quinta-feira, 21 de maio de 2026

Inflação continuava a perder força nas duas primeiras semanas de maio

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 21 de maio de 2026

Os indicadores disponíveis até o momento mostram que as taxas inflacionárias mantinham tendência a desaceleração na primeiro quinzena de maio, considerando a maior intensidade das de preços observada nas semanas anteriores. Os mercados internacionais e o câmbio indicavam, ontem pelo menos, certa calmaria, antecipando a possibilidade – quase nunca segura, dadas a impulsividade e a irascibilidade do presidente estadunidense – de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Obviamente, um acordo será sempre muito bem-vindo e contribuiria para aliviar as pressões extremas a que toda a economia em sido submetida desde o final de fevereiro, quando os bombardeiros se iniciaram.

A perda de ímpeto das altas de preços aqui dentro – que as raras leitoras e raros leitores deste espaço não confundirão com “barateamento dos preços” – vem sendo observada desde as semanas finais de abril, acentuando-se nos primeiros dias de maio, com pressões menos principalmente no setor de transportes e, em menor intensidade, também na área dos alimentos. No acompanhamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme já divulgado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que havia apresentado alta de 0,89% entre as duas semanas finais de março e as duas iniciais de abril, encerrou as quatro semanas do mês passado em 0,67%.

Os dados de maio, antecipados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP), mostram taxas novamente descendentes, sugerindo que o mercado doméstico tem absorvido choques externos sem que isso tenha se traduzido, até o momento, em nova recaída inflacionária. Parte desse efeito pode ser creditado ao bom comportamento dos preços do dólar, que estavam estacionados em algo como R$ 4,90 até 12 de maio e passaram a oscilar para cima, batendo em R$ 5,04 no fechamento de terça-feira, 19, na série de dados do Banco Central (BC).

Calma enganosa

Embalado pelas promessas de uma paz que nada parece ter de definitiva no Oriente Médio, o mercado reagiu ontem, com recuo entre 0,74% e 0,78% nas cotações do dólar nos segmentos comercial e de turismo, respectivamente, com o câmbio retomando níveis mais próximos de R$ 5,00. Na média, considerando o acompanhamento diário realizado pelo PC, o dólar teria fechado o dia em alguma coisa abaixo de R$ 5,03. O recuo, no caso, foi bem mais moderado, chegando a 0,15% – o que pode ser considerado mais como uma estabilidade. Em quatro semanas, a moeda estadunidense acumula ainda uma variação de 0,92%. Nada que pareça ameaçar o cenário inflacionário doméstico. A calmaria, no entanto, pode ser enganosa, já que depende do que acontecerá nos próximos dias nas negociações entre Washington e Teerã, sempre conturbadas. Os preços do barril do Brent, petróleo mais leve e referência para as cotações internacionais, chegou a baixar 5,3% entre terça e quarta-feira, mas acumula ainda aumento de 7,0% em 30 dias.

Balanço

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pelo Ibre/FGV, chegou a apontar variação de 0,96% nas quatro semanas encerradas em 15 de abril, recuando para 0,88% nos 30 dias do mês passado. Nas duas primeiras quadrissemanas de maio, a taxa baixou para 0,75% e em seguida para 0,66%, dado mais recente divulgado pelo instituto.

No grupo alimentação, a inflação recuou ligeiramente de 1,40% para 1,35% entre a primeira e a segunda quadrissemana de maio, finalizadas nos dias 7 e 15 deste mês, naquela mesma ordem. Os custos da habitação, puxados pelas tarifas de energia, saíram de uma elevação de 0,59% até a primeira semana para 0,85%. No mesmo intervalo, a taxa de variação das tarifas de energia residencial passou de 1,08% para 2,23%.

Os custos dos transportes, no entanto, passaram a recuar 0,15% depois de alta de 0,63% nas quatro semanas terminadas no dia 7 de maio. A principal influência veio dos preços da gasolina e do etanol. No primeiro caso, a elevação de 1,46% observada na primeiro quadrissemana foi substituída por recuo de 0,53% ao final da quadrissemana seguinte, sugerindo uma queda mais acentuada dos preços na segunda semana deste mês.

Os preços do etanol já haviam anotado baixa de 0,91% e tiveram a baixa acentuada na segunda semana, com redução de 3,39% na comparação com os preços médios cobrados nas quatro semanas imediatamente anteriores.

Mesmo no atacado, como mostra o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), medida entre 11 de abril e 10 de maio, as pressões tornaram-se menos intensas, com a alta saindo de 3,81% em abril (na verdade, entre 11 de março e 10 de abril) para 0,95% nos 30 dias terminados em 10 de maio. Os produtos de origem agropecuária, que haviam subido 2,30% no atacado, passaram a recuar 0,26%. Entre os produtos industriais, os custos haviam saltado 4,31% em abril, reduzindo o ritmo para 1,34% em maio (quer dizer, nas quatro semanas concluídas em 10 de maio).

Com a menor pressão também nos preços ao consumidor, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) saindo de 0,88% para 0,68%, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) saiu de 2,94% para 0,89%, acumulando variação de 1,46% em 12 meses (refletindo as baixas ocorridas nos meses anteriores à guerra no Irã). Num observação adicional, o IPC incluído na formação do IGP-10 segue a mesma metodologia do IPC-S, que veio levemente abaixo do índice capturado até 10 de maio (0,66% diante de 0,68%). Embora a oscilação possa ser considerada pouco relevante.

As pesquisas da Fipe/USP, que acompanha o custo de vida na capital paulista, mostram uma menor variação para o índice inflacionário na região, saindo de 0,53% na segunda quadrissemana de abril para 0,39% no mesmo período de maio, com a inflação dos alimentos saindo de 1,29% para 0,82% e, no setor de transportes, de 1,15% para 0,18%.

Ainda no acompanhamento da Fipe/USP, a taxa de variação média dos custos dos serviços, que havia anotada elevação de 0,48% em janeiro para 0,13% em março, com variação nula em abril, dado mais recente divulgado pela fundação.

 

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