quarta-feira, 7 de outubro de 2026
SAÚDE DA MULHER

Perimenopausa: o que o corpo avisa antes dos fogachos e que muitas mulheres ignoram

Ginecologista explica que sono interrompido, falha de memória e irritação podem ser os primeiros sinais da fase que antecede a menopausa, mesmo com ciclo ainda regular

Luana Avelarpor em
Perimenopausa

A menstruação continua regular, mas alguma coisa mudou. O sono passa a ser interrompido no meio da madrugada, palavras conhecidas somem durante uma conversa e uma irritação difícil de explicar aparece em situações antes banais. Para mulheres a partir dos 40 anos, sintomas assim podem ser confundidos com estresse ou sobrecarga, embora também estejam entre as manifestações possíveis da perimenopausa.

A fase antecede a menopausa e pode começar antes dos fogachos e das alterações mais perceptíveis no ciclo. Nesse período, o estradiol não simplesmente diminui: pode subir e cair dentro de um mesmo ciclo. Ao mesmo tempo, ciclos com ovulação passam a se alternar com outros sem ovulação, criando uma instabilidade hormonal capaz de repercutir no sono, no humor, na memória e na resposta ao estresse.

“Durante muito tempo, a perimenopausa foi explicada como uma fase de falta de hormônio, mas o que muitas mulheres enfrentam primeiro é a imprevisibilidade do sinal hormonal e o cérebro percebe essa mudança antes mesmo do primeiro fogacho. A mulher ainda pode estar menstruando regularmente e, mesmo assim, perceber que o sono mudou, que a memória falha ou que já não se reconhece emocionalmente”, afirma a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta.

A redução das ovulações também diminui a progesterona. Segundo a especialista, essa mudança pode favorecer insônia, ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração.

Nem tudo deve ser colocado na conta dos hormônios

A idade e o conjunto de sintomas ajudam na investigação, mas não bastam para explicar qualquer alteração. Problemas de tireoide, anemia, depressão, apneia do sono e efeitos de medicamentos também podem produzir queixas semelhantes e precisam ser considerados quando os sintomas persistem ou interferem na rotina.

A avaliação também não se resolve com uma única dosagem hormonal. “O diagnóstico não depende de um exame de sangue isolado. O FSH, hormônio que o cérebro usa para estimular os ovários, oscila ao longo da transição, assim como o próprio estradiol, por isso, um resultado normal não descarta a perimenopausa, e um valor alto sozinho não a confirma. A partir dos 45 anos, diante de sintomas e mudanças persistentes no ciclo, o diagnóstico costuma ser clínico, baseado no padrão da menstruação e na história da paciente, não em um número isolado de laboratório”, explica Fabiane.

A ginecologista compara a dosagem isolada de FSH a uma fotografia feita no meio de uma tempestade. “O exame registra aquele momento, mas não mostra toda a oscilação”, diz.

O tratamento depende do histórico e dos sintomas predominantes. Terapia hormonal pode ser indicada em alguns casos, mas não é a única alternativa. Sono, ansiedade, atividade física, mudanças de hábitos e estratégias não hormonais também podem fazer parte do cuidado.

A procura por avaliação não precisa esperar o primeiro fogacho. Alterações persistentes de memória, humor, ansiedade ou sono, sobretudo quando aparecem junto a mudanças menstruais, já merecem investigação. “Ela não está exagerando, não está inventando e não precisa esperar o primeiro fogacho para buscar ajuda. Há uma explicação biológica possível, há diagnóstico e há tratamento”, conclui Fabiane.

LEIA MAIS:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Mega-Sena acumula e pode pagar R$ 100 milhões nesta quinta; veja os números do concurso 3067

LOTERIA

Mega-Sena acumula e pode pagar R$ 100 milhões nesta quinta; veja os números do concurso 3067

Nenhuma aposta acertou as seis dezenas nesta terça; 85 apostas acertaram a quina e levaram R$ 33 mi...
DJ Hans

Podcast MANDA VÊ

DJ Hans atravessa gerações da música eletrônica em Goiânia

Veterano das pistas relembra os tempos do vinil, as casas noturnas da capital e a experiência em gr...
Feira da Gestante terá vacinação gratuita em Goiânia

ação gratuita

Feira da Gestante terá vacinação gratuita em Goiânia

Ação da Secretaria Municipal de Saúde acontece nesta quarta (7) e quinta-feira (8), das 14h às 1...
Diagnóstico, intervenção e inclusão: Goiânia recebe seminário sobre autismo em outubro

SAÚDE E EDUCAÇÃO

Diagnóstico, intervenção e inclusão: Goiânia recebe seminário sobre autismo em outubro

II Seminário Farol reúne médicos, psicólogos, terapeutas, educadores e famílias para discutir d...
Açafrão, suplementos e autoexame: oncologista esclarece mitos sobre o câncer de mama

OUTUBRO ROSA

Açafrão, suplementos e autoexame: oncologista esclarece mitos sobre o câncer de mama

Em meio ao excesso de informações nas redes sociais, oncologista esclarece o que realmente faz sen...
Obras de Vik Muniz chegam à Goiânia com a exposição “Dinheiro Vivo”

Cultura

Obras de Vik Muniz chegam à Goiânia com a exposição “Dinheiro Vivo”

Mostra abre nesta terça-feira (6), em Goiânia, com 13 trabalhos produzidos a partir de notas retir...
Casais

RELACIONAMENTOS

Casais se afastam entre tarefas, telas e falta de tempo; saiba o que realmente desgasta as relações

Pesquisa mostra que sobrecarga, dificuldade de diálogo e rotina corrida aparecem entre os principai...
Chuva: saiba como proteger cães e gatos da umidade e do estresse

CUIDADOS IMPORTANTES

Chuva: saiba como proteger cães e gatos da umidade e do estresse

Secar as patas, trocar roupinhas molhadas e criar brincadeiras dentro de casa ajudam a manter os ani...