sexta-feira, 16 de outubro de 2026

MDB de Daniel e PSD de Caiado podem desidratar o União Brasil

Wilson Silvestrepor em
MDB de Daniel e PSD de Caiado podem desidratar o União Brasil
O mesmo script pode se repetir a partir de agora com Daniel no poder e Ronaldo Caiado na influência do PSD Ilustração: Takeshi Gondo

Nada mais natural que os atuais prefeitos filiados ao União Brasil troquem de camisa. Uns para o MDB de Daniel Vilela, outros para o PSD de Ronaldo Caiado

A autonomia dos municípios só existe na Constituição Federal, como tantas outras orientações constitucionais nessas terras tropicais. Em Goiás, 62 dos 246 municípios, ou seja, 25,2% do total, não arrecadam o suficiente nem para pagar as despesas básicas da prefeitura, segundo levantamento recente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Sem caixa, esses prefeitos são verdadeiros peregrinos até a capital do Estado atrás de emendas parlamentares e convênios para asfaltar uma rua ou reformar uma escola. No entanto, muitas vezes, o cheque vem acompanhado de uma ficha de filiação ao partido do governador, afinal, generosos como são, não cobram mais do que apoio na eleição seguinte. Só este ano, o governo estadual, via Goiás do Crescimento, já desembolsou para os municípios R$ 165 milhões, sendo que Cristalina recebeu a maior fatia, R$ 8,7 milhões. Um dinheiro que acompanhou a trajetória do prefeito Dr. Luís Otávio, eleito pelo PL, hoje no União Brasil, mas que já dá sinais de que desembarcará no MDB de Daniel Vilela, enquanto 13 prefeitos de oposição seguem na fila de espera e torcem para que o cofre não feche antes de chegar a vez deles.

Então nada mais natural que os atuais prefeitos filiados ao União Brasil troquem de camisa. Uns para o MDB de Daniel Vilela, outros para o PSD de Ronaldo Caiado, afinal, fidelidade partidária no Brasil costuma durar apenas um mandato, como durou quando Marconi Perillo (PSDB) vestiu quase todo mundo de azul e amarelo. O mesmo script pode se repetir a partir de agora com Daniel no poder e Ronaldo Caiado na influência do PSD.

Gracinha pode mudar de partido

Além de dezenas de prefeitos, não está descartada a senadora eleita pelo União Brasil, Gracinha Caiado, migrar para o PSD de Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab. A lógica aponta para dois motivos: a necessidade do PSD aumentar sua bancada no Senado que, a partir de janeiro de 2027, sai de 13 para cinco cadeiras. Senador, assim como prefeito, ocupa cargo majoritário, o que permite trocar de legenda a qualquer momento sem o menor risco de perder o mandato.

De olho no TCE e TCM

Se depender de Sebastião Tejota, Talles Barreto (União Brasil) será o próximo a se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), pois a “promoção” do parlamentar abriria uma vaga na Assembleia Legislativa para seu filho, Lincoln Tejota (União Brasil), hoje primeiro suplente da União Progressista. No entanto, o deputado reeleito Virmondes Cruvinel Filho (União Brasil) é um dos contados, tanto para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) ou mesmo o TCE-GO.

Calil no MDB?

O deputado federal eleito Lucas Calil (PRD) pode se filiar ao MDB a pedido de Daniel Vilela (MDB), uma vez que parlamentares eleitos podem se desvincular de um partido ou federação que não atingiu a cláusula de barreira sem necessidade de esperar a janela partidária. Esse é o caso do PRD, legenda que abriga Calil.

Foco de Accorsi

A decisão de Adriana Accorsi (PT) de romper com a “velha guarda” do PT é apenas o primeiro capítulo de uma cisão que deve se aprofundar caso Lula (PT) não seja reeleito. No serpentário político, circula a versão de que a deputada poderá até deixar o partido. Segundo uma fonte disse à coluna, Adriana teme que a legenda a “puxe para baixo” em uma nova tentativa de disputar a Prefeitura de Goiânia.

Prefeitos mudos

A maioria dos prefeitos goianos entrou em modo avião em relação à disputa para presidente da República. O silêncio faz sentido devido à expectativa sobre recursos futuros. Se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer, a estratégia será ‘colar’ nos deputados federais, maiores ativos para buscar recursos. No caso de Flávio Bolsonaro conquistar a vitória, a estratégia será a mesma, afinal, nenhum presidente da República governa sem o Congresso, mesmo tendo maioria nas duas Casas de Leis.

Fábio Sousa no O HOJE – Nesta sexta-feira (16), o Grupo O HOJE recebe para mais uma edição do Momento Político o deputado federal eleito Fábio Sousa (PL). A entrevista completa você confere no Canal O HOJE no YouTube.

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