Exonerar cargos comissionados não significa “demissão política”
A história se repete de quatro em quatro anos, seja no Legislativo ou no Executivo. Tanto faz se o eleito é para gerir os interesses do município ou, no caso de eleições gerais, o Governo do Estado ou a Presidência da República. Cargos de livre nomeação, conhecidos como comissionados, tendem a serem remanejados ou demitidos. São as regras, afinal, o gestor eleito, ou “da hora”, precisa mostrar serviço e justificar o voto do eleitor. Não importa se for o vice que assumiu a função, o novo mandatário precisa imprimir sua marca e personalidade executiva, mesmo que os cargos sejam por tempo indeterminado. Desse modo, historicamente, demitir comissionado não quer dizer “perseguição política”, isto porque o contratado sabe que tem um prazo de validade na função.
Especificamente sobre a ascensão de Daniel Vilela (MDB) ao governo, as mudanças serão pontuais. Um chefe de gabinete ou uma secretária que sabe até a hora do novo mandatário da pasta tomar remédio. Fora isso, haverá poucas mudanças de acordo com o apurado pela coluna. “Somos um governo de continuidade e a maioria dos auxiliares eu conheço e sei da competência, portanto, as mudanças serão pontuais”, tem recomendado o governador Daniel Vilela aos auxiliares.
Na avaliação de pessoas que conhecem o estilo contido do governador, o máximo que ele vai ampliar é sua assessoria próxima. Mais do que compreensível, afinal ele tem dupla função: dar continuidade à gestão e, no tempo possível fora do expediente administrativo, conversar sobre sua campanha eleitoral. Esse desafio não é uma tarefa fácil por se tratar de uma eleição com dois adversários: Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL). Ambos vão aproveitar qualquer deslize na gestão de Daniel para transformar o erro em fato político.
PL fecha nominata competitiva
Até o fechamento desta edição, o PL, comandado pelo pré-candidato a governador de Goiás, Wilder Morais, havia fechado a escolha dos candidatos a deputados estaduais e federais. De acordo com fontes do partido, houve uma grande filiação de nomes competitivos, mas a escolha para concorrer aos cargos eletivos teve como critério fidelidade absoluta aos ideários da legenda. A orientação no PL é para evitar eleger pessoas que não têm compromisso com o País. “Na eleição passada, muitos foram eleitos na onda bolsonarista, mas logo pularam fora”, conta um assessor de Wilder.
Bom de recursos
A maior atração para os candidatos do PL é o tamanho do fundo partidário, tempo de rádio e TV. Por conta desse atrativo, a direção nacional orienta os diretórios regionais para ser mais rigoroso na escolha dos candidatos. “Mesmo com um critério mais rígido, o número de pré-candidatos superou nossas expectativas”, diz um assessor de Wilder.
Daniel à frente
Com uma base ampla, que reúne MDB, PSD, União-Progressistas, Republicanos, PRD-Solidariedade, Podemos, Avante e PDT, coube ao governador Daniel Vilela (MDB) não apenas organizar o próprio partido nas últimas horas, mas ajudar aliados a montar nominatas competitivas para deputado estadual e federal.
Sem descanso
Nesta Sexta-Feira da Paixão (3), não houve descanso para Daniel e nem para os deputados, pois a montagem das chapas exige equilíbrio entre disputas locais, distribuição regional e matemática. Não se trata apenas de preencher vagas, mas de evitar erros que podem custar mandatos. Um simples exemplo ajuda a dimensionar o problema. Um candidato de uma região com menor eleitorado, como o Nordeste goiano, ao dividir chapa com nomes fortes do Sudoeste, onde estão municípios grandes como Rio Verde, Jataí e Mineiros, corre o risco de ser engolido na contagem final.
Arranjo local
Outro desafio de Daniel foi acomodar disputas locais de aliados. Em Valparaíso de Goiás, Dra. Zeli (União Brasil) e Pábio Mossoró (MDB) caminham para disputar a mesma base. Situação semelhante ocorre em Catalão, onde Jamil Calife (PP) e Adib Elias (MDB) agora se enfrentam. No fim, escolher o partido errado na janela pode transformar uma vitória certa em uma derrota. O quociente eleitoral não perdoa.
Ibaneis resiste – Por mais encalacrado que esteja no caso Banco Master-BRB, o ex-governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), segue determinado a disputar uma vaga no Senado. Pessoas próximas a ele dizem acreditar que, no final, ele vai “dar a volta por cima”. A conferir.