Mais motos nas ruas: mercado cresce 12% em 2026
Alta nas vendas, locação e uso profissional fortalecem a cadeia de serviços ligada às motocicletas no Brasil e em Goiás
O mercado brasileiro de motocicletas mantém ritmo de crescimento em 2026 e já transforma o setor em uma das frentes mais movimentadas da indústria automotiva. Entre janeiro e julho, 1,37 milhão de motocicletas foram emplacadas no país, alta de 12,37% sobre o mesmo período de 2025. Em agosto, o segmento chegou a aproximadamente 205 mil unidades, alta de cerca de 10,6% na comparação anual.
O avanço ocorre depois de um 2025 também positivo. Naquele ano, os emplacamentos chegaram a 2,19 milhões de motocicletas, crescimento de 17,1% e melhor resultado da série histórica. A Abraciclo projeta para 2026 2,3 milhões de unidades licenciadas, alta de 4,6% sobre o ano anterior.
Mais do que aumentar o número de motos vendidas, a expansão amplia o mercado em torno delas. Oficinas, lojas de peças e acessórios, serviços de manutenção, seguros, financiamento, locação, entregas e soluções voltadas a profissionais que utilizam a motocicleta para trabalhar passam a disputar uma base maior de consumidores.
Demanda cresce e indústria aumenta produção
O crescimento das vendas vem acompanhado pelo aumento da produção. Entre janeiro e julho, as fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 1,14 milhão de motocicletas, avanço de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025. Foi o melhor resultado para os sete primeiros meses em 14 anos e o terceiro maior da história.
Nos cinco primeiros meses, a indústria havia produzido 932,5 mil unidades, alta de 10,1%. No mesmo período, os emplacamentos chegaram a 980.095 motos, crescimento de 15,3%. A diferença entre produção e licenciamentos mostra o ritmo elevado da demanda interna e a necessidade de abastecimento contínuo do mercado.

A expectativa da Abraciclo é fechar 2026 com 2,07 milhões de motocicletas produzidas, 4,5% acima de 2025. A associação também prevê 45 mil unidades destinadas à exportação. O setor emprega diretamente mais de 21,8 mil pessoas em Manaus e supera 154 mil empregos diretos em todo o país.
Goiás acompanha alta e mercado supera 59 mil motos
O movimento também aparece em Goiás. Dados da Fenabrave mostram que o Estado registrou 59.752 emplacamentos de motocicletas de janeiro a agosto de 2026, contra 50.039 no mesmo intervalo de 2025. O crescimento chega a 19,41%, acima da expansão nacional no período.
Somente em agosto, foram 7.613 motos emplacadas em Goiás, alta de 12,02% sobre agosto de 2025. O número representa 42,4% de todos os emplacamentos de veículos registrados no Estado naquele mês, à frente da participação dos automóveis, que ficou em 29,04%.
Os números ajudam a explicar por que a motocicleta ganhou espaço como instrumento de mobilidade e também como ativo de trabalho. Em cidades com trânsito intenso, o veículo apresenta menor custo de aquisição e operação em comparação com um automóvel, além de atender atividades profissionais que dependem de deslocamentos frequentes.
Locação cria novo mercado para quem não quer comprar
Outra transformação ocorre no modelo de acesso à motocicleta. O crescimento do uso profissional e a dificuldade de parte dos consumidores em obter financiamento favorecem a expansão da locação de motos.

O segmento de motocicletas destinadas a locadoras registrou crescimento de 1.560% entre 2021 e 2025, segundo levantamento citado em reportagem recente. No primeiro semestre de 2026, uma empresa especializada em aluguel já respondeu por 4,73% dos emplacamentos nacionais, com 55.590 unidades.
Peças, manutenção e serviços ganham espaço
A expansão da frota também aumenta o mercado de pós-venda. Quanto maior o número de motocicletas circulando, maior tende a ser a necessidade de serviços de manutenção e reposição de componentes.
O perfil da produção ajuda a dimensionar esse mercado. Entre janeiro e maio, as motos de baixa cilindrada representaram 78,3% da produção nacional, com 730.291 unidades. As de média cilindrada responderam por 18,7%, enquanto as de alta cilindrada ficaram com 3%.
Ao mesmo tempo, modelos de maior cilindrada começam a ganhar espaço. A produção de motocicletas de alta cilindrada cresceu 41,9% no acumulado até maio, ainda que represente uma parcela pequena do mercado. A Abraciclo relaciona o movimento à procura por motos destinadas a lazer, viagens, desempenho e tecnologia.
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