Beth Carvalho faria 80 anos e legado da Madrinha do Samba soma mais de mil gravações
Intérprete morreu em abril de 2019 e segue entre as mais tocadas do país; Ecad registra 1.045 gravações
Beth Carvalho completaria 80 anos nesta terça-feira (5). A cantora, que morreu em abril de 2019, construiu uma carreira de cinco décadas como uma das principais intérpretes do samba brasileiro e deixou um acervo de 1.045 gravações registradas no Ecad, o escritório responsável pela arrecadação de direitos autorais no país.
Nascida no Rio de Janeiro, Elizabeth Santos Leal de Carvalho teve o primeiro contato com a música ainda na infância. Em 1966, participou do show “A Hora e a Vez do Samba”, ao lado de Nelson Sargento e Noca da Portela. A partir daí, tornou-se presença constante nas rodas de samba do Cacique de Ramos, no subúrbio carioca, onde passou a circular com compositores que ainda não tinham espaço na mídia.
Foi ela quem levou Nelson Cavaquinho ao estúdio para gravar “Folhas Secas” e, três anos depois, fez o mesmo com Cartola, lançando “As Rosas Não Falam”. Revelou também o grupo Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Arlindo Cruz e Jorge Aragão, entre outros. O papel de ponte entre a tradição e uma nova geração de compositores rendeu o título pelo qual ficou conhecida: Madrinha do Samba.
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A carreira teve projeção internacional. Beth cantou na Grécia, num teatro de arena com mais de dois milênios, e viu “Coisinha do Pai” ser usada pela Nasa em 1997 para despertar o robô enviado a Marte.
O Ecad divulgou, para marcar a data, um ranking das músicas mais executadas nos últimos cinco anos com sua participação. “Coisinha do Pai” lidera, seguida por “Andança” e “Vou Festejar”. “As Rosas Não Falam”, de Cartola, aparece em nono. Pelos herdeiros, os direitos autorais seguem protegidos por 70 anos, conforme a Lei 9.610/98.
Beth Carvalho morreu em 30 de abril de 2019, aos 73 anos, na véspera de voltar aos palcos.