sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Economia

Argentina tem queda na economia e desemprego chega a 7,9%

Economia argentina encolhe 0,6% e informalidade chega a 45% sob Milei

Otavio Augustopor em
Argentina tem queda na economia e desemprego chega a 7,9%

A economia da Argentina encolheu 0,6% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano. No mesmo período, a taxa de desemprego subiu para 7,9%. Já a informalidade chegou a 45% entre os trabalhadores ocupados nos 31 principais aglomerados urbanos do país. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Apesar da retração trimestral, o Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 2% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado anual, entretanto, ocorreu junto a mudanças na composição da atividade econômica. As exportações avançaram, enquanto consumo e investimento apresentaram resultados mais fracos.

Consumo e investimentos recuam

Entre abril e junho, o consumo privado caiu 2,4% em relação ao primeiro trimestre. O consumo público também recuou, com baixa de 2,3%. Além disso, a formação bruta de capital fixo, indicador usado para acompanhar os investimentos, diminuiu 0,8%.

As importações de bens e serviços registraram queda de 3,5% na comparação trimestral.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o cenário foi diferente. As exportações de bens e serviços cresceram 13,7%. O consumo privado, por outro lado, avançou apenas 0,4%. Já o consumo público caiu 4,1%.

Argentina
Foto: Divulgação

O investimento apresentou uma das principais quedas na comparação anual. A formação bruta de capital fixo recuou 11,1%. As importações reais também diminuíram 8,6%.

Entre os setores, a indústria de transformação registrou queda de 2,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado. A administração pública recuou 1,4%. A construção teve alta de 0,2%.

Desemprego sobe e informalidade bate recorde

Os dados do mercado de trabalho também mostraram aumento do desemprego. A taxa chegou a 7,9% no segundo trimestre. O indicador ficou 0,1 ponto percentual acima do registrado nos três primeiros meses do ano e 0,3 ponto acima do segundo trimestre de 2025.

Nos 31 principais aglomerados urbanos pesquisados pelo Indec, 1,164 milhão de pessoas estavam desempregadas. O número representa aumento de 19 mil pessoas em relação ao primeiro trimestre e de 73 mil na comparação anual.

 

 

A pesquisa alcança uma população de aproximadamente 30,1 milhões de pessoas. A população argentina projetada pelo Indec para julho de 2026 é de 46,47 milhões de habitantes.

Ao mesmo tempo, a informalidade alcançou 45% dos trabalhadores ocupados. O indicador mede a proporção de pessoas ocupadas em atividades sem registro formal e integra as estatísticas de qualidade do emprego produzidas pelo instituto.

Segundo os dados apresentados na reportagem de origem, cerca de 6,1 milhões de pessoas estavam em ocupações informais no segundo trimestre. A taxa avançou 0,8 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e 1,8 ponto na comparação anual.

Foto: Divulgação

Emprego formal perde vagas

Os dados oficiais sobre trabalho registrado também apontam redução do emprego formal. A Secretaria de Trabalho da Argentina mantém séries mensais baseadas no Sistema Integrado Previsional Argentino (SIPA), que acompanham a evolução dos trabalhadores registrados no país.

Segundo os números citados na reportagem, entre junho de 2025 e junho de 2026 foram eliminados 121 mil postos de trabalho assalariado formal no setor privado. No setor público, a redução chegou a 30,5 mil vagas.

A indústria ficou entre os setores com maior redução. No período de 12 meses encerrado em junho, o segmento perdeu 51,8 mil postos formais, segundo os dados apresentados no levantamento.

 

 

 

O número de empresas também entrou no debate sobre o mercado de trabalho argentino. De acordo com levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) citado pela reportagem, 31.342 empresas encerraram as atividades entre o fim de 2023 e junho de 2026. No mesmo intervalo, o estudo contabilizou a eliminação de 434.126 postos de trabalho registrados em unidades produtivas.

Milei reage após divulgação dos dados

A divulgação dos indicadores também provocou reação do presidente Javier Milei. Em uma publicação na rede social X, ele atacou jornalistas que repercutiram os resultados econômicos e trabalhistas.

A manifestação ocorreu após veículos argentinos divulgarem os dados do Indec. O presidente não apresentou, na publicação citada pela reportagem, dados alternativos para contestar os indicadores oficiais.

A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) já havia registrado críticas aos ataques de Milei contra profissionais e empresas de comunicação. Segundo a entidade, entre 17 e 23 de agosto de 2026, a conta do presidente republicou 335 mensagens contra a imprensa. No mesmo período, publicou 26 mensagens próprias e fez 21 referências depreciativas ao jornalismo em intervenções públicas.

No campo das projeções econômicas, economistas consultados mensalmente pelo Banco Central da Argentina estimam crescimento médio de 2,1% para o PIB em 2026. A previsão considera uma expansão de 4,4% registrada em 2025. O governo argentino havia projetado inicialmente crescimento de 5% para este ano, mas reduziu a estimativa para 3% no projeto de Orçamento enviado ao Congresso.

Para 2027, a previsão oficial apresentada na reportagem é de crescimento de 4%. Já a consultoria LCG trabalha com estimativas de aproximadamente 2% para 2026 e 2,5% para 2027.

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