quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Flávio asilado nos EUA pode complicar a vida de Moraes

Wilson Silvestrepor em
Flávio asilado nos EUA pode complicar a vida de Moraes
O problema é que a decisão de Moraes não fica apenas dentro das fronteiras brasileiras, onde Lula supostamente teria mais condições de administrar a crise - Ilustração: Takeshi Gondo

Passadas mais de 48 horas do resultado, o governo americano ainda não reconheceu oficialmente Lula como presidente eleito

 

Se existe algo que o presidente Luiz Inácio Lula (da Silva, PT) não precisava neste momento era do agravamento da polarização política, porém foi isso o que o ministro do Supremo Tribunal Federal, (STF) Alexandre de Moraes, entregou a ele ao determinar a retenção do passaporte de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O bolsonarista fugiu para os EUA, onde recebeu asilo político. Esse gesto do presidente Donald Trump tensiona ainda mais o ambiente político em um momento que Lula precisa, antes de qualquer coisa, pacificar o País e construir pontes para garantir o mínimo de governabilidade.

Isto diante de um Congresso Nacional que saiu das urnas mais à direita e que agora trabalha não só para transformar o Legislativo em um bunker, mas também para dar munição aos pedidos de impeachment contra Moraes e, quem sabe, contra o próprio Lula. O problema é que a decisão de Moraes não fica apenas dentro das fronteiras brasileiras, onde Lula supostamente teria mais condições de administrar a crise, pois também reforça a sensação dentro da Casa Branca de que existe uma perseguição ao bolsonarismo conduzida por Moraes.

Não à toa, passadas mais de 48 horas do resultado, o governo americano ainda não reconheceu oficialmente Lula como presidente eleito. Sem esse reconhecimento formal da maior potência econômica, a crise se espalha para o mercado financeiro. Caso continue essa sangria da fuga de investidores do País, isso pode resultar em mais inflação e obrigar o Banco Central a subir os juros, justamente o remédio que mais sufoca o crescimento que Lula precisa. Esse crescimento será sua sobrevivência politica até 2030, pois se a conta chegar ao bolso do brasileiro, o seu destino pode ser o mesmo de Dilma Rousseff (PT).

Delúbio: “Logo tudo volta ao normal”
O ex-candidato a deputado federal por Goiás, Delúbio Soares (PT), conversou, nesta terça-feira (27), com o podcast Momento Político, um dos programas de streaming do Grupo O HOJE. Para Delúbio, “essa onda alarmista sobre queda na bolsa, alta do dólar e notícias alarmistas sobre o déficit público, logo tudo volta ao normal, assim que o presidente Lula anunciar sua equipe econômica”. A íntegra da entrevista você confere no YouTube e as principais respostas no jornal impresso de O HOJE nesta quinta-feira (29).

Petista, não!
Puxado por Índia Armelau (PL-RJ), o movimento “Petista? Demita!” ganhou eco entre empresários e pode também se tornar o princípio de uma crise econômica. Até o momento, o Ministério Público do Trabalho já recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral.

Racha na direita
A decisão da União Progressista de declarar apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à Presidência do Senado rachou a bancada, que também tem Tereza Cristina (PP-MS) como candidata ao cargo, com o apoio de Guilherme Derrite (PP-SP) e Dr. Hiran (PP-RR).

Enfrentamento
Para impedir a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à Presidência do Senado, a oposição espera reunir PL, PP, Republicanos, Novo e PSDB em torno de um único nome, pois juntos somam 46 votos, 5 a mais do que o necessário para eleger o novo presidente da Casa.

Prefeitos em alerta
A coluna conversou com dois experientes prefeitos goianos sobre o cenário econômico e político a partir de 2027. Os dois, que perambulavam pela Alego, disseram que estão em estado de alerta e avaliam que faltará recursos para investimentos, isto em um ano pré-eleitoral.

Comércio apreensivo – O sucesso da tradicional queima de estoques promovido pela campanha ‘Black Friday’, em Goiás, preocupa comerciantes. As notícias sobre a situação econômica do País tendem a afugentar os consumidores.

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