sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Ministro do Trabalho

Juros e avanço das lojas online pressionam empregos no comércio, diz governo

Comércio perde 7,9 mil empregos formais em 2026 em meio a juros altos e mudança no consumo

Otavio Augustopor em
Juros e avanço das lojas online pressionam empregos no comércio, diz governo

O comércio varejista fechou 2.056 vagas de trabalho com carteira assinada em julho de 2026. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o setor registra saldo negativo de 7.896 postos. Segundo o governo federal, os juros elevados e a expansão das vendas pela internet estão entre os fatores que ajudam a explicar o desempenho.

O ministro interino do Trabalho, Chico Macena, afirmou que o custo do crédito interfere diretamente nas decisões das empresas do setor. A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 14% ao ano.

De acordo com Macena, os juros reduzem a oferta de crédito e podem afetar tanto o consumo quanto os investimentos destinados à abertura de novas lojas e à contratação de trabalhadores.

“Os juros são um fator que tem afetado objetivamente os postos de trabalho no comércio, o que inibe o crédito, a compra propriamente dita e o impacto dos investimentos para ampliação de postos e de lojas”, afirmou o ministro.

Juro

Além disso, o governo relaciona parte das mudanças no mercado de trabalho do comércio ao crescimento das operações pela internet.

Juros elevados mudam o ritmo das contratações

O comércio depende do consumo das famílias e do acesso ao crédito. Dessa forma, taxas elevadas podem influenciar as decisões de compra e, consequentemente, as estratégias das empresas.

Segundo Macena, o cenário também interfere nos investimentos do setor. Com o crédito mais caro, empresas podem reduzir ou adiar projetos de expansão.

O ministro afirmou que o setor tem apresentado demandas relacionadas à geração de empregos e às mudanças na forma de atuação das empresas.

Ao mesmo tempo, o governo avalia que o resultado negativo registrado pelo comércio não representa, neste momento, uma crise estrutural.

“Acredito que seja um reposicionamento momentâneo que o varejo passa e não acredito que seja uma crise estrutural”, declarou Macena.

Lojas online avançam e pressionam modelo tradicional

Outro fator citado pelo governo é a expansão das vendas pela internet. A mudança altera a forma como empresas organizam operações, investimentos e contratação de trabalhadores.

Macena afirmou que o crescimento das lojas online leva empresas do comércio varejista a rever estratégias e direcionar parte das atividades para os canais digitais.

“Você tem uma situação no comércio varejista de mudança de atividade, direcionamento com crescimento das lojas online”, afirmou.

Nesse cenário, empresas podem adaptar estruturas físicas e modelos de atendimento para acompanhar a mudança no comportamento dos consumidores.

A combinação entre juros elevados e transformação das formas de venda ocorre enquanto o mercado de trabalho brasileiro mantém saldo positivo no conjunto dos setores.

Brasil mantém geração de empregos, apesar do resultado do comércio

Em julho, o Brasil criou 58.568 empregos formais. O número representa queda de 56% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram abertas 133.932 vagas.

O resultado também foi o menor para um mês de julho desde 2020. Naquele ano, o país havia registrado a criação de 108.514 postos formais.

O saldo ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava a abertura de aproximadamente 115 mil vagas.

 

 

Entre os setores analisados, os serviços lideraram a geração de empregos em julho, com 24.098 novos postos. A construção civil abriu 12.691 vagas. A agropecuária registrou 12.523. Já a indústria criou 11.315 empregos.

Com isso, o país manteve o sétimo mês consecutivo com mais contratações do que demissões. Em julho, foram 2,26 milhões de admissões contra 2,20 milhões de desligamentos.

O estoque de vínculos formais chegou a 48.082.866 no fim do mês.

No acumulado de janeiro a julho, o Brasil registra saldo positivo de 972.203 empregos com carteira assinada.

 

 

 

Maioria dos estados registra saldo positivo

A geração de empregos ficou positiva em 22 das 27 unidades da Federação em julho.

São Paulo liderou o resultado, com 17.814 novas vagas. Na sequência aparecem Mato Grosso, com 5.766 postos, e Minas Gerais, com 5.199.

Cinco unidades da Federação registraram saldo negativo. O Espírito Santo fechou 2.605 vagas. O Rio Grande do Sul perdeu 903 postos. Tocantins registrou redução de 366. Santa Catarina fechou 248. Já o Distrito Federal teve saldo negativo de 134 vagas.

Os dados também mostram diferenças de acordo com o nível de escolaridade dos trabalhadores.

Pessoas com ensino médio completo ocuparam a maior parte das novas vagas, com saldo positivo de 94.757 postos. O ensino superior completo registrou 41.520. O ensino fundamental completo teve saldo de 4.618.

Por outro lado, o ensino médio incompleto apresentou perda de 2.880 postos. Trabalhadores com mestrado tiveram saldo negativo de 1.163 vagas. Entre aqueles com doutorado, foram fechados 1.530 postos.

Os resultados mostram que, enquanto o comércio apresentou redução no número de empregos formais, outros setores mantiveram saldo positivo. O governo atribui parte do desempenho do varejo ao impacto dos juros sobre o crédito e às mudanças provocadas pelo crescimento das vendas online.

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