sábado, 19 de setembro de 2026
NEGÓCIOS

Mercado de cuidadores cresce 74% em cinco anos

Brasil registrou 57,2 mil novos negócios de cuidadores em 2025; envelhecimento da população e possível regulamentação movimentam o setor

Otavio Augustopor em
Mercado de cuidadores cresce 74% em cinco anos

O envelhecimento da população brasileira está transformando o cuidado em uma frente de negócios com espaço crescente para profissionais e empreendedores. Entre 2020 e 2025, o número de micro e pequenas empresas voltadas ao apoio e à assistência domiciliar a idosos e pacientes aumentou 74%, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal. Somente em 2025, foram registrados 57,2 mil novos CNPJs nessa atividade.

A expansão ocorre ao mesmo tempo em que as famílias enfrentam uma mudança no perfil demográfico do país. O Censo 2022 mostrou que a população com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos, chegando a cerca de 22,2 milhões de pessoas, ou 10,9% da população. O grupo de 60 anos ou mais já somava 32,1 milhões no levantamento.

Regulamentação pode mudar regras da profissão

O mercado também acompanha uma discussão no Congresso que pode alterar os requisitos para atuação profissional. O Projeto de Lei 76/2020 foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado em março de 2026 e passou a tramitar na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O texto ainda precisa avançar no Senado e, posteriormente, ser analisado pela Câmara dos Deputados para que possa virar lei.

cuidador
Divulgação

A proposta estabelece idade mínima de 18 anos, ensino fundamental completo, qualificação profissional, condições de saúde física e mental e ausência de antecedentes criminais. Também prevê contratação como empregado, trabalhador doméstico ou MEI, além de jornada de até oito horas diárias e 44 semanais. Outra possibilidade é a escala de 12 horas de trabalho por 36 de descanso.

O texto estabelece ainda uma transição de pelo menos três anos para a exigência do curso de qualificação e dispensa dessa formação para profissionais que já tenham pelo menos dois anos de atuação quando a eventual regulamentação entrar em vigor. A proposta também diferencia a atividade de cuidador das atribuições exclusivas de outras profissões regulamentadas.

 

 

 

Negócio exige qualificação e estrutura

Para quem pretende empreender no segmento, o crescimento da demanda não elimina os desafios. O Sebrae aponta a qualificação contínua, personalização do atendimento, regularização e uso de tecnologia como pontos importantes para a estruturação dos negócios. Cursos de primeiros socorros, manejo de doenças crônicas e noções de gerontologia estão entre os conhecimentos que podem ampliar a preparação dos profissionais.

A tecnologia também começa a fazer parte da operação. Ferramentas digitais podem ser utilizadas para registrar atividades, produzir relatórios, acompanhar atendimentos e facilitar a comunicação com familiares. Na prática, o modelo de negócio deixa de se limitar à contratação de uma pessoa e passa a envolver seleção, treinamento, acompanhamento e gestão da assistência.

 

 

 

Esse movimento abre espaço para diferentes formatos de empreendimento, desde profissionais autônomos até empresas que fazem a intermediação entre famílias e cuidadores. Para o empreendedor, porém, a formalização envolve atenção a obrigações trabalhistas, licenças, alvarás, normas sanitárias e responsabilidades relacionadas ao serviço prestado.

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Economia do cuidado ganha escala

O avanço do setor também está ligado a uma mudança na organização das famílias. Com maior participação dos adultos no mercado de trabalho e aumento da longevidade, cresce a necessidade de dividir ou terceirizar parte das atividades de cuidado. Assim, uma tarefa historicamente concentrada no ambiente familiar passa a movimentar serviços, empregos e novos negócios.

A tendência não se restringe aos idosos. A proposta em discussão no Senado também contempla cuidadores de crianças e adolescentes, pessoas com deficiência e pessoas com doenças ou condições incapacitantes. O texto prevê ainda a figura do cuidador social para atividades realizadas em instituições de acolhimento.

O cenário coloca a chamada economia do cuidado no radar de pequenos empreendedores. O desafio, daqui para frente, será acompanhar o aumento da demanda sem perder de vista qualificação, segurança e regularização. Caso a regulamentação avance, o mercado poderá passar por uma nova etapa de organização justamente enquanto o envelhecimento da população amplia a necessidade por esses serviços.

 

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assistência domiciliar congresso nacional cuidadores de idosos cuidados domiciliares demanda por cuidadores

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