terça-feira, 21 de julho de 2026
CRIANÇAS EM CASA

Seu filho reclama de tédio nas férias? Isso pode fazer bem

Tempo livre sem atividades planejadas ou acesso imediato às telas pode estimular criatividade, autonomia e capacidade de resolver problemas

Bia Salespor Bia Sales em 21 de julho de 2026 às 14:30
Seu filho reclama de tédio nas férias? Isso pode fazer bem
(Imagem: Reprodução)

A frase “não tenho nada para fazer” pode preocupar pais que sentem a obrigação de manter os filhos entretidos durante todas as horas das férias escolares. Especialistas em desenvolvimento infantil, porém, explicam que alguns momentos de tédio podem ser positivos.

Quando a criança não recebe uma atividade pronta nem encontra uma tela imediatamente disponível, precisa pensar no que deseja fazer. Esse processo estimula a criatividade, a autonomia, a tomada de decisões e a capacidade de lidar com pequenas frustrações.

O tempo livre também permite que a criança explore interesses próprios, crie regras e encontre soluções sem depender constantemente da orientação de um adulto. Uma caixa de papelão pode virar uma casa, uma nave ou um palco, enquanto almofadas e cobertores podem formar uma cabana.

Isso não significa abandonar a criança ou deixar de oferecer supervisão. Os adultos continuam responsáveis por garantir segurança e disponibilizar materiais adequados à idade. A diferença está em evitar a condução de todos os minutos da brincadeira.

Não é preciso recorrer imediatamente às telas

Celular, tablet, televisão e videogame oferecem estímulos rápidos e podem encerrar a reclamação de tédio em poucos segundos. Quando isso acontece sempre, porém, a criança perde oportunidades de descobrir formas próprias de se divertir.

Os pais podem oferecer algumas possibilidades sem montar uma programação completa. Papel, lápis, blocos, livros, fantasias, massinha, caixas vazias e objetos domésticos seguros permitem diferentes brincadeiras.

A recomendação é apresentar duas ou três opções e deixar a criança escolher como utilizá-las. Passeios ao ar livre, contato com outras crianças e participação em tarefas simples da casa também podem integrar a rotina.

Quando o tédio merece atenção?

O tédio ocasional é diferente de um desinteresse persistente. Pais e responsáveis devem observar quando a criança deixa de sentir prazer em atividades que antes apreciava, permanece isolada, apresenta alterações importantes de sono ou alimentação ou demonstra tristeza frequente.

Nesses casos, especialmente se os sinais forem duradouros ou prejudicarem a convivência, a orientação é conversar com o pediatra ou procurar um profissional de saúde mental.

Como agir quando a criança disser “estou entediada”

  • Evite entregar uma tela imediatamente;
  • Pergunte o que ela gostaria de inventar ou explorar;
  • Deixe materiais simples e seguros disponíveis;
  • Crie períodos sem atividades programadas;
  • Permita que a criança conduza a brincadeira;
  • Ofereça ajuda sem apresentar todas as respostas;
  • Mantenha a supervisão adequada à idade.

Brincadeiras livres e apropriadas à idade contribuem para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, segundo a Academia Americana de Pediatria.

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