Deuses do Supremo brigam e ignoram perguntas dos mortais
De “aprendiz de feiticeiro” a “leviano”, a sessão foi marcada por ofensas entre ministros do STF e por uma Cármen Lúcia que preferiu o silêncio à pressão das câmeras
De “aprendiz de feiticeiro” a “leviano”, a sessão foi marcada por ofensas entre ministros do STF e por uma Cármen Lúcia que preferiu o silêncio à pressão das câmeras. Ainda assim, bolsonaristas e petistas ouvidos pela coluna avaliaram que o episódio não deve alterar os rumos da campanha presidencial. Dentro do petismo, o entendimento é que não há espaço para nenhum movimento de Lula capaz de produzir algum dividendo eleitoral. O risco de azedar a relação com a Corte, que até aqui garantiu o mínimo de governabilidade a ele diante de uma minoria no Congresso Nacional, não compensa.
Petistas ainda lembram da pesquisa Datafolha, divulgada no último sábado (12), que mostrou 85% dos eleitores sem mudança de voto, mesmo após a divulgação das mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Com um número desses, o presidente deve tratar o assunto como secundário e seguir com o foco em propostas para a economia. Do lado bolsonarista, a cautela é a mesma, ainda que por motivos diferentes. Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro (PL), pulou fora do julgamento na mesma velocidade com que o filho apareceu nas mensagens de Vorcaro. O caso complicou a narrativa bolsonarista de que a crise é do Moraes.
O enrosco é que, quanto mais o episódio se espalha dentro do próprio Supremo, mais difícil fica sustentar o confronto num único alvo, que, por ora, segue sozinho na mira. Os ministros brigaram como vizinhos em reunião de condomínio, com toda a formalidade da toga. Mesmo com a ampla cobertura televisiva, a eleição deve seguir o seu curso normalmente. Resta saber até quando, afinal, a turma liderada por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli continua ditando a narrativa de “salvadores da democracia”. Eles são os deuses do Olimpo que tudo podem e acreditam que são intocáveis.
Congresso quer freio ao STF
Diante da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), a proposta de Reforma do Judiciário, antes restrita à direita, chegou ao Centrão e até aos partidos de esquerda. Nos corredores do Congresso, já se fala em mandato de oito anos para futuros ministros e limitação para decisões monocráticas. Mas há quem queira ir além, como Eduardo Cunha (Republicanos-MG), que tem afirmado que, se eleito, trabalhará para instalar uma Assembleia Nacional Constituinte.
Lara se pronuncia
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Goiás (OAB-GO), Rafael Lara Martins, se posicionou nas redes sociais sobre a sessão do STF para discutir o escândalo do Banco Master. “O Brasil inteiro acompanhou um julgamento histórico e único em 135 anos do Supremo Tribunal Federal. Infelizmente, o que nós vimos foi um pedido de vista e a tentativa de postergar aquilo que o País está esperando.” Lara observa que era uma sessão para decidir se um ministro deve ou não ser investigado. “O que se espera do Supremo é que dê retorno imediato a esse julgamento e não jogue para debaixo do tapete.”
Desfalque no PSDB
As desistências de Flávia Teles e Henrique Arantes abriram um buraco na nominata do PSDB à Câmara dos Deputados, que corre risco de não atingir o quociente eleitoral. Sem os votos dos dois, Professor Alcides, tido como favorito à reeleição, pode ficar de fora por uma matemática que não depende só dele.
Modelo complexo
Eleição proporcional, seja para deputado ou vereador, é uma das mais complexas do sistema político brasileiro. O candidato não precisa só se preocupar com os próprios votos, mas também com os dos concorrentes. Eles não podem tirar muito mais votos, mas também não podem tirar muito menos. Em ambos os casos, ele pode ficar de fora. O voto distrital resolveria esse problema.
Zaiden e Valéria – Nesta quarta-feira (16), a candidata a vice de Marconi Perillo, Jacqueline Zaiden (PSDB), e a ex-primeira-dama Valéria Perillo vão emplacar mais uma edição da Carreata das Mulheres em Guapó, Aragoiânia e Pontalina.
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