terça-feira, 5 de maio de 2026

Estratégia é enrolar até próximo presidente indicar o 11º do STF

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 1 de maio de 2026
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O Supremo Tribunal Federal está como a seleção de futebol, difícil juntar 11. E pelo mesmo motivo: a safra de craques sofre com a seca, as pragas… Vai continuar faltando peça, como está desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. Lula saiu-se com Jorge Messias, que foi saído pelos senadores. E agora? A tática admitida por centro e direita é esperar a eleição. Se Lula vencer, indica outro ainda neste ano; se perder, a vaga será preenchida por seu sucessor. São vários os motivos e um deles vai além da política: faltam à área do Direito opções indiscutíveis.

É rastejante a altura do sarrafo na porta dos Tribunais Superiores. O único irrepreensível do ponto de vista técnico, Lenio Streck, tem todas as qualidades, mas algo que os inimigos do PT consideram defeito: é progressista, não chega a ser esquerdista fanático no modelo do comunista Flávio Dino ou um lulista visceral tipo Dias Toffoli quando foi indicado e Cristiano Zanin, mas o bolsonarismo o vetaria. Uma pena: Streck é digno do que a Constituição exige como “notável saber jurídico”. Dos atuais, apenas Gilmar Mendes satisfaz esse critério. A dificuldade do STF se repete nas demais sopas de letrinhas: STJ, STM, TST, CNJ, CNMP. Sobra apadrinhamento político, faltam capacidade, pesquisa, talento. Melhor mesmo seria o STF para virar uma Corte constitucional, independente, sábia, mas aí já é pedir demais. Que as próximas gerações estudem, se dediquem e evitem o envolvimento com a maior erva daninha do serviço público, os políticos oportunistas. (Especial para O HOJE)

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