quinta-feira, 16 de abril de 2026

Estratégia de Gayer para ‘matar’ candidatura de Wilder não avança

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 13 de abril de 2026
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Ilustração: Takeshi Gondo

O evento “Acorda Goiás”, espécie de ‘puxadinho’ do “Acorda Brasil”, promovido neste sábado (11) pelo deputado federal goiano Gustavo Gayer, ficou aquém do esperado. As estrelas anunciadas, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis, ambas do PL do Distrito Federal, não compareceram. O público presente também não correspondeu ao chamado. Outro ponto que chamou atenção foi que, embora anunciado como “suprapartidário”, a maioria dos destaques presentes era formada por defensores da pré-candidatura de Daniel Vilela (MDB).

Sinal de que os bolsonaristas não aprovam a campanha paralela de Gayer contra o pré-candidato do PL ao governo de Goiás, Wilder Morais. Acorda Goiás contra ou a favor de quê? Contra Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou apenas para chamar atenção em favor de Gayer? O público que compareceu ao evento saiu sem entender exatamente o que o ato defendia. Uma ideia só se torna multiplicadora quando há objetivos definidos; caso contrário, é apenas uma proposta sem causa e efeito. Se continuar nessa toada, o deputado corre o risco de ficar em terceiro lugar na corrida ao Senado.

Ao insistir nessa cruzada quixotesca e solitária, Gayer aprofunda o distanciamento entre eleitores bolsonaristas e a centro-direita. Basta observar o comportamento dos pré-candidatos ao Senado da base de Daniel Vilela: Gracinha Caiado (União Brasil), Vanderlan Cardoso (PSD), Zacharias Calil (MDB) e Alexandre Baldy (União Progressista). Todos adotam discursos moderados e defendem o pré-candidato ao governo, Daniel Vilela, e, para a Presidência, Ronaldo Caiado. Enquanto isso, Gayer trabalha para se eleger e deixa o partido em segundo plano. No entanto, pelo público que compareceu apenas para “ver” os convidados anunciados, o Senado parece cada vez mais distante.

Força política perde tração

O resultado do encontro “Acorda Goiás”, em Goiânia, coordenado por Gustavo Gayer, reuniu um público estimado em mil pessoas e expôs mais fissuras do que força política. Em uma eleição extremamente polarizada, que exige unidade, o que se viu foi o oposto. Nas redes sociais, alguns participantes criticaram a ausência dos pré-candidatos ao governo, Wilder Morais, e da vice, Ana Paula Rezende.

“Evento histórico”

Na avaliação do prefeito de Luziânia, no Entorno do DF, Diego Sorgatto (União Brasil), o primeiro encontro “Pra Frente Goiás”, que reúne lideranças da região, “foi histórico e transformou nossa cidade em um palco político com mais de oito mil pessoas”. Depois de Luziânia, o próximo evento será em Rio Verde, liderado pelo prefeito emedebista Wellington Carrijo. Sorgatto afirmou à coluna que o encontro contou com mais de 40 prefeitos e diversos pré-candidatos ao Legislativo estadual e ao Congresso.

Entorno unido

“Para nós, de Luziânia e do Entorno, é uma grande alegria ter o reconhecimento político de dois pré-candidatos da nossa base eleitoral, como o ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência da República e Daniel Vilela ao Governo de Goiás. Esse encontro em Luziânia mostra a força do Entorno e a união de suas lideranças”, pontua Sorgatto.

Encrenca à vista

A primeira-dama de Anápolis, Carla Lima, tomou gosto pela política e articula ocupar a primeira suplência na chapa de Gustavo Gayer (PL). Esse arranjo pode gerar mais uma dor de cabeça dentro do partido, já que o empresário Leonardo Rizzo, que trocou o Novo pelo PL para ocupar a vaga, agora vê o espaço ameaçado. Márcio Corrêa é um dos prefeitos do PL que Gayer tenta levar para apoiar Daniel Vilela.

É, pode ser

Caiado (PSD) pode cumprir, para Flávio Bolsonaro (PL), um papel semelhante ao de Simone Tebet (na época MDB) para Lula (PT) em 2022. A leitura é de que eventuais atritos não impediriam Caiado de apoiar o candidato do PL no segundo turno. Em 2022, Tebet criticou Lula e, ao final, aderiu ao petista, o que lhe garantiu um ministério.

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