domingo, 13 de setembro de 2026
NEGÓCIOS

Pequi, baru e outros frutos do Cerrado movimentam negócios em Goiás

Biodiversidade do Cerrado abre novas oportunidades para negócios em Goiás

Otavio Augustopor em
Pequi, baru e outros frutos do Cerrado movimentam negócios em Goiás
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O Dia Nacional do Cerrado, celebrado na última sexta-feira (11), colocou em evidência um bioma que, além da importância ambiental, reúne uma variedade de produtos com potencial econômico. Em Goiás, frutos como pequi, baru, cagaita, araticum, mangaba, buriti e jatobá já fazem parte de cadeias de produção e comercialização e podem ser transformados em alimentos, bebidas, óleos, farinhas, cosméticos e outros produtos de maior valor agregado.

O potencial econômico está justamente na capacidade de transformar matérias-primas nativas em produtos que ultrapassem a comercialização do fruto in natura. A industrialização, o processamento, a embalagem e a criação de novos ingredientes ampliam a vida útil dos produtos e permitem que eles alcancem outros mercados.

O pequi é o principal exemplo em Goiás. Em 2023, o Estado extraiu 3,7 mil toneladas do fruto, alta de 21,8% em relação ao ano anterior e recorde da série histórica. A atividade movimentou R$ 5,65 milhões, valor equivalente a 37,1% de toda a produção da extração vegetal goiana naquele ano.

 

 

 

Pequi mostra que biodiversidade também movimenta dinheiro

O tamanho da cadeia fica ainda mais evidente quando se observa a comercialização. A Ceasa Goiás é considerada o maior entreposto de pequi do país e recebe frutos de Goiás, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso. Segundo o órgão, cerca de 80% do pequi extraído nesses quatro estados passa pela unidade goiana, antes de seguir para diferentes mercados consumidores.

Em um levantamento sobre a cadeia, a Ceasa registrou 6.414 toneladas de pequi comercializadas na safra 2022/2023, com movimentação financeira estimada em R$ 10,4 milhões. O mercado, portanto, envolve muito mais do que o extrativista que coleta o fruto. A cadeia inclui transporte, armazenamento, distribuição, comercialização e processamento.

Cerrado
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Baru, cagaita e buriti ampliam opções para empreendedores

O pequi não é a única matéria-prima do Cerrado com potencial comercial. Baru, cagaita, araticum, mangaba, buriti e jatobá integram uma lista de espécies que podem ser aproveitadas em diferentes cadeias produtivas.

O baru, por exemplo, tem como principal produto a amêndoa, que pode ser vendida torrada ou transformada em ingredientes para alimentos. A partir dela podem surgir farinhas, doces, barras e outros produtos. Frutos como cagaita e araticum também podem ser utilizados em preparações alimentícias, enquanto espécies como o buriti oferecem possibilidades de aproveitamento de óleos e fibras.

A lógica econômica está na agregação de valor. Um fruto fresco tem período limitado de comercialização e depende de condições específicas de armazenamento e transporte. Quando transformado em polpa, farinha, óleo, doce ou outro ingrediente, pode ganhar maior durabilidade e chegar a consumidores em diferentes períodos do ano.

O desenvolvimento desse mercado também tem uma dimensão regional. O extrativismo do pequi em Goiás se concentra principalmente nas regiões Nordeste, Norte e Noroeste do Estado. O governo estadual aponta que o fortalecimento dessa cadeia pode contribuir para a geração de emprego e renda em áreas com potencial produtivo ainda pouco explorado.

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Desmatamento reforça desafio para o mercado do Cerrado

O potencial econômico precisa ser acompanhado pela conservação do bioma. Os dados mais recentes mostram que, apesar da redução dos alertas de desmatamento, a pressão sobre o Cerrado permanece elevada.

Em agosto de 2026, foram registrados 238 km² de vegetação nativa perdida no bioma, uma redução de 19% em relação aos 294 km² registrados no mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, o Cerrado perdeu 3.810 km², queda de 7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados são do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

 

 

O cenário coloca a sustentabilidade no centro das estratégias para transformar a biodiversidade em atividade econômica. A expansão de produtos nativos depende da manutenção das espécies e de práticas que permitam a exploração sem comprometer a capacidade de regeneração do bioma.

Em Goiás, o mercado do pequi mostra que essa relação já movimenta dinheiro: foram 3,7 mil toneladas extraídas e R$ 5,65 milhões em valor de produção em 2023, enquanto milhares de toneladas passaram pela Ceasa. O próximo passo é ampliar o processamento e diversificar os produtos.

 

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