central.

No caso brasileiro, o levantamento utilizou uma inflação projetada de 4,71% para o período de 12 meses. Com a taxa básica em 13,75%, o resultado colocou o país na primeira posição do ranking.
A taxa real brasileira, contudo, recuou em relação ao levantamento anterior. Em agosto, quando a Selic estava em 14%, o indicador estava em 9,30%. Naquele momento, o Brasil também ocupava a primeira posição entre as economias analisadas.
A diferença entre os juros nominais e reais também altera a posição dos países. No ranking nominal, que considera apenas a taxa de juros sem descontar a inflação, o Brasil aparece na quarta colocação, atrás da Turquia, da Argentina e da Rússia.
Selic cai pela quinta vez seguida
A decisão do Copom levou a Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual mantém o ciclo de redução iniciado em 2026. Desde março, a taxa acumula queda de 1,25 ponto percentual.
A redução ocorreu após sinais de desaceleração da inflação. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto e acumulou alta de 4,22% em 12 meses. O resultado ficou abaixo do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.
Apesar disso, o Banco Central mantém atenção sobre os riscos que podem afetar os preços. Entre os fatores considerados estão as condições internacionais, as oscilações nos preços de commodities e a política monetária de outras economias.

O cenário externo também mudou nesta quarta-feira. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou a taxa de juros para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, movimento que pode influenciar os fluxos financeiros internacionais e as condições para economias emergentes.
Como o juro real afeta a economia
A taxa de juros influencia diretamente o custo do dinheiro na economia. Quando permanece elevada, o crédito tende a ficar mais caro para consumidores e empresas. Isso pode afetar financiamentos, empréstimos e decisões de investimento.
Por outro lado, juros elevados aumentam a remuneração de aplicações financeiras vinculadas às taxas de mercado. Com a Selic ainda em 13,75%, investimentos de renda fixa continuam sendo influenciados pelo nível elevado dos juros básicos.
Para empresas, o custo do crédito também interfere nas decisões de expansão. Empréstimos para capital de giro, aquisição de equipamentos e financiamento de projetos passam a exigir uma avaliação mais detalhada do retorno esperado.
A queda da Selic reduz gradualmente esse custo, mas o efeito sobre a economia não ocorre de forma imediata. As condições de crédito dependem também dos riscos, dos prazos, das taxas cobradas pelas instituições financeiras e das expectativas para inflação e juros.
Brasil segue distante dos demais países
A diferença entre o Brasil e os países que aparecem logo abaixo no ranking permanece significativa. O juro real brasileiro, de 8,45%, supera em 1,66 ponto percentual o da Rússia, segunda colocada, e fica 2,12 pontos acima do indicador da Colômbia.
Na outra ponta, nove das 40 economias avaliadas apresentam juros reais negativos. A Nova Zelândia registra a menor taxa, de -0,91%, enquanto Japão, Suíça, Filipinas e Taiwan também aparecem abaixo de zero.
O levantamento também mostra que as expectativas de inflação foram revisadas para cima em diversos países. Esse movimento altera o cálculo do juro real porque a taxa considera justamente a diferença entre os juros e a inflação projetada.
No Brasil, portanto, a redução da Selic diminuiu o juro real, mas não alterou a posição do país no ranking. A próxima decisão do Copom está prevista para novembro, quando o Banco Central voltará a avaliar inflação, atividade econômica, expectativas de preços e cenário externo antes de definir o próximo passo da política monetária.
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