domingo, 11 de outubro de 2026
Ministro do Trabalho

Juros e avanço das lojas online pressionam empregos no comércio, diz governo

Comércio perde 7,9 mil empregos formais em 2026 em meio a juros altos e mudança no consumo

Otavio Augustopor em
Juros e avanço das lojas online pressionam empregos no comércio, diz governo

O comércio varejista fechou 2.056 vagas de trabalho com carteira assinada em julho de 2026. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o setor registra saldo negativo de 7.896 postos. Segundo o governo federal, os juros elevados e a expansão das vendas pela internet estão entre os fatores que ajudam a explicar o desempenho.

O ministro interino do Trabalho, Chico Macena, afirmou que o custo do crédito interfere diretamente nas decisões das empresas do setor. A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 14% ao ano.

De acordo com Macena, os juros reduzem a oferta de crédito e podem afetar tanto o consumo quanto os investimentos destinados à abertura de novas lojas e à contratação de trabalhadores.

“Os juros são um fator que tem afetado objetivamente os postos de trabalho no comércio, o que inibe o crédito, a compra propriamente dita e o impacto dos investimentos para ampliação de postos e de lojas”, afirmou o ministro.

Juro

Além disso, o governo relaciona parte das mudanças no mercado de trabalho do comércio ao crescimento das operações pela internet.

Juros elevados mudam o ritmo das contratações

O comércio depende do consumo das famílias e do acesso ao crédito. Dessa forma, taxas elevadas podem influenciar as decisões de compra e, consequentemente, as estratégias das empresas.

Segundo Macena, o cenário também interfere nos investimentos do setor. Com o crédito mais caro, empresas podem reduzir ou adiar projetos de expansão.

O ministro afirmou que o setor tem apresentado demandas relacionadas à geração de empregos e às mudanças na forma de atuação das empresas.

Ao mesmo tempo, o governo avalia que o resultado negativo registrado pelo comércio não representa, neste momento, uma crise estrutural.

“Acredito que seja um reposicionamento momentâneo que o varejo passa e não acredito que seja uma crise estrutural”, declarou Macena.

Lojas online avançam e pressionam modelo tradicional

Outro fator citado pelo governo é a expansão das vendas pela internet. A mudança altera a forma como empresas organizam operações, investimentos e contratação de trabalhadores.

Macena afirmou que o crescimento das lojas online leva empresas do comércio varejista a rever estratégias e direcionar parte das atividades para os canais digitais.

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“Você tem uma situação no comércio varejista de mudança de atividade, direcionamento com crescimento das lojas online”, afirmou.

Nesse cenário, empresas podem adaptar estruturas físicas e modelos de atendimento para acompanhar a mudança no comportamento dos consumidores.

A combinação entre juros elevados e transformação das formas de venda ocorre enquanto o mercado de trabalho brasileiro mantém saldo positivo no conjunto dos setores.

Brasil mantém geração de empregos, apesar do resultado do comércio

Em julho, o Brasil criou 58.568 empregos formais. O número representa queda de 56% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram abertas 133.932 vagas.

O resultado também foi o menor para um mês de julho desde 2020. Naquele ano, o país havia registrado a criação de 108.514 postos formais.

O saldo ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava a abertura de aproximadamente 115 mil vagas.

 

 

Entre os setores analisados, os serviços lideraram a geração de empregos em julho, com 24.098 novos postos. A construção civil abriu 12.691 vagas. A agropecuária registrou 12.523. Já a indústria criou 11.315 empregos.

Com isso, o país manteve o sétimo mês consecutivo com mais contratações do que demissões. Em julho, foram 2,26 milhões de admissões contra 2,20 milhões de desligamentos.

O estoque de vínculos formais chegou a 48.082.866 no fim do mês.

No acumulado de janeiro a julho, o Brasil registra saldo positivo de 972.203 empregos com carteira assinada.

 

 

 

Maioria dos estados registra saldo positivo

A geração de empregos ficou positiva em 22 das 27 unidades da Federação em julho.

São Paulo liderou o resultado, com 17.814 novas vagas. Na sequência aparecem Mato Grosso, com 5.766 postos, e Minas Gerais, com 5.199.

Cinco unidades da Federação registraram saldo negativo. O Espírito Santo fechou 2.605 vagas. O Rio Grande do Sul perdeu 903 postos. Tocantins registrou redução de 366. Santa Catarina fechou 248. Já o Distrito Federal teve saldo negativo de 134 vagas.

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Os dados também mostram diferenças de acordo com o nível de escolaridade dos trabalhadores.

Pessoas com ensino médio completo ocuparam a maior parte das novas vagas, com saldo positivo de 94.757 postos. O ensino superior completo registrou 41.520. O ensino fundamental completo teve saldo de 4.618.

Por outro lado, o ensino médio incompleto apresentou perda de 2.880 postos. Trabalhadores com mestrado tiveram saldo negativo de 1.163 vagas. Entre aqueles com doutorado, foram fechados 1.530 postos.

Os resultados mostram que, enquanto o comércio apresentou redução no número de empregos formais, outros setores mantiveram saldo positivo. O governo atribui parte do desempenho do varejo ao impacto dos juros sobre o crédito e às mudanças provocadas pelo crescimento das vendas online.

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