quinta-feira, 6 de agosto de 2026
levantamento

Brasileiros perderam R$ 62,5 bilhões com bets, aponta estudo

Levantamento do Comsefaz mostra que perdas equivalem a 0,68% da renda das famílias

Micael Mourapor Micael Moura em
bets
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com apostas esportivas entre outubro de 2024 e março de 2026, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). O valor corresponde ao saldo líquido das apostas, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido aos jogadores em forma de prêmios.

De acordo com o estudo, as perdas representam uma média de R$ 4,7 bilhões por mês e equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias.

Pix movimentou R$ 351 bilhões

Os dados, baseados em estatísticas de pagamentos do Banco Central, mostram que as plataformas de apostas movimentaram quase R$ 351 bilhões em transferências via Pix no período analisado.

Segundo o boletim, após a regulamentação das apostas esportivas, em janeiro de 2025, houve aumento nas transferências destinadas ao setor de artes, cultura, esporte e recreação, indicando maior comprometimento da renda das famílias com as apostas.

Especialista aponta falhas

A legislação determina que as plataformas restrinjam o acesso de usuários identificados com comportamento compulsivo. No entanto, segundo o advogado Júlio Leone, essa exigência nem sempre é cumprida.

“Quando é detectado que a pessoa tem ludopatia, o algoritmo deveria bloquear a conta. Mas, em muitos casos, faz o contrário: envia bônus, vouchers e incentivos para que ela continue apostando”, afirmou.

Bolsa Família

O levantamento também aponta que o volume de transações desacelerou após entrar em vigor a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, em outubro de 2025.

Na avaliação do Comsefaz, a redução indica que famílias de menor renda tinham participação relevante no mercado de apostas esportivas e que a medida contribuiu para diminuir o volume de recursos destinados às plataformas.

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