Equatorial Goiás fecha primeiro trimestre de 2026 no vermelho
O aumento mais vigoroso de custos e despesas operacionais, num ritmo muito mais acelerado do que aquele registrado pelas receitas, e ainda a piora na conta financeira definiram a mudança de sinais no resultado líquido da Equatorial Goiás nos três primeiros meses deste ano. A distribuidora havia realizado um lucro de R$ 2,362 milhões nos primeiros três meses do ano passado, um resultado já bastante modesto considerando o tamanho da empresa, com patrimônio líquido de R$ 4,519 bilhões ao final de março de 2025, e passou a anotar um prejuízo de R$ 87,722 milhões em igual trimestre deste ano.
A mudança de sinais no trimestre correspondeu ainda a uma deterioração de R$ 90,084 milhões na linha final da demonstração de resultado da companhia. Para recordar, a Equatorial Goiás havia deixado para traz um resultado líquido positivo de R$ 356,892 milhões em 2024 para fechar o exercício seguinte com perdas na faixa de R$ 352,952 milhões – uma piora equivalente a R$ 709,844 milhões, algo como um sexto dos recursos à disposição dos acionistas para investimentos, melhorias e expansão do seu negócio.
A receita operacional líquida da distribuidora apontou variação nominal de 6,11% entre o primeiro trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano, superando a inflação acumulada em 12 meses, mas inferior ao incremento de 12,92% anotado pelos custos de construção, da energia comprada para revenda e da operação. Impulsionadas pelo reajuste médio de 18,55% sobre as tarifas de energia, autorizado em 21 de outubro do ano passado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as receitas avançaram de R$ 2,729 bilhões para R$ 2,896 bilhões.
Investimentos
Diante da necessidade de investimentos crescentes para melhoria na qualidade do serviço prestado ao lado real da economia goiana, os custos de construção saltaram 31,33% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, subindo de R$ 485,538 milhões para R$ 637,650 milhões, correspondendo aos valores investidos pela companhia em cada um dos trimestres analisados. A energia comprada para revenda exigiu desembolsos de R$ 1,278 bilhão entre janeiro e março deste ano, variando 5,04% frente a R$ 1,217 bilhão no trimestre inicial do ano passado. O custo da operação, por sua vez, apresentou elevação de 15,48% no mesmo intervalo, saindo de R$ 253,304 milhões para R$ 292,525 milhões.
Balanço
Ao longo do ano passado, a companhia havia ampliado seus investimentos de R$ 2,124 bilhões em 2024 para R$ 2,617 bilhões, num incremento de 23,20%. Comparado a 2023, no primeiro exercício completo desde a venda da distribuidora para o grupo Equatorial, concretizada em setembro do ano anterior, houve um aumento de 37,8% no investimento total, em valores nominais.
Se o custo da operação aumentou, as despesas operacionais seguiram trajetória inversa, baixando 15,30% na saída do primeiro trimestre do ano passado, quando haviam somado R$ 364,907 milhões, para igual trimestre deste ano, reduzidas para R$ 309,070 milhões. Houve um corte naquela área, portanto, de R$ 55,837 milhões.
O enxugamento realizado naquela área, no entanto, foi engolido literalmente pelas perdas maiores na conta financeira, que teve seu prejuízo elevado de R$ 430,583 milhões para R$ 531,369 milhões, sempre na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e igual período deste ano, num crescimento de 23,41%. Ou seja, algo como R$ 100,786 milhões a mais, o que virtualmente anulou os esforços realizados na área de gastos operacionais.
O resultado financeiro líquido foi influenciado pela alta de 82,46% nas despesas financeiras, que saltaram de R$ 611,780 milhões para R$ 1,116 bilhão, diante de custos de capital mais elevados. As receitas financeiras de fato observaram uma disparada, mais do que triplicando. Mas a valores ainda modestos quando relacionados aos gastos financeiros.
A empresa alcançou receitas de R$ 584,912 milhões com aplicações no mercado financeiro e outros investimentos na mesma área apenas no primeiro trimestre deste ano, o que se compara com R$ 181,197 milhões entre janeiro e março do ano passado. Nessa comparação, as receitas trouxeram um ganho adicional de R$ 403,715 milhões, mas as despesas exigiram um desembolso extra de R$ 504,501 milhões.
O resultado antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) mostrou um desempenho ainda mais negativo, sob influência principalmente do resultado financeiro no primeiro trimestre deste ano. A empresa havia registrado prejuízo de R$ 22,878 milhões nos três meses iniciais do ano passado, perda multiplicada em mais de seis vezes no primeiro trimestre deste ano, para R$ 153,856 milhões – uma escalada de 572,51%.
O reflexo sobre o resultado líquido, expresso na última linha da conta de resultados, foi menos intenso por conta da recuperação de impostos incidentes sobre o lucro líquido, que permitiram à empresa abater dessa conta algo como R$ 66,134 milhões nos primeiros três meses deste ano, diante de R$ 25,240 milhões em igual intervalo do ano passado.
Os indicadores da qualidade do serviço, por conta dos investimentos já realizados e ainda em curso, experimentaram melhoria. A duração e a frequência das interrupções no fornecimento de energia caíram no primeiro trimestre, com este último indicador posicionando-se abaixo do limite regulatório. A duração das interrupções baixou de 14,9 horas para 11,4 horas, numa redução de 23,5%, acima do teto regulatório, fixado em 11,0 horas pela Aneel.
O número de interrupções foi reduzido em um quarto, saindo de 71 para 5,3 vezes, inferior ao limite de 7,1 vezes estabelecido pelo órgão regulador. As perdas de energia no sistema, da mesma forma, foram reduzidas de 10,8% para 10,0%. Neste caso, os percentuais já vinham abaixo do teto regulado para o Estado, na faixa de 12,8%.