Fim de jornada 6×1 é bala de prata de Lula que vai virar tiro no pé
O que o empregado deseja não é trabalhar menos, é ganhar mais. O ainda presidente deveria, em vez de jogar nas costas dos empresários sua vontade de reeleição, era desonerar a folha
O mundo perfeito existe: dinheiro entrando, trabalhar muito pouco ou quase nada, desenrolar as dívidas, vale isso, bolsa aquilo, todo dia, o dia todo. Tudo maravilhoso, desde que alguém pague. Esta terra dos sonhos existe, você mora nela e você paga a conta. É tanta ode à preguiça que os próprios beneficiados, enfim, começam a desconfiar. Lula (PT) não repetiu o desempenho nas cidades com mais inscritos nos programas sociais, mesmo com os feitos às vésperas das eleições. O que seria bala de prata na testa dos adversários se tornou tiro no pé do populista. Agora, para o 2° turno, se agarra à mudança na jornada de trabalho, que o projeto de Erika Hilton (PSOL-SP) quer fixar em no máximo 4 dias por semana, mesmo que o trabalhador não queira. A boa notícia é que o algoz da esquerda, Flávio Bolsonaro (PL), permanece avesso à demagogia mesmo com a proximidade das votações.
Se fosse antes do 1° turno, os parlamentares se sentiriam forçados à aprovação. Agora, que já foram reeleitos ou não, a pressão é bem menor. Diminuir as horas de trabalho não estava na pauta nem dos sindicatos. O que o governo tenta é um golpe contra a iniciativa privada. A conta é simples: alguém que ganha três salários mínimos custa seis para o patrão e recebe dois. E os outros quatro? Ficam para o governo bancar a demagogia, inclusive, com a Previdência. O que o empregado deseja não é trabalhar menos, é ganhar mais. O ainda presidente deveria, em vez de jogar nas costas dos empresários sua vontade de reeleição, era desonerar a folha.
Outra boa notícia: Flávio topa discutir jornada, mas não agora. E sem ele, Lula não tem condições políticas de aprovar nem picanha de graça. (Especial para O HOJE)
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