Turismo de luxo transforma natureza e cultura em negócios de alto valor
O turismo de luxo ganha espaço no Brasil e movimenta uma cadeia que vai muito além dos hotéis cinco estrelas
O turismo de luxo começa a ganhar uma nova dimensão no Brasil. Em vez de se concentrar apenas em grandes hotéis e resorts, o segmento passa a envolver experiências personalizadas, gastronomia, natureza, bem-estar, cultura e hospedagens exclusivas. A expansão acontece em paralelo ao crescimento do turismo internacional e cria oportunidades para uma cadeia ampla de negócios.
O Brasil recebeu 9,29 milhões de turistas internacionais em 2025, alta de 37,1% sobre 2024 e 46% acima de 2019. O fluxo gerou US$ 7,86 bilhões em divisas, crescimento de 7,1%, segundo dados da Embratur. O país também registrou aumento de 16,5% nos voos internacionais e a geração de 137.452 empregos formais diretos no turismo.
O desempenho superou antecipadamente a meta do Plano Nacional de Turismo, que previa chegar a 8,1 milhões de visitantes estrangeiros somente em 2027. O desafio agora passa menos por simplesmente aumentar o número de turistas e mais por ampliar o valor movimentado por cada visitante.
Turismo premium ganha força com experiências personalizadas
O conceito de luxo também mudou. O consumidor de alta renda não procura necessariamente ostentação, mas privacidade, exclusividade, atendimento personalizado, autenticidade e experiências que não consegue encontrar em roteiros convencionais.
É nesse espaço que o Brasil encontra uma vantagem competitiva: a diversidade de destinos. Florestas, praias, montanhas, rios, vinícolas, gastronomia regional, patrimônio histórico e turismo rural podem ser transformados em produtos de maior valor agregado.

Uma hospedagem em meio à natureza, uma experiência gastronômica exclusiva, um roteiro privado ou uma propriedade rural preparada para receber pequenos grupos podem fazer parte desse mercado. Isso amplia o número de negócios capazes de atuar no segmento, inclusive empreendimentos de menor porte.
A Embratur colocou o turismo de luxo entre os segmentos prioritários de sua estratégia internacional. Em 2025, a agência participou de eventos especializados, como a ILTM Cannes, que reuniu mais de 10 mil participantes, 2.200 compradores e cerca de 2 mil expositores de 85 países.
Investimentos passam a mirar destinos de maior valor
Em março de 2026, o Ministério do Turismo regulamentou o Programa de Atração de Investimentos Privados para o Turismo, criado para mapear oportunidades em destinos estratégicos e promover o Brasil como destino para investimentos. Até 2027, a iniciativa prevê o mapeamento e a publicação de 30 projetos turísticos, além de 16 ações promocionais para atrair investidores.
Para a economia, o efeito vai além da hotelaria. Um visitante de maior poder aquisitivo movimenta restaurantes, transporte, passeios, comércio, produção cultural, guias, fornecedores e serviços especializados.

Infraestrutura vira condição para competir pelo turista
O crescimento da demanda também aumenta a pressão sobre a infraestrutura dos destinos. Não basta ter um atrativo natural ou cultural: é preciso garantir acesso, segurança, conectividade, mobilidade e qualidade dos serviços.
Em agosto, o Ministério do Turismo regulamentou o Programa de Infraestrutura Turística, voltado à modernização de equipamentos e estruturas de apoio aos visitantes. Entre os objetivos estão melhorar acessibilidade, segurança, sustentabilidade, sinalização e integração dos meios de transporte. A meta é celebrar 2 mil novos convênios ou contratos de repasse para modernização da infraestrutura turística.Pequenos negócios também entram na cadeia do luxo
A expansão do segmento cria espaço para negócios que não necessariamente possuem grandes estruturas. Restaurantes, produtores rurais, guias, operadores de experiências, empresas de transporte, artesãos, pousadas e empreendimentos de turismo de natureza podem participar de uma cadeia de maior valor.
O Ministério do Turismo também criou um programa para apoiar o desenvolvimento de produtos e experiências turísticas, com foco em inovação, comercialização, turismo de base comunitária e diversificação da oferta.
A oportunidade ganha dimensão diante da meta de elevar a receita anual gerada por visitantes internacionais de US$ 6,6 bilhões para US$ 8,1 bilhões até 2027. Como o Brasil já alcançou US$ 7,86 bilhões em 2025, chegou perto do objetivo dois anos antes do prazo.
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