quarta-feira, 8 de julho de 2026

Michelle, Bia Kicis e Ibaneis, um trio que não dá liga política

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 8 de julho de 2026 às 09:25
Michelle, Bia Kicis e Ibaneis, um trio que não dá liga política
Ilustração: Takeshi Gondo

Enquanto Celina Leão (PP) é a favorita na disputa pelo Governo do Distrito Federal, a eleição para o Senado segue em aberto diante do impasse do PL, que insiste em manter Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, como pré-candidatas simultâneas, como se o eleitorado de direita fosse um poço sem fundo, capaz de abastecer as duas, sem que uma seque a outra. No entanto, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, sabe que a conta não fecha. A sobreposição entre Michelle e Bia Kicis não soma, canibaliza. Michelle tende a monopolizar o primeiro voto do eleitorado bolsonarista, aquele que vota primeiro no sobrenome do ex-presidente. Já Ibaneis Rocha (MDB), mesmo fragilizado pelo caso Master, absorve o segundo voto, aquele mais pragmático, ligado à gestão, às obras entregues e ao capital político acumulado à frente do Palácio do Buriti.

Nesse cenário, Bia Kicis sobra no meio da disputa, sem espaço claro para se diferenciar de Michelle ou de Ibaneis, com risco de perder para candidatas da esquerda, como Leila Barros (PDT) e Erika Kokay (PT), que já têm base consolidada e não dependem da direita. O resultado é fundo eleitoral torrado numa loteria ao Senado, aplicado num nome que seria mais eficiente como puxadora de votos para a Câmara dos Deputados. Esse enrosco pode atrapalhar Celina, que terá que administrar os melindres de Ibaneis Rocha.

Os dois nomes do PL na disputa estrangulam o espaço para que a governadora negocie com tranquilidade com Ibaneis Rocha, que segue vivo como o segundo voto da base governista. Seu capital político acumulado como ex-governador, somado ao poder financeiro que ainda carrega e a rede de apoio construída ao longo dos anos, sustentam sua viabilidade eleitoral e o tornam um ativo estratégico que Celina precisa manter por perto, não como coadjuvante, mas como peça central de uma composição capaz de garantir governabilidade e força eleitoral. No fim, Celina segue de mãos atadas por indecisão do seu maior partido aliado.

Relatório vazado do GDF é preliminar
Em nota para esta coluna, o secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, afirmou que o relatório vazado à imprensa sobre “contingenciamento severo” em razão do empréstimo para salvar o BRB é uma análise prévia. O material foi feito pela Secretaria Executiva de Gestão da Estratégia, que não tem competência para análises fiscais, atribuição da Secretaria Executiva da Receita e da Secretaria Executiva de Planejamento, Orçamento e Finanças.

Marconi andarilho
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) segue em pré-campanha pelo Nordeste do Estado. Nesta quarta (8), vai a Buritinópolis e, nos dias seguintes, Alvorada do Norte e Posse, onde promete zerar o déficit habitacional e investir em pavimentação asfáltica.

Sob nova direção
Aliado do deputado Talles Barreto (União Brasil), Paulo Ribeiro assumiu a Presidência da Juventude do União Brasil em Goiás no lugar de Carol Araújo, ligada a Ronaldo Caiado (PSD). É mais um capítulo na reestruturação após a saída do ex-governador.

Vanderlan é o BC
Vanderlan Cardoso (PSD) intensificou as articulações junto a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para pautar a PEC 65/2023, de sua autoria, que dá autonomia orçamentária e financeira ao Banco Central. O texto também blinda constitucionalmente o PIX e impede sua taxação, privatização ou venda. O senador goiano, que disputa a reeleição, trabalha para ver o projeto ser aprovado antes de 4 de outubro.

Só depois da eleição
Muitos assuntos só serão tratados no Congresso depois da eleição, quando a correlação de forças entre os partidos estiver definida nas urnas. Um deles é a indicação para o Tribunal de Contas da União (TCU). A bancada feminina suspeita que a Câmara vai quebrar o acordo de emplacar uma mulher na vaga. “Na hora do vamos ver, os homens fecham questão entre si”, reclama uma deputada à coluna.

Marcio apoia Vitor Hugo – O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), oficializou apoio à pré-candidatura de Major Vitor Hugo (PL) para deputado federal como retribuição, após o vereador tê-lo abrigado na legenda bolsonarista na eleição municipal de 2024.

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