Conab prevê queda na produção de carne bovina em 2026
Produção deve recuar 0,8%, enquanto exportações podem crescer 4,46% e chegar a 4,73 milhões de toneladas
A produção brasileira de carne bovina deve recuar 0,8% em 2026, para 11,84 milhões de toneladas, ante 11,93 milhões de toneladas registradas em 2025. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a redução marca o início da reversão do ciclo pecuário no país, período em que a oferta de animais prontos para o abate diminui. A transição, no entanto, ocorre de forma mais gradual do que o inicialmente projetado, devido à disponibilidade de fêmeas no primeiro semestre, ao aumento do peso médio das carcaças e ao maior uso do confinamento.
Mesmo com a redução da produção, as exportações de carne bovina devem crescer 4,46% em 2026, alcançando 4,73 milhões de toneladas, contra 4,53 milhões de toneladas em 2025. A projeção ocorre apesar de entraves comerciais, como o preenchimento da cota de importação chinesa, o embargo da União Europeia relacionado aos controles de antimicrobianos e as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
A Conab destacou que não prevê volume excedente de carne no mercado doméstico capaz de provocar queda acentuada nos preços. Segundo a estatal, a demanda de destinos alternativos e os altos valores praticados no mercado internacional contribuem para sustentar os embarques.
No mercado interno, o consumo permanece moderado e concentrado em cortes de menor valor. Entre os consumidores de menor renda, a carne bovina perde competitividade para as carnes de frango e suína.
Para 2027, a Conab prevê uma queda mais acentuada de 4,1% na produção, que deve chegar a 11,413 milhões de toneladas. A projeção considera a menor oferta de animais para abate e a maior retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos.
Com a restrição na oferta, o ritmo de expansão das exportações deve desacelerar para 2,2% em 2027, totalizando 4,83 milhões de toneladas.
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