quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Massa de rendimentos reais em Goiás bate recorde no 2º trimestre

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em

A soma de todos os rendimentos recebidos pelos trabalhadores, a valores atualizados até junho deste ano com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou seu maior valor desde 2012, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a série atual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). A massa de rendimentos reais subiu ligeiramente na passagem do primeiro para o segundo trimestre deste ano, saindo de R$ 15,136 bilhões para R$ 15,222 bilhões, numa variação real de 0,6%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando o conjunto de rendimentos reais havia somado R$ 13,952 bilhões, a pesquisa mostra um crescimento de 9,1%, significando um ganho de R$ 1,270 bilhão para trabalhadores e suas famílias. A alta foi mais intensa do que aquela observada no segundo trimestre do ano passado, agora em relação ao mesmo período de 2024, quando a pesquisa anotou variação real de 4,8% e um incremento em valores absolutos de R$ 633,0 milhões. Nitidamente, houve uma intensificação na velocidade de crescimento, refletindo muito mais o ganho real também de 9,1% registrado para o rendimento real médio entre o segundo trimestre de 2024 e idêntico período deste ano – já que a ocupação virtualmente não cresceu no período, conforme analisado neste espaço (O Hoje 18.08.2026).

Na média, o rendimento recebido pelo trabalhador goiano, algo em torno de R$ 3.946 no segundo trimestre deste ano, não conseguiu sustentar o recorde que havia sido registrado no trimestre imediatamente anterior, alcançando perto de R$ 3.965, recuando 0,5% nessa comparação. Mas manteve-se como o segundo maior valor da série histórica. Comparado à média brasileira, próxima de R$ 3.738, o valor recebido pelo trabalhador goiano foi 5,56% mais elevado, tendência que tem prevalecido desde o terceiro trimestre do ano passado, quando o rendimento em Goiás havia superado a média brasileira em 2,0%.

 

Acima da média

No primeiro trimestre deste ano, a diferença já havia alcançado 4,48%, com o rendimento real chegando a R$ 3.795 na média do País diante de R$ 3.965 em Goiás. Num exercício matemático, apenas como ilustração, os rendimentos reais médios entre o primeiro trimestre de 2012, quando a versão atual da PNADC foi iniciada, e o segundo trimestre de 2025, o rendimento real médio em todo o País havia alcançado R$ 3.324 frente a R$ 3.177 em Goiás, ou seja, praticamente 4,4% mais baixo. Entre o terceiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre deste ano, a média no Brasil foi elevada para R$ 3.728, numa variação de 12,15%. Em Goiás, a variação foi mais acelerada, numa alta de 21,4%, o que levou o rendimento médio para R$ 3.857, superando a média brasileira em 3,45%.

 

Balanço

Numa anotação adicional sobre o emprego no Estado, puxado pela informalidade, conforme analisado na coluna de ontem, as maiores contribuições setoriais, na passagem do primeiro para o segundo trimestre deste ano, vieram, pela ordem, dos segmentos de comércio e reparação de veículos e motos e da agropecuária, incluindo ainda as atividades de produção florestal, pesca e aquicultura.

O comércio contratou em Goiás mais 21,0 mil trabalhados no período, elevando o número de ocupados em 2,5%, de 846,0 mil para 867,0 mil e contribuindo com 45,6% para o incremento observado para o total das ocupações em igual intervalo. A agropecuária contribuiu com 37,0%, equivalentes a contratações adicionais de 17,0 mil pessoas em plena entressafra no setor de grãos. O número de empregados nesta área avançou de 257,0 mil para 273,0 mil, em alta de 6,4%.

A estagnação virtualmente observada na saída do segundo trimestre do ano passado para o mesmo período deste ano pode ser debitada à conta dos setores de alojamento e alimentação (que tem experimentado baixas no nível de atividade no Estado, segundo o IBGE) e ainda dos segmentos de comunicação, informação e de atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas.

O total de ocupados em bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis e pousadas caiu de 227,0 mil para 206,0 mil naquele intervalo, significando o fechamento de 20,0 mil vagas, numa redução de 9,0%. O segundo grupo demitiu 30,0 mil trabalhadores, reduzindo seu efetivo de 478,0 mil para 448,0 mil, numa queda de 6,3%.

Aquelas perdas foram parcialmente compensadas pela contratação de 48,0 mil trabalhadores pelo setor de comércio e de oficinas, num incremento de 5,8% em relação ao contingente de 820,0 mil empregados no segundo trimestre do ano passado.

Na quadrissemana encerrada em 15 de agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), passou a anotar baixa de 0,39% em relação aos 30 dias imediatamente anteriores, reafirmando a tendência de variações negativas observada desde o final de julho. A inflação acumulada em 12 meses, que havia registrado 4,27% até a primeira quadrissemana de agosto, baixou para 3,91%.

A tendência de baixa recebeu o reforço dos custos da habitação, que haviam subido 0,41% até o final da primeira semana deste mês e passaram a recuar 1,29% ao longo das quatro semanas encerradas em 15 de agosto – o que sugere que o movimento de redução tende a ter continuidade nas semanas seguintes. A redução foi influenciada principalmente pela queda de 8,0% nas tarifas médias da energia elétrica residencial, que haviam anotado elevação de 0,7% nos 30 dias terminados no dia 7 de agosto.

Os preços dos alimentos mantiveram-se em baixa, agora com recuo de 0,36% – mas num movimento menos intenso do que nas quatro semanas de julho, quando o custo da alimentação havia recuado 0,87%. A redução de 1,11% nos preços da gasolina contribuiu para que os custos dos transportes recuassem 0,26% até 15 de agosto. Enquanto a queda de 2,63% nos preços das passagens aéreas levou para o terreno negativo todo o grupo de educação, leitura e recreação (num recuo de 0,13% depois da alta de 1,06% em julho).

Como o universo pesquisado e a metodologia adotada diferem daqueles que definem o IPCA, a redução do IPC-S pode não significar baixa igualmente para o indicador aferido pelo IBGE. Mas trata-se de mais um sinal de preços bem-comportados a despeito de turbulências geopolíticas e de incertezas em relação ao futuro mais imediato.

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