Jovens ampliam acesso ao crédito e enfrentam endividamento em Goiás
Mais de 27 milhões de brasileiros de 15 a 29 anos tiveram acesso ao crédito em 2024
Mais de 27 milhões de jovens brasileiros tiveram acesso ao crédito em 2024. O número representa um crescimento de 101% em relação a 2016, quando eram 13,7 milhões. Os dados fazem parte do Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, que também aponta os jovens de 15 a 29 anos como a faixa etária com os maiores índices de inadimplência entre os grupos analisados.
Um dos principais alertas está no uso do cartão de crédito. Dos 17 milhões de jovens que utilizaram essa modalidade em 2024, 13 milhões, o equivalente a 79%, também recorreram ao crédito rotativo ou ao parcelamento. O relatório aponta ainda que os jovens possuem a menor reserva de emergência entre as faixas etárias e são, proporcionalmente, os que mais investem em criptoativos, modalidade de maior risco.
Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, o endividamento entre os jovens é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles está a renda. Segundo Ongaratto, muitos estão no primeiro emprego ou no início da carreira e, por isso, ainda recebem salários mais baixos. Ao mesmo tempo, surgem despesas relacionadas à independência financeira, como aluguel, transporte e outros custos fixos.
A dificuldade para formar uma reserva financeira também contribui para aumentar a vulnerabilidade diante de imprevistos. Conforme explica o economista, como os jovens ganham menos e têm despesas fixas elevadas, sobra pouco espaço no orçamento para construir grandes reservas. Sem esse recurso, uma emergência pode levar à necessidade de recorrer ao crédito e aumentar o risco de inadimplência.
O cenário econômico também interfere nesse processo. Ongaratto afirma que fatores como inflação e juros elevados podem pressionar o orçamento e aumentar o custo do crédito. Um ambiente de negócios instável, segundo o economista, também representa maior risco, que acaba sendo refletido no custo dos empréstimos.
Outro ponto destacado pelo economista é a forma como os jovens utilizam o crédito. Para Ongaratto, um dos principais erros é assumir compromissos financeiros sem avaliar a própria capacidade de pagamento, consumir mais do que a renda permite e não se preparar para possíveis problemas financeiros no futuro.
Nesse contexto, a educação financeira aparece como uma ferramenta para preparar os jovens para essas decisões. Para Ongaratto, o tema deve ser trabalhado em todas as idades, principalmente durante a juventude. O conhecimento pode ajudar crianças e adolescentes a lidar com situações reais da vida, organizar as finanças e desenvolver o hábito de poupar.
Diante desse cenário, Goiânia recebe cerca de 3 mil estudantes da rede pública e privada, além de jovens aprendizes e estagiários de cooperativas, para participar do 5º Integração Juventude. A programação ocorre nos dias 27 e 28 de agosto, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, como parte do 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito, o Concred.
O encontro, promovido pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), reúne jovens de 14 a 24 anos em atividades voltadas à educação financeira, produtos financeiros, empreendedorismo, inteligência artificial e o futuro do mercado de trabalho.
Cuidar do próprio dinheiro
Para o presidente da Confebras, Luiz Lesse, ensinar os mais jovens a cuidar do próprio dinheiro, economizando e investindo de forma consciente, é importante para a construção de um país menos endividado. Segundo Lesse, o Integração Juventude também busca aproximar as novas gerações das cooperativas financeiras e apresentar o papel dessas instituições no desenvolvimento econômico e social das comunidades.
Entre os participantes estão estudantes da EcoCoop Mirim, cooperativa escolar formada por alunos da rede de ensino de Rio Verde. Apadrinhado pelo Sicoob Credi-Rural, o projeto transforma garrafas PET em filamento para impressoras 3D e aproxima os estudantes de temas como cooperação, inovação e empreendedorismo.
A programação também conta com um bate-papo com Gildário Dias Lima, doutor em Física e fundador de iniciativas voltadas ao desenvolvimento tecnológico e socioeducativo. Lima aborda os impactos das novas tecnologias no mercado de trabalho e a importância do letramento em inteligência artificial para as novas gerações.
Os estudantes ainda participam de uma palestra com Dante Amaral, ex-jogador da seleção brasileira de vôlei e medalhista olímpico, que fala sobre persistência e trabalho em equipe e como esses fatores podem fazer diferença na vida, nos negócios e nas carreiras.
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