Em meio à tensão com os EUA, Lula diz que ninguém vai “meter o bedelho” no Brasil
Lula diz que não aceitará interferência estrangeira durante discurso em Belo Horizonte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (29), em Belo Horizonte, que não permitirá interferência de governos estrangeiros no Brasil enquanto estiver à frente do Palácio do Planalto. A declaração ocorreu durante um ato político voltado ao eleitorado feminino, realizado na capital mineira.
Durante o discurso, Lula defendeu a soberania nacional e afirmou que pretende deixar o Brasil respeitado internacionalmente. O presidente não citou diretamente nenhum país ao fazer a declaração.
“Enquanto o Lula for presidente, nenhum governo estrangeiro meterá o bedelho nesse país”, afirmou o presidente durante o evento.
A declaração ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos meses, os dois governos enfrentaram divergências relacionadas às tarifas comerciais impostas pelos norte-americanos e às discussões sobre possíveis interferências na política brasileira.
Relação com os Estados Unidos está no centro das discussões
Apesar de não mencionar os Estados Unidos durante a fala, o contexto da declaração inclui as negociações entre os governos de Lula e Donald Trump.
Os dois presidentes conversaram por telefone em 21 de agosto. A ligação durou cerca de uma hora e 20 minutos. Na ocasião, Lula classificou como “infundadas” as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das tarifas.
Segundo o Palácio do Planalto, a conversa ocorreu em tom cordial e abriu espaço para a retomada das negociações comerciais entre os dois países.

A relação entre Brasil e Estados Unidos também passou a ocupar espaço no debate político brasileiro. A soberania nacional e a política externa aparecem entre os temas utilizados pelos partidos durante a preparação para as eleições.
Presidente participou de ato em Belo Horizonte
Lula participou de um evento voltado ao público feminino no Centro de Belo Horizonte. A agenda reuniu a primeira-dama Janja Lula da Silva, ministras, candidatas, autoridades do governo e representantes de movimentos sociais.
Antes do discurso do presidente, falaram as ministras Margareth Menezes, da Cultura, e Esther Dweck, da Gestão. A primeira-dama também participou do encontro.
Entre os assuntos abordados durante o evento estavam políticas públicas voltadas às mulheres, educação e medidas de combate ao feminicídio.

O encontro também teve caráter eleitoral. Lula aproveitou o palanque para defender medidas do governo e falar sobre propostas em discussão no Congresso Nacional.
Lula também fala sobre escala 6×1
Durante o discurso, o presidente afirmou que o Congresso Nacional deverá aprovar o fim da escala de trabalho 6×1 na próxima semana.
Lula relacionou a mudança na jornada à possibilidade de trabalhadores terem mais tempo para atividades pessoais e familiares.
“Nós vamos aprovar, essa semana, o fim da escala 6×1”, afirmou.
A proposta que prevê mudanças na jornada de trabalho está em discussão no Congresso. O tema ganhou espaço no debate político e trabalhista nos últimos meses.
No evento em Belo Horizonte, Lula também voltou a defender a ampliação do tempo livre para trabalhadores e trabalhadoras, mencionando atividades como cuidar dos filhos, passear e conviver com familiares.
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