PF indicia 16 pessoas por acidente da Voepass que matou 62 pessoas
Acidente da Voepass: Polícia Federal indicia presidente e outros 15 envolvidos
A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass pelo acidente com o voo 2283, que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024. A tragédia provocou a morte de 62 pessoas. Entre os indiciados estão o presidente da companhia, José Luiz Felício Filho, e o ex-diretor de operações Eric Cônsoli.
Segundo a investigação, os envolvidos responderão, em sua maioria, pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. Um dos investigados também foi indiciado por falsidade ideológica. O relatório foi concluído após a análise técnica realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal.

O que levou ao acidente?
De acordo com o laudo pericial, a aeronave perdeu o controle durante o voo em razão do acúmulo de gelo nas asas. Além disso, os peritos apontaram a inoperância do sistema pneumático de degelo e a execução inadequada de cinco procedimentos operacionais pelos pilotos.
Ainda conforme a investigação, esses fatores comprometeram a segurança da operação e contribuíram diretamente para a queda do ATR 72-500.

Falhas se repetiram antes da tragédia
A Polícia Federal também identificou uma sequência de falhas operacionais anteriores ao acidente. Conforme o relatório, tripulações que operaram a aeronave anteriormente deixaram de registrar panes consideradas graves no diário técnico da aeronave. Segundo os investigadores, essa conduta evitava que o avião fosse retirado de operação para manutenção.
Além disso, o Despachante Operacional de Voo autorizou a decolagem mesmo diante da previsão de formação severa de gelo na rota e da existência de equipamentos obrigatórios sem funcionamento. A investigação aponta que essas decisões aumentaram os riscos durante a operação.

Companhia se manifesta após indiciamentos
Em nota, a Voepass afirmou que o acidente representa o episódio mais difícil da história da empresa. A companhia declarou que prestou solidariedade às famílias das vítimas desde o primeiro momento e informou que sua atuação sempre esteve baseada em padrões internacionais de segurança.
Além disso, a empresa afirmou que colaborou com as autoridades desde o início das investigações e continuará à disposição dos órgãos responsáveis para contribuir com o esclarecimento dos fatos.
Agora, o relatório da Polícia Federal será encaminhado ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre o eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
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