segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Empresas

Faturamento do setor de serviços no Centro-Oeste fica acima da média nacional

Região responde por 8,9% das empresas analisadas, mas registra receita média de R$ 431,4 mil, enquanto Serviços concentram 63,1% dos negócios do País

João César Almeidapor em
Faturamento do setor de serviços no Centro-Oeste fica acima da média nacional
Levantamento da Serasa Experian mostra que setor, maturidade e histórico financeiro pesam mais no faturamento do que a localização das empresas - Foto: Marcelo Camargo/ABr

O setor de Serviços concentra a maior parcela das empresas brasileiras, mas apresenta faturamento médio inferior ao conjunto dos negócios analisados no País. Levantamento da Serasa Experian mostra que 63,1% das empresas pertencem ao segmento e faturam, em média, R$ 332,7 mil por ano, valor cerca de 17% abaixo da média geral da base pesquisada, de R$ 402,1 mil.

O estudo analisou 27,7 milhões de empresas ativas na Receita Federal, considerando negócios com faturamento estimado de até R$ 4,8 milhões anuais. O recorte reúne Microempreendedores Individuais (MEIs), microempresas e Empresas de Pequeno Porte (EPPs).

Os números mostram que a maior parte dos negócios está concentrada nas faixas mais baixas de receita. Ao todo, 63,4% das empresas faturam até R$ 300 mil por ano. Outros 12,1% ficam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, enquanto 13,6% registram receita entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. Apenas 10,9% aparecem na faixa mais elevada analisada, entre R$ 1 milhão e R$ 4,8 milhões anuais.

A diferença entre os setores reforça que a quantidade de empresas existentes em determinada atividade não está diretamente relacionada a um faturamento médio maior. O setor Financeiro, por exemplo, representa apenas 1,5% dos negócios analisados, mas lidera o levantamento com receita média de R$ 927,2 mil, quase três vezes os R$ 332,7 mil registrados em Serviços.

O setor Primário também aparece acima da média nacional, com faturamento de R$ 582,7 mil, seguido pelo Comércio, com R$ 567,3 mil. Já a Indústria registra média de R$ 389,4 mil, ligeiramente abaixo do conjunto das empresas pesquisadas. O Terceiro Setor apresenta o menor valor entre as atividades analisadas, com R$ 286,7 mil.

Para Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian, compreender essas diferenças é importante especialmente na concessão de crédito às empresas. “Estimar o faturamento real das empresas brasileiras ainda é um dos grandes desafios para quem concede crédito”, afirma.

Centro-Oeste se destaca em faturamento médio

No recorte regional, o Centro-Oeste responde por 8,9% das empresas analisadas, participação inferior à do Sudeste, com 51,4%, Sul, com 18,8%, e Nordeste, com 16,1%. Apesar de concentrar uma fatia menor do total de negócios, a região aparece entre as líderes em faturamento médio.

As empresas do Centro-Oeste registram receita média estimada de R$ 431,4 mil por ano, praticamente empatadas com o Norte, que lidera com R$ 432 mil. Na sequência aparecem Sul, com R$ 414 mil, Sudeste, com R$ 395,9 mil, e Nordeste, com R$ 377,1 mil.

O resultado coloca o Centro-Oeste acima da média nacional de R$ 402,1 mil e mostra que a quantidade de empresas em uma região não determina, isoladamente, o volume médio de faturamento. Segundo o levantamento, a localização geográfica exerce menos diferenciação sobre a receita do que características como setor e maturidade empresarial.

O tempo de atividade, inclusive, produz uma das maiores diferenças identificadas no estudo. Empresas com até seis meses de existência faturam, em média, R$ 116,9 mil. Entre negócios com mais de 20 anos, a média chega a R$ 858,5 mil, mais de sete vezes o valor registrado pelas empresas mais jovens.

A composição das faixas de receita acompanha essa tendência. Entre as empresas que faturam até R$ 60 mil, 37,7% têm no máximo seis meses de atividade. Já entre aquelas com receita entre R$ 1 milhão e R$ 4,8 milhões, somente 1,1% estão nessa fase inicial, enquanto 19,7% têm mais de duas décadas de atuação.

O faturamento também aparece associado ao score de crédito. Entre os negócios com receita de até R$ 60 mil, 86,5% têm score de até 500 pontos. Na faixa entre R$ 1 milhão e R$ 4,8 milhões, esse percentual cai para 51,8%. Já a participação de empresas com score acima de 700 sobe de 2,3% para 25,3% entre os dois extremos.

O levantamento indica, portanto, que o perfil empresarial do Centro-Oeste combina menor participação no número total de negócios com faturamento médio elevado. Ao mesmo tempo, os dados nacionais mostram que setor de atuação, maturidade e histórico financeiro continuam sendo fatores decisivos para compreender as diferenças entre empresas e para calibrar a oferta de crédito.

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