quarta-feira, 29 de julho de 2026

Pesquisas e a lógica política encostam Flávio em Lula no 2º turno

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 29 de julho de 2026 às 00:05
Pesquisas e a lógica política encostam Flávio em Lula no 2º turno
Ilustração: Takeshi Gondo

Foi assim com Collor, o mesmo com Jair Bolsonaro em 2018. Hoje, essa lógica empurra Flávio Bolsonaro para o posto de favorito da direita

 

Desde 1989, quando Fernando Collor, então filiado ao desconhecido PRN, derrotou Lula (PT) no primeiro pleito direto pós-regime militar, a direita brasileira decidiu que não precisa ter o melhor candidato e, sim, alguém que consiga somar os “contra”. Foi assim com Collor, o mesmo com Jair Bolsonaro em 2018. Hoje, essa lógica empurra Flávio Bolsonaro (PL) para o posto de favorito da direita, não porque seja bom, mas porque é o que sobrou de mais competitivo.

Flávio carrega debaixo do braço um piso de 20%, representado pelo bolsonarismo raiz. Esse eleitorado militante dá engajamento nas redes sociais e aquele “empurrão” que Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não têm. Existe, porém, uma pesquisa interna do próprio PL que mostra muita dificuldade para Lula no segundo turno. O levantamento aponta migração pesada de votos da direita para Flávio. A soma desses votos do eleitorado de Ronaldo Caiado e Romeu Zema (Novo) chega a 89% e migra automaticamente para o filho de Bolsonaro numa disputa direta contra o petista. Com Renan Santos (Missão), a transferência cai um pouco, mas segue robusta, com 64%.

A leitura é que aquele cidadão-eleitor que existe desde 1989, o antipetista raiz, resume o voto numa frase só: “Qualquer um, menos o Lula” . Esse eleitorado pode dar a vitória a Flávio. Hoje esse sujeito está espalhado entre os nomes da terceira via, mas na hora H deve tapar o nariz e votar no Flávio Bolsonaro. Se 75% dessa fatia, hoje na faixa de 20% dos votos, migrar para Flávio no segundo turno, são 15 pontos no colo do presidenciável do PL. Hoje ele aparece com 30% contra os 40% de Lula. Com essa migração de votos, fecharia essa conta e passaria na frente. Aritmética simples. Mas que ninguém no Planalto faz em voz alta.

Caiado e Zema com Flávio

Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) já declararam, sem meias palavras, que estarão contra o PT num eventual segundo turno. Isso significa remar a favor de Flávio Bolsonaro (PL), ainda que nenhum dos dois pronuncie o nome do candidato do PL com entusiasmo. Não tem como o eleitorado deles, conservador e de direita, migrar para Lula. Se ocorrer, é uma fatia muito pequena, já que Ronaldo Caiado e Zema não são oposição como Simone Tebet (PSB).

Paz selada

Bem próximo à convenção do MDB do Distrito Federal, no sábado (1º), finalmente foi fechado um acordo entre a governadora Celina Leão (PP) e a legenda emedebista. Com a desistência do ex-governador Ibaneis Rocha de disputar uma das vagas ao Senado, aliados de Ibaneis pressionavam para ocupar o espaço. Finalmente, se não ocorrer um ataque de vaidade, a paz está selada e todos vão apoiar Celina à reeleição.

Zé Mário sob ataque

Uma nota publicada nesta terça-feira (28) na coluna política “Do Alto da Torre”, editada pelo Jornal de Brasília, deixou o grupo que apoia o ex-presidente da Faeg, José Mário Schreiner (PSD), “mascando abelha”. A notícia aborda uma demanda jurídica, mas usa palavras que fogem à civilidade, pois desconstrói a credibilidade política de Zé Mário. “Esse é o tipo de fogo amigo que tem tudo para prejudicar mais o Daniel do que Zé Mário”, conta um aliado dele à coluna.

Ruim para Bruno

Se depender do apoio da prefeita de Iporá, Maysa Cunha, para se eleger deputado federal, o presidente da Alego, Bruno Peixoto (União Brasil), pode buscar outro aliado. A gestão da prefeita está tão precária que os vereadores do município debatem o impeachment de Maysa. Desse modo, o apoio dela a qualquer deputado vira nitroglicerina pura.

PDT a reboque

É a primeira vez em 12 anos que o PDT apoiará um presidenciável petista já no 1° turno. A última vez foi em 2014, quando a legenda esteve na coligação de Dilma Rousseff (PT), que conquistou a reeleição. Nos últimos dois pleitos, 2018 e 2022, a sigla teve Ciro Gomes como candidato.

Zero afogamento – No balanço feito pelo Corpo de Bombeiros de Goiás no encerramento da temporada no Araguaia, uma boa notícia. A ação preventiva resultou em zero afogamento nesta temporada. Sinal de que a corporação trabalhou sintonizada com a sociedade e turistas.

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