Preço do frango sobe e Goiás amplia abate e exportações
Demanda interna e externa impulsiona o setor, enquanto o estado registra avanço na produção e conquista novos mercados internacionais
O preço da carne de frango avançou em 2026 em meio ao aumento da demanda interna e externa, enquanto Goiás registra crescimento no abate de aves e nas exportações. Em 10 de setembro, o frango congelado e o resfriado chegaram a R$ 7,74 por quilo no atacado paulista, com altas de 5,74% e 6,17%, respectivamente, desde o início do mês. No estado, o abate cresceu 7,1% no primeiro trimestre e as exportações somaram 181,9 mil toneladas entre janeiro e julho.
Em maio, o preço do frango resfriado no atacado subiu 2,9% em relação a abril, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na cotação Cepea/Esalq-SP, o valor médio chegou a R$ 7,55 por quilo, alta de 3,1%. No mesmo período, a carcaça suína especial recuou 3,8%, para R$ 8,66 por quilo. Segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (SEAPA), a diferença reduziu a competitividade relativa do frango frente à carne suína no atacado.
No início de setembro, o consumo doméstico de frango ganhou força com o recebimento de salários e a movimentação relacionada ao feriado do Dia da Independência. A maior procura refletiu-se nas cotações e levou as indústrias a intensificarem a busca por novos lotes de frango vivo.
Dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que Goiás registrou o maior crescimento no abate de frangos entre os principais estados produtores no primeiro trimestre de 2026.
Entre janeiro e março, foram abatidas 135,6 milhões de aves no estado, alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025. O volume correspondeu a 7,9% do total nacional e manteve Goiás na quinta posição do ranking. Paraná liderou, com 34,4%, seguido por Santa Catarina, com 13,7%; Rio Grande do Sul, com 11,4%; e São Paulo, com 11,3%.
O peso das carcaças produzidas em Goiás chegou a 309,3 mil toneladas, crescimento de 10,5% na comparação anual. No país, o abate somou 1,7 bilhão de cabeças no primeiro trimestre, maior volume da série histórica para o período, com 3,7 milhões de toneladas de carcaças.
Segundo a 83ª edição do boletim Agro em Dados, da SEAPA, Goiás exportou 181,9 mil toneladas de carne de frango entre janeiro e julho, alta de 18,2% em relação aos primeiros sete meses de 2025. A proteína chegou a 95 países e gerou US$ 370,5 milhões, aumento de 23,3% na receita.
Entre janeiro e abril, foram embarcadas 100,3 mil toneladas para 90 países, com receita de US$ 198,8 milhões. No período, o valor das compras do Japão cresceu 53,0%; do México, 95,8%; e da Albânia, 30,1%.
A China foi o principal destino entre janeiro e julho, com 16,1% do valor exportado e crescimento de 95,5% nas compras. O Japão respondeu por 12,9%, os Emirados Árabes Unidos por 11,8%, a Arábia Saudita por 7,4% e a Albânia por 4,8%.
As asas e o peito representaram 37,3% do valor exportado; coxas com sobrecoxas, 28,7%; aves inteiras congeladas, 17,9%; pedaços e miudezas congeladas, 13,0%; e outros cortes, 3,1%.
Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, a aceleração da demanda internacional, especialmente da China, está entre os fatores relacionados à expansão do abate e da produção em Goiás. Segundo a avaliação, o volume comprado pela China nos primeiros meses de 2026 superou o total adquirido de Goiás durante todo o ano de 2025.
“A exportação, combinada ao mercado interno, permite às empresas terem maior previsibilidade na demanda e diluem os riscos mercadológicos”, afirma Ongaratto.
O economista também aponta a produção de milho como um diferencial de Goiás, por ser o principal insumo da alimentação das aves. A oferta local, segundo a avaliação, reduz custos com frete e nutrição animal.
Para Ênio Fernandes, engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor especializado em agronegócio, o cenário atual é positivo para o setor de proteínas animais, com exceção da suinocultura, que enfrenta desafios pontuais de oferta e demanda.
Fernandes afirma que o frango está entre as proteínas animais de preço mais acessível no mercado global. Segundo o consultor, os preços elevados de outras carnes em mercados maduros, como Estados Unidos e Europa, impulsionam a procura pelo produto brasileiro.
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