sexta-feira, 29 de maio de 2026

Informalidade cai e freia emprego. Mas desemprego continua em níveis baixos

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 29 de maio de 2026

O total de trabalhadores sem carteira assinada, sem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e sem direitos, rotulados como “informais” no linguajar mais “técnico”, voltou a registar queda na passagem do trimestre finalizado em janeiro deste ano para os três meses imediatamente seguintes, contribuindo para frear o emprego em geral. Na aproximação feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de informais recuou de 38,525 milhões para 38,118 milhões naquele período, com encerramento de 407,0 mil ocupações, numa redução de 1,1%.

O resultado mais negativo no setor informal do mercado de trabalho contribuiu para produzir novo recuo na ocupação, reduzindo o número de trabalhadores em todas as ocupações de 102,671 milhões para 102,333 milhões entre os dois trimestres analisados, correspondendo a 338,0 mil empregos a menos. Proporcionalmente, no entanto, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada ontem pelo IBGE, anota um redução muito modesta, na faixa de 0,3%.

A série de dados do IBGE leva em conta a comparação entre trimestres “cheios” para aferir o comportamento dos indicadores mais relevantes do mercado de trabalho, evitando a “repetição” de meses nos períodos comparados. Mas uma observação adicional sugere que o emprego continua apresentando alguma resiliência, a despeito do ambiente de incertezas e turbulências motivadas por questões externas principalmente e pela pressão gerada sobre a atividade econômica em função da política de juros excessivamente altos. Nos três primeiros meses deste ano, o total de ocupados havia alcançado 101,976 milhões, o que indica a geração de 357,0 mil novos empregos no trimestre concluído em abril passado, correspondendo a uma variação positiva de 0,4%.

 

Desemprego

Os trimestres “cheios”, sem a repetição de meses, mostram um crescimento de 8,0% no número de trabalhadores desempregados, avançando de 5,851 milhões entre novembro de 2025 e janeiro deste ano para 6,322 milhões nos três meses seguintes, com mais 471,0 mil desocupados. A despeito dessa variação, a taxa de desocupação no trimestre fevereiro-abril deste ano foi a menor para o mesmo trimestre desde o início da série, em 2012, estacionando em 5,8%. Registrou-se, evidentemente, ligeira elevação frente à taxa de 5,4% anotada no trimestre imediatamente anterior, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano, mas o desemprego foi ainda menor do que o índice de 6,1% alcançado nos primeiros três meses deste ano. Ainda em relação ao trimestre janeiro-março, quando o total de desempregados havia atingido 6,579 milhões, houve uma redução de 3,9% (ou perto de 257,0 mil a menos).

 

Balanço

A abertura dos dados sobre a ocupação, de qualquer maneira, indica um cenário menos tranquilo. Se a informalidade caiu, o total de trabalhadores com carteira assinada, registro no CNPJ e direito a férias, 13º salário, aposentadoria e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) chegou a recuar na comparação entre trimestres “cheios” (que não incluem meses “repetidos”).

Apenas para ficar clara a colocação, quando se compararam os trimestre finalizados respectivamente em março e em abril, os meses de fevereiro e março repetem-se nos dois períodos. Mas esse tipo de comparação permite avaliar o que ocorreu “na margem”, como gostam de dizer os economistas. Mais precisamente, sinaliza como teria sido o comportamento do mercado de trabalho no mês mais recente, no caso atual, em abril.

Considerando os trimestre finalizados em janeiro e em abril, respectivamente, o total de ocupações “formais” sofreu ligeiro recuo de 0,2% ao passar de 60,990 milhões para 60,891 milhões, correspondendo a 99,0 mil ocupações a menos. Mas registrou-se algum avanço ou um equilíbrio virtual quando a comparação ocorre entre os três primeiros meses deste ano e período trimestral terminado em abril. Neste caso, foram abertas 105,0 mil vagas “formais”, o que correspondeu a uma variação de modestíssimos 0,2%.

O critério estabelecido pelo IBGE para estimar o número de trabalhadores informais não contempla os servidores públicos sem carteira, o que interfere, por sua vez, no cálculo para estabelecer o total de trabalhadores formais. A estimativa da coluna desconsidera os servidores sem carteira, diferindo das estimativas do IBGE.

A categoria de servidores públicos sem carteira tem contribuído para incrementar os dados para a ocupação total no mercado brasileiro, explicando, por exemplo quase dois terços do aumento do emprego na saída de março para abril (considerando os trimestres terminados naqueles dois meses, bem entendido). Como visto, nessa comparação, o número total de ocupados foi reforçado pela contratação de mais 357,0 mil trabalhadores, dos quais 219,0 mil (ou 61,34%) dizem respeito à entrada no serviço público de funcionários sem carteira. Na mesma categoria, o total de servidores passou de 3,106 milhões para 3,325 milhões, em alta de 7,1%.

Ao longo de 12 meses, considerando como base o trimestre fevereiro a abril do ano passado, o número total de ocupados avançou 1,1%, saindo de 101,260 milhões para 102,333 milhões, o que representou a abertura de 1,073 milhão de vagas adicionais. O dado mais positivo foi a contribuição de pouco mais de 99,5% dos trabalhadores formais na construção daquele resultado, já que o total de vagas nesta área avançou de 59,823 milhões para 60,891 milhões, gerando 1,068 milhão de ocupações em um ano, numa variação de 1,8%.

A informalidade recuou quase 0,9%, com encerramento de 332,0 mil ocupações. O total de informais caiu de 38,450 milhões para 38,118 milhões. O “saldo” entre formais e informais, portanto, teria gerado um total de 736,0 mil ocupações a mais. O restante foi preenchido pelos servidores públicos sem carteira, que aumentaram em 11,3%. Neste contingente, o total elevou-se de 2,986 milhões para 3,325 milhões, algo como 339,0 mil a mais, correspondendo a 31,59% do total de ocupações geradas em todo o mercado.

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