Exportação sustenta nível histórico e superávit comercial amplia queda

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 09 de setembro de 2021
Colheita de milho, colheita de grãos

As exportações realizadas a partir de Goiás entre janeiro e agosto deste ano mantiveram níveis historicamente elevados, superando todos os resultados acumulados em igual período do ano na série estatística do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Esse comportamento vigoroso das vendas externas, concentrado em três grupos de produtos (complexo soja, ouro e carne bovina congelada), não foi suficiente para que a balança comercial (exportações menos importações) do Estado sustentasse resultados proporcionais, já que as importações avançaram mais fortemente.

Os dados do ministério mostram que as venda externas experimentaram alta de 13,47% entre os oito primeiros meses deste ano e igual período de 2020, saindo de US$ 5,786 bilhões para US$ 6,566 bilhões, sob estímulo mais evidente da demanda asiática, destacadamente no caso da China. As compras externas, no entanto, saltaram 50,86% naquela mesma comparação, fazendo as importações subirem de US$ 2,147 bilhões para US$ 3,239 bilhões. A diferença entre vendas e compras externas, o superávit comercial do Estado, baixou de US$ 3,639 bilhões para US$ 3,327 bilhões, num recuo de 8,59%. A redução vem sendo ampliada mês a mês, lembrando que, no primeiro semestre, o saldo comercial havia acumulado baixa de 6,69% em relação à primeira metade do ano passado. Efetivamente, no bimestre julho e agosto, o superávit desabou 13,0%, de US$ 1,080 bilhão para algo em torno de US$ 939,0 milhões.

Energia lidera

A conta das importações tem sido engordada principalmente pelas compras de energia elétrica, que somaram mais US$ 39,951 milhões em agosto e já acumulam um valor de US$ 572,833 milhões em oito meses diante de apenas US$ 12,035 milhões em igual intervalo de 2020 – gasto multiplicado em 46,6 vezes nessa comparação. As operações de importação de energia passaram a responder por 17,68% de tudo o que o Estado comprou lá fora entre janeiro e agosto deste ano. Sua contribuição para o aumento das importações, no entanto, foi bem mais relevante, atingindo 51,35%. Quer dizer, mais da metade do aumento observado deveu-se exclusivamente àquele único item da pauta. Mas os demais produtos importados anotaram variação importante, superando a variação anotada pelo total das exportações.

Balanço

  • Excluída a energia elétrica, as compras externas de todos os demais produtos atingiram US$ 2,666 bilhões, crescendo 24,89% diante dos valores acumulados ao longo dos primeiros oito meses do ano passado, quando haviam somado pouco menos de US$ 2,135 bilhões.
  • A pauta das importações coloca o grupo de adubos e fertilizantes como o terceiro em valor, acumulando US$ 551,666 milhões entre janeiro e agosto deste ano e crescendo 52,07% frente aos mesmos oito meses de 2020. Naquele período, misturadoras e fabricantes haviam importado US$ 362,768 milhões.
  • Primeiro item da pauta de compras externas, os produtos farmacêuticos têm anotado quedas neste ano, refletindo problemas nas cadeias globais de suprimento e os números mais negativos registrados pela indústria do setor no Estado ao longo dos primeiros meses deste ano. Entre janeiro e agosto do ano passado, as importações nesta área haviam somado US$ 801,324 milhões, respondendo por 37,32% de todas as compras realizadas pelas empresas goianas no exterior. A participação foi reduzida para 24,03% neste ano com o recuo de 2,87% no valor das importações do setor, que baixaram para US$ 779,299 milhões.
  • A retomada das montadoras de veículos, que viram sua produção desabar fortemente no ano passado, tem estimulado o aumento das importações, mas numa comparação com considera uma base ainda muito achatada. De qualquer forma, o setor importou US$ 287,963 milhões entre janeiro e agosto deste ano, incluindo as compras de automóveis, tratores, outros veículos, peças, partes e acessórios. Em relação aos US$ 187,876 milhões importados nos mesmos oito meses do ano passado, registrou-se um salto de 53,27%.
  • As importações de plásticos e suas obras subiram praticamente 59,1%, com os valores avançando de US$ 35,924 milhões para US$ 57,154 milhões. Destacaram-se ainda as compras externas de caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, com alta de 47,8%, para US$ 258,911 milhões; de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que subiram 55,1% (para US$ 83,504 milhões); de instrumentos e aparelhos de ótica e aparelhos e instrumentos médico-cirúrgicos, em alta de 57,04% (para US$ 100,131 milhões).
  • No lado das exportações, as vendas do complexo soja (grão, farelo e óleo) passaram a responder por 52,83% das vendas externas totais, com alta de praticamente 17,0% em relação aos oito meses iniciais de 2020. O setor exportou US$ 3,469 bilhões neste ano, frente a US$ 2,965 bilhões entre janeiro e agosto do ano passado, ou seja, US$ 503,541 milhões a mais. Isso representou 64,59% do aumento acumulado pelo total das exportações. A soja em grão, que respondeu por 41,86% das vendas externas totais do Estado (41,47% em 2020), experimentou crescimento de 14,54% no acumulado de janeiro a agosto deste ano diante de igual período em 2020, saindo de US$ 2,399 bilhões para US$ 2,748 bilhões.
  • As exportações de farelo de soja, por sua vez, aumentaram de US$ 481,668 milhões para US$ 562,758 milhões, subindo 16,84%. Os embarques de óleo de soja dispararam neste ano, acumulando variação de 87,4% diante dos mesmos oito meses de 2020, saltando de US$ 84,063 milhões para US$ 157,533 milhões. As vendas de carnes congeladas de bovinos e de ouro cresceram, pela ordem, 24,46% (para US$ 826,182 milhões, segundo item da pauta) e 43,4% (atingindo US$ 275,987 milhões).
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