Ocupações com maior qualificação lideram o crescimento do emprego
O total de pessoas com algum tipo de ocupação retomou o crescimento no trimestre finalizado em maio deste ano, revertendo a ligeira baixa observada nos meses anteriores. A reação veio sob a liderança dos setores que demandam mão de obra mais especializada ou com níveis de qualificação superior, segundo os dados da mais recente edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada na sexta-feira, 26, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na soma geral, o mercado de trabalho passou a gerar empregos para 102,703 milhões de trabalhadores, numa variação de 0,5% em relação aos três meses imediatamente anteriores, com abertura de 558,0 mil vagas. Na comparação com o trimestre entre março e maio do ano passado, quando a pesquisa havia registrado 101,863 milhões de ocupados, registrou-se elevação de 0,8%, diante da criação de mais 840,0 mil ocupações.
Antes de entrar no detalhamento daquelas estatísticas, como ressalva, deve-se recordar que o total de pessoas ocupadas ao final do trimestre março a maio deste ano ainda ficou moderadamente abaixo do recorde de 103,019 milhões de trabalhadores exercendo alguma forma de ocupação entre setembro e novembro do ano passado. O recuo, de toda forma, chegou a 0,3%.
Adicionalmente, os números da pesquisa indicam alguma perda de ritmo no emprego neste ano. No trimestre março a maio de 2025, para comparação, o número de ocupados havia crescido 2,5%, com a geração de 2,470 milhões de vagas. Notoriamente, foi um incremento relativo e absoluto mais intenso do que o movimento registrado na edição mais recente da PNADC.
Ocupações qualificadas
Num ritmo menos intenso, os dados da pesquisa agora voltam a apontar crescimento. Mais relevante, num processo influenciado com vigor mais intenso por ocupações que demandam níveis de qualificação mais elevados, num desempenho puxado notoriamente pelo segmento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (lembrando que o setor registra participação de órgãos, institutos e empresas tanto públicas quanto privadas, incluindo aquelas entidades do terceiro setor).
Incluindo nesta conta a indústria e os setores de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, o número de ocupados nesta área atingiu 45,592 milhões no trimestre março-maio deste ano, correspondendo a 44,39% do emprego total.
Balanço
• Na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro deste ano, o número de empregos mais qualificados recebeu o reforço de mais 561,0 mil trabalhadores, avançando 1,3% em relação ao total de 45,031 milhões de ocupados nos três setores analisados. Para comparação, o mercado de trabalho havia aberto 558,0 mil vagas adicionais na mesma comparação, conforme anotado acima.
• Em 12 meses, os empregos mais qualificados demandaram a contratação de 686,0 mil novos trabalhadores, saindo de 44,906 milhões entre março e maio de 2025, numa variação de 1,5%. Estes segmentos responderam, portanto, por 81,7% das ocupações abertas no mesmo intervalo. Vale dizer, a cada 100 novas ocupações criadas, praticamente 82 delas foram destinadas a trabalhadores com algum nível de especialização.
• Nos setores de administração, defesa, seguridade, educação e saúde, o total de ocupados passou de 18,690 milhões no trimestre encerrado em maio de 2025 para 18,809 milhões entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano, alcançando 19,401 milhões entre março e maio de 2026. A comparação entre aqueles períodos mostra altas de 3,1% diante do trimestre imediatamente anterior, com contratação de 591,0 mil trabalhadores adicionais, e de 3,8% em 12 meses, o que correspondeu a mais 711,0 mil ocupados.
• Aparentemente, aqueles setores parecem estar por trás do aumento dos trabalhadores formais, numa estimativa que exclui empregados sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria e empregadores ambos sem registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), assim como desconsidera o contingente de trabalhadores no setor público sem carteira.
• Neste caso, os “formalizados” mantiveram-se virtualmente estáveis na passagem do trimestre entre dezembro e fevereiro para os três meses seguintes, quando variaram de 60,828 milhões para 60,933 milhões (105,0 mil a mais, numa “variação” de 0,2%, ritmo tomado pelo IBGE como sinal de estabilidade). Em 12 meses, considerando o total de 60,178 milhões registrados entre março e maio de 2025, houve um incremento de 1,3%, com criação de 755,0 mil novas ocupações, correspondendo a quase 90% do aumento observado para o total de ocupados.
• Num dado menos alentador, considerando o curtíssimo prazo (quer dizer, na comparação com o trimestre concluído em fevereiro deste ano), em torno de 75,8% do crescimento das ocupações pode ser explicado pelo aumento de 13,9% no total de servidores públicos sem carteira, que teve seu número ampliado de 3,050 milhões para 3,474 milhões (em torno de 423,0 mil a mais), passando a responder por 26,6% do total de ocupados no setor público.
• A taxa de desemprego recuou de 5,8% para 5,6% entre fevereiro e maio (considerando, claro, períodos trimestrais terminados em cada um daqueles meses), o que se compara com 6,2% entre março e maio de 2025. Em maio deste ano, a pesquisa observou o desemprego mais baixo para o mesmo trimestre desde o início da pesquisa, em 2012. O número de desempregados caiu 9,3% em 12 meses, para 6,065 milhões. Por efeitos da sazonalidade do período, sob embalo das festas de fim de ano, quando setores de serviços e do comércio ampliam as contratações, o número de desempregados havia sido de 5,503 milhões no trimestre final de 2025, o mais baixo da série histórica.
• O rendimento real médio dos trabalhadores e a massa salarial experimentaram recuos de 0,8% e de 0,3%, respectivamente, na saída de fevereiro para maio. Mas cresceram, na mesma ordem, 4,0% e 4,8% frente ao trimestre março a maio do ano passado. O crescimento da massa de rendimentos reais foi o mais baixo desde o trimestre setembro a novembro de 2023.