Filme com produção brasileira conquista dois prêmios no Festival de Veneza
“Retorno a Buenos Aires” venceu como Melhor Filme, e Adriano Giannini recebeu o prêmio de Melhor Ator
Uma coprodução entre Brasil e Itália saiu do Festival de Veneza com dois reconhecimentos da crítica especializada. “Retorno a Buenos Aires”, dirigido pelo ítalo-argentino Marco Bechis, recebeu o Prêmio Francesco Pasinetti de Melhor Filme, enquanto Adriano Giannini foi escolhido Melhor Ator pela atuação como Mariano Guerra.
Concedido pelo Sindicato Nacional dos Jornalistas Cinematográficos Italianos, o prêmio foi anunciado após a exibição do longa na sexta-feira (11). A sessão terminou com 14 minutos de aplausos e contou com a presença de integrantes da equipe brasileira.
A participação nacional vai além da produção. O projeto reúne Patrick de Jongh, da 34 Filmes, sediada em Brasília, Cibele Amaral, da Neocórtex, e André Ristum, da Sombumbo. No elenco, Paula Cohen interpreta a juíza Desideria Losada, enquanto Eduardo Hoy vive Mariano Guerra na juventude.
A equipe brasileira inclui ainda Eduardo Antunes, na direção de arte, Alessandra Tosi, na produção de elenco, Coca Serpa, no figurino, e Beto Rodrigues como line producer.
Ambientado em Buenos Aires, em 2008, o filme acompanha Mariano, médico italiano que retorna à Argentina 33 anos depois de ter sido sequestrado e torturado durante a ditadura. De volta ao país, ele precisa depor no julgamento dos ex-militares responsáveis por sua prisão.
Enquanto aguarda o testemunho, Mariano permanece em instalações do Ministério da Justiça ao lado de outros sobreviventes. O reencontro com pessoas que dividiram o cativeiro faz emergir lembranças e conflitos deixados em aberto por décadas. É nesse retorno ao passado que o longa articula memória, trauma e responsabilização pelos crimes cometidos durante o regime.
A história também se aproxima da experiência pessoal de Marco Bechis. O diretor foi preso político durante a ditadura argentina, episódio que atravessa parte de sua filmografia e serve de referência para a construção de “Retorno a Buenos Aires”. As filmagens terminaram no ano em que o golpe de 1976, que deu início à última ditadura militar argentina, completou 50 anos.
Parte do longa foi realizada no Brasil. Depois de três meses de pré-produção, a equipe passou quatro semanas filmando em Porto Alegre. Outras três semanas de gravações ocorreram em Turim, no norte da Itália.
Os prêmios conquistados em Veneza ampliam a projeção de uma produção feita entre diferentes países e equipes. Para o cinema brasileiro, o reconhecimento também evidencia a participação de profissionais do país em um filme que transforma a experiência individual de um sobrevivente em uma discussão sobre memória e violência de Estado.
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