Mercado fitness cresce 51% no Brasil impulsionado pelas redes sociais
Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, 56% dos brasileiros praticavam exercícios regularmente em 2026, contra 37% em 2023
O mercado fitness brasileiro atravessa um período de expansão impulsionado por uma mudança de comportamento: praticar atividade física deixou de ser apenas uma preocupação estética e passou a integrar, para uma parcela maior da população, a rotina de saúde e bem-estar. Ao mesmo tempo, as redes sociais se consolidaram como uma das principais vitrines para produtos, serviços e tendências desse universo.
Um levantamento da Brain Inteligência Estratégica mostra que a parcela dos brasileiros que pratica exercícios regularmente saltou de 37% em 2023 para 56% em 2026. O avanço representa crescimento de 51% em três anos. A frequência também passou a se concentrar em uma rotina mais sustentável, de três a cinco vezes por semana, em vez da tentativa de treinar diariamente.

O movimento abre espaço para uma cadeia de negócios que vai muito além das academias. Alimentação proteica, suplementos, roupas esportivas, equipamentos, aplicativos, serviços de recuperação física e modalidades especializadas passaram a disputar o orçamento de um consumidor cada vez mais interessado em saúde e desempenho.
Mais brasileiros incorporam exercícios à rotina
Entre as modalidades, academia e musculação continuam em destaque. Segundo os dados da Brain, a participação dessas atividades entre as práticas escolhidas pelos brasileiros passou de 53% para 64% entre 2023 e 2026. Caminhada e corrida também estão entre as modalidades que mais avançaram no período.
O crescimento da demanda acompanha a expansão da própria infraestrutura. O Panorama Setorial Fitness Brasil aponta que o número de CNPJs de centros de atividades físicas passou de 22.581 em 2015 para 62.718 em 2025, praticamente triplicando em uma década. A projeção do setor é chegar a mais de 70 mil estabelecimentos até 2027.
O avanço também movimenta o mercado de trabalho. Dados do Observatório Setorial do Sebrae indicam 103.790 empresas ativas no segmento de academias e atividades físicas em dezembro de 2025 e 186.592 empregados no setor ao longo daquele ano, com crescimento de 12,7% no número de trabalhadores em relação a 2024.
Redes sociais ajudam a vender proteína
A influência digital aparece de forma ainda mais clara no mercado de alimentos. Pesquisa da Atlas/Intel mostra que 37,9% dos entrevistados afirmam sofrer influência das redes sociais quando decidem consumir um novo produto proteico. Do total, 14,2% dizem que a influência é total e 23,7%, parcial. O levantamento ouviu 1.501 pessoas entre março e abril de 2026.
O resultado ajuda a explicar a expansão de produtos que antes estavam concentrados no público das academias. Whey protein, barras, bebidas e alimentos com maior concentração de proteínas passaram a ocupar espaços em supermercados, lojas de conveniência e plataformas digitais.

Para as empresas, a mudança amplia a importância do conteúdo produzido por influenciadores e consumidores. Vídeos de treinos, receitas, avaliações de produtos e rotinas de alimentação funcionam como uma espécie de vitrine digital e podem aproximar marcas de públicos que não necessariamente frequentam uma academia.
Academias disputam espaço em um mercado maior
A expansão do número de estabelecimentos mostra que a concorrência também aumentou. O Panorama Setorial Fitness Brasil registra 62.718 academias e centros de atividades físicas com CNPJ ativo em 2025. O estudo aponta ainda que o setor está presente em 46% dos municípios brasileiros, com maior concentração no Sudeste.
Esse cenário favorece diferentes modelos de negócio. Academias tradicionais disputam clientes com redes de baixo custo, estúdios especializados, boxes e espaços dedicados a modalidades específicas. O próprio setor identifica uma tendência de crescimento tanto no segmento low cost quanto no premium, enquanto serviços como pilates e recuperação física aparecem como alternativas para diversificação de receita.
A experiência também ganhou importância na retenção dos alunos. Segundo dados reunidos no Panorama Setorial, 32% dos praticantes apontam a falta de tempo como principal barreira para treinar mais, enquanto 61% dos que abandonaram uma academia afirmam ter parado por não gostar do ambiente.
O crescimento do fitness ocorre mesmo em um país que ainda enfrenta desafios relacionados à atividade física. Dados do Ministério da Saúde mostram que 42,3% dos adultos das capitais brasileiras realizavam atividade física moderada no tempo livre em 2024. Ao mesmo tempo, o governo mantém políticas de incentivo à prevenção e à promoção da saúde diante do avanço de problemas como obesidade, hipertensão e diabetes.
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