Governo e Messias perderam, mas grande derrotado da vez é Moraes
Até 11 de dezembro, Alexandre de Moraes era o inatacável pai da moral. No dia seguinte, a bomba: sua mulher, Viviane, estava contratada do Banco Master por R$ 129 milhões. Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques, seus colegas no Supremo Tribunal Federal, também sucumbiriam por envolvimento com a instituição financeira de Daniel Vorcaro. Porém, nada com o efeito que a queda de Moraes teria. O STF não sairia das manchetes até na semana passada, quando Jorge Messias tentou ser seu 11º integrante. Aí, Moraes saiu das cordas e as colocou no pescoço de Messias, que reagiu ao descobrir que ele chegou a ligar para senadores que estão com processo no Supremo e pedir voto contra.
Agora, a esquerda quer a queda de Moraes. Em sua defesa, o melhor zagueiro do Brasil, Davi Alcolumbre (UB-AP), o presidente do Senado. Se ele não quiser, os pedidos de impeachment continuarão na gaveta. Alcolumbre trucou os líderes do governo, que gritaram “seis, ladrão” e, antes de ele devolver “Ladrão é ocêis”, veio o 1º de Maio, feriadaço, calma nas bases.
Além de convencer Alcolumbre a impichar Moraes, é preciso ter 41 votos, um a mais do que se uniram contra Messias. E ser ingrato: para derrubar Moraes, o presidente Lula teria de passar por cima de um aliado estratégico (Moraes), esquecer as rusgas com Alcolumbre e lhe dar mais do que os dois ministérios (Comunicação e Integração Regional) que já tem. Portanto, nunca Moraes esteve com o pescoço tão próximo da guilhotina. E jamais esteve tão seguro, pois qualquer foice no Congresso para amigo de Alcolumbre não passa de lâmina de Prestobarba.